Movimento Operário

METROVIÃ RIOS PELA BASE

Porque os metroviários não paralisaram em 11 de Julho?

12 Jul 2013   |   comentários

  • Paulinho da Força, e outros representantes de centrais sindicais, na assembleia de metroviarios

Toda a cidade de São Paulo esperava a greve do metrô no dia 11, mas ela não ocorreu. Justamente onde o sindicato é dirigido pela esquerda, tendo o PSTU como ala majoritária, os trabalhadores ficaram por fora do dia nacional de luta e mobilizações. Era fundamental a forte participação dos metroviários – uma categoria estratégica e determinante para uma verdadeira paralisação nacional – com uma política independente dos governos do PT e do PSDB e das burocracia sindicais, para colocar os trabalhadores na linha de frente das mobilizações nacionais com seus próprios métodos e demandas. Nós, do Metroviários pela Base, soltamos um panfleto (veja em nosso blog) onde colocamos 7 pontos fundamentais de porque deveríamos paralisar no dia 11 e discutimos amplamente em nossas bases. Poderia ser cômico, se não fosse trágico, que o PSTU e o PSOL, que compõem a Diretoria do Sindicato, depois de fracassar em organizar os trabalhadores de sua base para entrar nas mobilizações, queiram agora culpar a categoria e a agrupação Metroviários pela Base (composta por metroviários da LER-QI e independentes). Dentro da categoria metroviária não podem sustentar por um minuto essas acusações, uma vez que toda a categoria notou como essa paralisação foi defendida de forma frouxa e enganosa. Mas os trabalhadores e a juventude precisam saber das verdades por trás da nuvem de fumaça que esse setor da diretoria do Sindicato lançou para esconder sua própria impotência.

1. Ao contrário de uma verdadeira construção da paralisação no dia 11/7, a ala majoritária da diretoria não construiu condições para que os metroviários paralisassem. Pra começar, o recuo que deram na greve da campanha salarial este ano, aceitando as determinações do TRT, foi um dos fatores que levou a que os setores mais combativos da categoria estejam hoje com uma enorme desconfiança em relação ao sindicato. Mas foi quando estourou o processo de mobilização massiva nacionalmente que essa ala do sindicato mostrou ainda mais que sua política não era construir nenhum apoio sério nem discussão entre os metroviários. Quando Altino (que é do PSTU) foi detido numa manifestação, sua postura foi somente ir na base para justificar e não discutir a importância da sua participação e da participação dos metroviários nessa luta, que poderia desde o início ter feito toda diferença. Nenhuma assembleia foi convocada para discutir a mobilização, apesar da nossa exigência. Nos pátios, a diretoria do Sindicato propôs corretamente uma paralisação contra a terceirização e recuou de última hora, deixando os trabalhadores na mão. Portanto, era amplo na categoria o sentimento de que se não fizeram sequer a greve por nossas demandas nem tiveram uma política ativa em relação ao movimento contra o aumento, não seria agora que iriam construir uma paralisação seriamente no dia 11. Foi o que se deu.

2. Ao invés de fazer um trabalho de base efetivo, passando nas unidades e confiando no convencimento da categoria, o PSTU e o PSOL preferiram colocar todo peso da assembleia do dia 4 (e no boletim que saiu depois dela) para uma mesa com a nata da burocracia sindical, como o Paulinho da Força Sindical. Houve um amplo rechaço na categoria, que com toda razão não tinha nenhuma confiança de que esses burocratas estavam em favor dos interesses dos trabalhadores. Uma mesa com burocratas da CUT, UGT, Força Sindical, CTB, CGTB e cia só gera ainda mais desconfiança, pois todos nós sabemos que esses burocratas vivem às custas do nosso dinheiro para vender nossos direitos àpatronal e aos governos (seja federal, estadual ou municipal) e manter seus privilégios. Isso se tornou um problema ainda maior por que a ala majoritária da diretoria votou contra nossa proposta de debater na assembleia a tentativa da burocracia de transformar o dia 11 em uma manifestação de apoio àpolítica do governo Dilma de abafar as mobilizações canalizando-as para um plebiscito e uma reforma política cosmética pelas mãos dos próprios políticos rechaçados pelas ruas. Ao contrário de nós que estivemos fazendo trabalho de base pela construção da greve, o que a categoria reconhece, já que discutimos e até mesmo convencemos vários trabalhadores que eram contrários nos locais aonde estamos, o PSTU e o PSOL não chamaram nenhuma setorial nas estações, bases da segurança e tráfego, nem sequer nos pátios onde é tradicional, onde muitos trabalhadores que estavam dispostos a parar ficaram esperando até o último dia por um “sinal de vida†da ala majoritária do sindicato, em vão.

