Movimento Operário

USP EM GREVE!

Por uma grande greve unificada em defesa dos salários, empregos e da educação pública, gratuita e de qualidade!

22 May 2014   |   comentários

Depois de 4 anos, os trabalhadores da USP voltam à cena em um dia histórico de paralisação com 2 mil trabalhadores representando dezenas de unidades que se reuniram na última semana. A resposta ao 0% que o CRUESP insistiu em manter na reunião de negociação hoje foi contundente: greve! A partir da próxima terça-feira os trabalhadores da USP estarão em greve já colocando na linha de frente a auto-organização dos trabalhadores com um comando de greve (...)

Depois de 4 anos, os trabalhadores da USP voltam àcena em um dia histórico de paralisação com 2 mil trabalhadores representando dezenas de unidades que se reuniram na última semana. A resposta ao 0% que o CRUESP insistiu em manter na reunião de negociação hoje foi contundente: greve! A partir da próxima terça-feira os trabalhadores da USP estarão em greve já colocando na linha de frente a auto-organização dos trabalhadores com um comando de greve com delegados eleitos nas reuniões de unidade.

Com o 0% os reitores querem passar a conta da crise orçamentária, principalmente da USP, para os trabalhadores, usando essa crise de desculpa pra uma política de arrocho salarial. Zago, reitor da USP, logo que assumiu congelou todas as contratações, e recentemente disse em entrevista àTV UNIVESP que com isso e outras medidas vai reduzir a folha de pagamento ao longo dos próximos anos. Esse 0% não é só pra este ano, é uma política para sua gestão.

Enquanto isso só aumenta o que nós, trabalhadores das universidades – e toda a população que financia a universidade através do ICMS sobre as compras que faz –, gastamos pra viver. Segundo o DIEESE, só nos primeiros 4 meses de 2014 a cesta básica aumentou 9,6%! Assim em pouco tempo nossos salários estarão totalmente corroídos!
Pra barrar o arrocho e lutar pela educação pública, gratuita e de qualidade, devemos a partir da aprovação da greve:

Fortalecer a construção da greve com novas reuniões em todas as unidades que elejam representantes para um forte comando de greve mantendo a soberania das assembléias! Colocar nossa greve na rua com manifestações, piquetes e cortes de rua! A força dos trabalhadores, com seus métodos pode barrar esse ataque! Esse é o exemplo dos garis do RJ e das greves que explodem por todo o país!

Construir a unidade com os estudantes e os professores estadualmente! Na USP, professores e estudantes já votaram greve em assembleias cheias. Os estudantes votaram greve enquanto fechávamos este artigo. Estas medidas também são um grande impulso para a luta dos trabalhadores e é dessa unidade que a burocracia e o governo mais têm medo! E ela está na ordem do dia, pois a mesma política de cortes que é desculpa pro arrocho dos salários, é desculpa também pra cortar bolsas, auxílio-moradia, permanência, trabalhos de campo, contratação de professores gerando mais salas lotadas e falta de disciplinas, etc.!

Lutar em defesa da universidade pública, buscando apoio da população! Por um lado, se acusam a folha de pagamento, nem sequer é possível confirmar exatamente quanto do orçamento é mesmo gasto com salários (o que sabemos é que o do reitor e da burocracia passam de R$26 mil!), pois as contas da USP não são públicas, muito menos as das Fundações que lucram milhões com a estrutura da USP. Exigimos a abertura dos livros de contas da Universidade e das Fundações! Fim das Fundações com incorporação de todos seus funcionários ao quadro de efetivos da USP! Por outro lado a origem dessa crise orçamentária é que quando as universidades ganharam autonomia o governo cortou em quase um terço o orçamento que era equivalente a 11,6% (em média) do ICMS! Se as verbas não bastam, precisamos lutar por mais verbas para as universidades e para educação! E enquanto eles voltam a defender abertamente a cobrança de mensalidades, devemos levantar a bandeira da luta pelo fim do vestibular, e pela estatização de todo o ensino privado, investindo em educação o que se gasta pagando a dívida pública, para garantir vagas para todos que queiram estudar!

Exigir das centrais sindicais um chamado uma paralisação nacional que unifique as greves salariais em curso retomando as demandas de junho! Depois dos garis que impuseram uma grande derrota aos patrões e governos, e alastraram greves por todo o país, nas últimas semanas entraram em greve os professores e rodoviários em SP, RJ, BH e várias outras cidades, estão explodindo lutas de trabalhadores em todo o país, e no último dia 15 além dessas paralisações os sem-terra, sem-teto e a juventude organizaram manifestações em mais de 50 cidades, há menos de um mês da Copa! É o melhor momento para conquistar aumentos salariais e outras reivindicações, mas também para retomar demandas que foram levantadas em junho do ano passado, como a educação! Por isso, propomos exigir das centrais sindicais que convoquem um dia de paralisação nacional ativa, organizado pela base, com assembleias por categoria, piquetes e atos! Assim fizeram os argentinos no dia 10 de abril, quando o país parou numa greve geral. Assim, podemos fazer pesar ainda mais a luta contra o aumento do custo de vida e a inflação que está comendo os salários e sendo motor das greves, levantando o salário mínimo do DIEESE (R$ 3019,07) como piso salarial nacional, bem como um aumento geral para todos os trabalhadores, e o reajuste mensal dos salários de acordo com a inflação da cesta básica!

Devemos batalhar para que a CSP-Conlutas impulsione um encontro de todos os setores em luta em São Paulo para fortalecer a vanguarda e preparar um plano de ação comum para vencer!

- Nenhuma retirada de direitos ou salários de trabalhadores e professores! Abaixo todos os privilégios, regalias e os supersalários da burocracia universitária!
- Reposição da inflação e das perdas salariais! 9,78% de reajuste já! Elevação do piso para o mínimo do DIEESE (hoje R$3.019)
- Abertura e publicação de todas as contas da universidade e das fundações!
- Se falta dinheiro, mais verbas para a educação! 33% do total real do ICMS para a educação, sendo 11,6% para as universidades estaduais e 2,1% para o Centro Paula Souza!
- Por uma Estatuinte livre e soberana! Abaixo a "autorreforma" do regime pelo C.O.!
- Reintegração de Brandão e de todos os estudantes expulsos! Fim de todos os processos administrativos e criminais aos diretores e ativistas do Sintusp! Total liberdade de organização sindical desde as unidades!
- Fim do congelamento de contratação de funcionários e professores! Contratação imediata para os locais onde o quadro é insuficiente, principalmente os restaurantes e hospitais!
- Nenhuma demissão das(os) trabalhadoras(es) terceirizadas(os) das universidades! Pela defesa dos nossos empregos, incorporação das(os) terceirizadas(os) sem necessidade de concurso público!
- Fim do vestibular e estatização do ensino privado!

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