Movimento Operário

ENTREVISTA COM RAUL GODOY, DIRIGENTE DO PTS

Primeiros passos da campanha

15 Aug 2012 | No domingo dia 8 de julho se realizou a Conferência Operária Nacional do PTS, no estádio de Ferro, com mais de 4000 companheiros. Trabalhadores e jovens de diversos ramos da produção na Argentina, entre gráficos, metroviários, ceramistas, telefônicos, operários da Alimentação, das automotrizes, têxteis, siderúrgicos, aeronáuticos, docentes, trabalhadores da indústria do citrus, da produção de sabão, estatais e outros, muitos deles delegados classistas nas comissões internas de seus locais de trabalho, pertencentes a 143 sindicatos em 14 províncias da Argentina, estiveram presentes. A Conferência foi convocada sob a égide de suas consignas centrais, que foram aprovadas para serem difundidas massivamente pelo país: “por sindicatos sem burocratas†e “por um partido de trabalhadores sem patrões†. A participação da Juventude do PTS, de universitários e secundaristas independentes, foi massiva. Abaixo, fazemos uma entrevista com Raul Godoy, operário ceramista e dirigente nacional do PTS, sobre os primeiros passos tomados na campanha aprovada pela Conferência.   |   comentários

No domingo dia 8 de julho se realizou a Conferência Operária Nacional do PTS, no estádio de Ferro, com mais de 4000 companheiros. Trabalhadores e jovens de diversos ramos da produção na Argentina, entre gráficos, metroviários, ceramistas, telefônicos, operários da Alimentação, das automotrizes, têxteis, siderúrgicos, aeronáuticos, docentes, trabalhadores da indústria do citrus, da produção de sabão, estatais e outros, muitos deles delegados (...)

Depois da Conferência Nacional de Trabalhadores, o PTS impulsionou uma campanha de agitação política com duas consignas centrais: por sindicatos sem burocratas e por um partido de trabalhadores sem patrões. Conte-nos um pouco como está a campanha e que importância ela tem.

RG: Sim, estamos levando adiante uma grande campanha para difundir estas ideias massivamente. Queremos chegar aos trabalhadores das grandes concentrações operárias, onde já temos presença, mas necessitamos multiplicá-la e chegar também aos que trabalham em pequenas oficinas, em comércios, precarizados, na construção. Aos jovens e mulheres trabalhadoras, aos companheiros imigrantes, aos que lutam contra a discriminação e pelos direitos das pessoas LGBT e todos os setores que são oprimidos e reprimidos por este sistema capitalista.

A importância da campanha é que semeia em duas ideias profundas, a ideia de organização antiburocrática e de independência de classe, em um contexto político de divisão da classe operária, onde 70% dos trabalhadores não tem sequer representação sindical, e aqueles que temos, a burocracia nos dividiu em 5 centrais sindicais: 3 CGTs e 2 CTAs. Nosso sindicato ceramista, que passará por outra renovação do mandato, com rotação dos dirigentes é um exemplo prático e concreto que isto é possível.

Os analistas econômicos, com matizes, vêm dizendo que este 2012 terminaria sem impactos e já falam de um 2013 com problemas de crescimento e crise internacional, mas justamente a crise internacional, é um grande fator de instabilidade. A situação aberta na Europa em geral e na Espanha em particular dá conta disto. O lock-out da GM no Brasil, que fechou 8 plantas esses dias, são elementos que ressoam no nosso país.

Hoje está na ordem do dia, uma militância mais política nos setores de base, que transcenda o sindical. Esta discussão, começa a surgir naturalmente em muitos lugares de trabalho e estudo, e em milhares de casas operárias.

Como foram os primeiros passos da campanha em Neuquén?

RG: Há alguns dias se realizou uma atividade social ao ar livre com futebol e churrasco em Centenário. Participaram mais de 60 companheiros de distintas fábricas do Parque Industrial, vários dos quais foram na Conferência e fizeram um balanço muito positivo. Aconteceu um debate com várias intervenções que colocaram que a Conferência foi muito boa experiência e que não podemos nos fechar em nossas fábricas e que os trabalhadores necessitamos e devemos comprometer-nos por sindicatos sem burocratas e começar a discutir que necessitamos nosso próprio partido sem patrões.

Para o 10 de agosto, está convocada uma nova atividade da Escola Política Sindical "Nuestra Lucha" no Sindicato Ceramista, na qual vamos abordar o balanço histórico da corrente do "sindicalismo revolucionário" e aprofundar o debate sobre a necessidade da independência política dos trabalhadores. e estamos debatendo sobre a possibilidade de convocar uma plenária da Corrente ’Nuestra Lucha’ em setembro e reagrupar os distintos setores operários, de mulheres trabalhadoras, estatais, docentes e também jovens para avançar na organização e difusão desta campanha em comum com os companheiros com os que mantêm a luta cotidianamente.

Você dizia que a ideia é instalar estas consignas a nível de massas, chegando a todos os setores da classe operária. Que relação te parece que têm estas propostas com a luta pela unidade das fileiras operárias?

RG: Ora, a burocracia sindical é o principal garantidor das divisões que há no interior da classe operária. A luta por sindicatos sem burocratas é da mesma forma a luta por organizações sindicais que defendam sem distinção os precarizados e os efetivos, que lutem contra a terceirização e pela incorporação dos terceirizados no quadro de funcionários efetivos, que defendam os direitos das companheiras mulheres, começando pela reivindicação de: a igual trabalho, igual salário ao dos companheiros homens; que coloque a unidade para além das nacionalidades, porque sendo argentinos, bolivianos, peruanos ou paraguaios, os trabalhadores somos igualmente explorados e nos une um mesmo interesse de classe. A organização democrática dos trabalhadores, varrendo a burocracia sindical e levando adiante todas essas reivindicações, é um passo indispensável para conquistar esta unidade. E no mesmo sentido, a luta por um partido da classe trabalhadora sem patrões aponta para a mesma ideia, uma organização política que defenda os interesses da classe operária com uma perspectiva precisamente de classe, partindo de identificar que os trabalhadores e os patrões temos interesses contrapostos e que em última instância, sem um governo da classe operária, a solução definitiva de nossos problemas seguirá estando longe. Neste sentido, a ideia de um partido de trabalhadores sem patrões aponta a algo mais do que a unidade da classe operária. Aponta também a dotar-nos de uma estratégia de hegemonia operária, ou seja, uma política tendente a unificar as reivindicações de todos os setores oprimidos pelo capitalismo. A classe operária e sua vanguarda têm que tomar esta tarefa em suas mãos e construir uma aliança social que se dê o desafio de vencer os capitalistas e instalar um governo dos trabalhadores e do povo. A campanha está tomando força, e queremos multiplicar este primeiros passos.

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