3. O resultado disso foi uma nova assembleia no dia 10, novamente esvaziada e com uma maioria que havia ido para votar contra a greve, vaiando desde o princípio as falas do PSTU. Mas as vaias não eram da “categoria imatura†como quer pintar o PSTU para evitar seu próprio balanço. Houveram muitas falas que denunciavam a burocracia e se colocavam a favor de ter construído a greve, apesar de denunciarem que o sindicato não tinha construído nada. As críticas e desconfianças em relação ao sindicato são cada vez mais amplas. Depois de não construir nada, reconhecendo publicamente saber que não se aprovaria a greve na assembleia, o PSTU fez um verdadeiro teatro, defendendo a paralisação para não ficar àdireita de todas as centrais sindicais burocráticas. É muito fácil levantar a mão na assembleia a favor de uma greve que não se construiu e depois sair dizendo que foi culpa da base “imatura†e dos “pelegos†que votaram contra. O mais irônico é que depois de anos em que dizem em seus materiais que nós, Metroviários pela Base, não temos nenhum peso na categoria, agora dizem que a greve não se aprovou devido ànossa votação contrária. Quanta impotência! O PSTU parece que esqueceu que são eles quem dirigem o Sindicato, e agora nos atacam e lançam uma nuvem de fumaça para esconder suas debilidades. Se fosse verdade que nossa atuação fosse tão determinante a greve teria saído, pois nós batalhamos para que ela fosse construída na base, diferentemente da ala majoritária da diretoria. Nos chamam de “pelegos†porque votamos contra a greve... por acaso estão chamando de “pelegos†também os companheiros do PAN que também votaram contra a greve por verem que não havia construção na base da categoria? Ou os companheiros da CST/“Unidos pra Lutar†, que se abstiveram denunciando corretamente a falta de delimitação clara com burocratas como os da CUT, CTB e Força Sindical?

4. A verdade é que o PSTU e o PSOL sabiam que a assembleia não votaria greve (70% votou contra e houve várias abstenções), e também sabiam que havia trabalhadores se organizando para trabalhar mesmo que a greve fosse votada. Não concordamos com a postura desses trabalhadores. Consideramos fundamental que os trabalhadores reconheçam assembleia como organismo soberano e se unam ao redor dessa para tomar as decisões. Mas é inegável que isso se deu por parte de um setor que, apesar de ser a favor de construir essa greve, terminou se colocando contra como forma de protesto contra o teatro que estava sendo montando e que não respondia àdesconfiança que a base tinha de que a burocracia iria parar sua base nacionalmente, com medo de ficar isolada e vir uma represália como em 2007. Essa atitude também demonstra o desgaste dessa direção com os trabalhadores, que após o recuo na votação de greve na campanha salarial se foca nas disputas eleitoreiras entre PSOL/PSTU X CTB pelas eleições do sindicato no segundo semestre; enquanto as manifestações ganhavam as ruas. Os trabalhadores mostraram falta de confiança de que essa direção seria capaz encampar seriamente uma luta.

5. Nós do Metroviários pela Base temos orgulho ter feito o que estava ao nosso alcance para organizar essa paralisação. Nos espelhamos no exemplo do Sintusp (Sindicato de Trabalhadores da USP) que, mesmo com uma paralisação parcial, foi o único sindicato que levantou uma política de denúncia das tentativas de desvio do governo e da burocracia sindical, compondo um bloco com faixas e cartazes com suas consignas no ato da Avenida Paulista no dia 11, o que a ala majoritária da diretoria também se negou a organizar a partir dos metroviários. Não temos nenhum problema em fazer a discussão na base da categoria, entre todos os trabalhadores e ativistas, sobre se nossa votação contra a paralisação foi correta ou errada, e que a categoria diga se somos “pelegos†como diz a ala majoritária da diretoria. Ao contrário, chamamos a que o sindicato organize reuniões por local de trabalho e organize uma grande assembleia para fazer uma discussão profunda de balanço do dia 11 e para discutir quais serão os nossos próximos passos, pois seguramente estarão colocados novos momentos de lutas, paralisações e greves com a mudança de situação no país, onde os metroviários podem e devem cumprir um papel de linha de frente. Esperamos que a ala majoritária da diretoria do sindicato e a oposição governista da CTB/CUT não abandonem essa mobilização agora em nome do período de campanha eleitoral do sindicato.

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