Movimento Operário

PROFESSORES SP

Para ter conquistas a greve tem que ser pela base e pra valer!

27 Feb 2013   |   comentários

Os professores da rede do estado de SP sofrem a cada ano com mais precarização do trabalho e ataques do governo tucano. São salas super lotadas, salas que fecham, jornadas de trabalho exaustivas, e uma profunda divisão da categoria que retira direitos humilhando e ameaçando os professores a demissões a cada ano.

Os professores da rede do estado de SP sofrem a cada ano com mais precarização do trabalho e ataques do governo tucano. São salas super lotadas, salas que fecham, jornadas de trabalho exaustivas, e uma profunda divisão da categoria que retira direitos humilhando e ameaçando os professores a demissões a cada ano.

Tudo isso é parte de um projeto de Estado para a educação pública que atende os filhos da classe trabalhadora, fazendo com que esses alunos se mantenham como mão de obra barata para a exploração capitalista A realidade de miséria é a que vive grande parte da juventude em nosso país que é obrigada a largar a escola para trabalhar, e são parte do contingente dos que ocupam os postos de trabalho mais precarizados e sem acesso as universidades públicas são obrigados a se endividarem para estudar em uma universidade.

Além do governo Alckmin que se recusa a implementar a jornada de 1/3 extra-classe da lei do piso nacional, os próprios governos do PT, como na Bahia com Jacques Wagner e no RS com Tarso Genro, não aplicam a lei do piso nacional e ainda cortam os pontos dos professores que saíram em luta em 2012. Isso nada mais é do que a prova de que não podemos confiar em nenhum governo capitalista, e o discurso eleitoreiro da burocracia da Apeoesp (Artsind/Artnova e PcdoB) contra o governo Alckmin cai por terra quando vemos os exemplos dos governos do partido que apóia (PT), em outros estados. Em São Paulo o governo Haddad também atacará os professores municipais. Deixou claro que descumprirá o acordo, que os professores municipais firmaram no governo Kassab, fazendo com que comece a surgir um sentimento de indignação dos professores e disposição de luta, que vai ter de enfrentar as ações burocráticas do Claudio Fonseca e sua direção sindical entreguista.

Recentemente vimos as vergonhosas indicações do PT e Dilma, com o aval do PCdoB, para presidir as comissões de Educação e Direitos Humanos da Câmara de Deputados. Gabriel Chalita, deputado federal (PMDB) conhecido como autor da “pedagogia do amor†, que de amor nada tem e de pedagogia só se for a da corrupção e propina, acusado de corrupção, enriquecimento ilícito com negócios com o grupo privado COC e superfaturamento de contratos públicos. E o pastor Marcos Feliciano (PSC-SP), famoso por receber 10 mil reais por pregação e seus discursos racistas e homofóbicos. São com esses reacionários, corruptos e seus partidos burgueses que Dilma faz aliança em “defesa†da educação, das mulheres, dos homossexuais e negros.

Para lutarmos por nossos direitos é preciso unir os professores e
combater a burocracia

A paralização convocada pela CNTE (Confederação nacional dos Trabalhadores da Educação- CUT) para os dias 23, 24 e 25 de abril tem como reivindicação central a aplicação da lei do piso nacional. Professores de vários estados saíram em greve no ano de 2012 em luta por esta demanda, mas a burocracia da CUT que dirige vários dos sindicatos de professores freou a luta e não defendeu um programa que unificasse e coordenasse as várias greves nacionalmente. De fato o objetivo da burocracia sindical governista não era, e não é, construir uma greve para a vitória, mas sim utilizar a mobilização dos professores como manobras eleitorais.

Denunciamos e combatemos o método da burocracia que na última Conferência de Educação da Apeoesp votou a greve por fora de uma assembléia democrática de professores. Para nós, temos motivos legítimos para construirmos uma grande greve dos professores do estado de SP, mas esta deve ser construída na base e por escolas e para isso é fundamental que tomemos em nossas mãos a organização e decisão da greve, pois não podemos confiar na burocracia de nosso sindicato que só nos leva a derrotas.

As derrotas que sofremos nos últimos anos são parte do projeto do governo do PSDB e responsabilidade da burocracia sindical que tem uma política de conter a organização dos professores na base e de naturalizar os cortes de pontos, alimentando a ilusão de que tudo se resolve na comissão paritária de negociação com o governo.

Nós da corrente Professores pela Base, propusemos nas reuniões de RE do dia 6 de março deste ano que as direções das subsedes desde já encampassem um fundo de greve para que nos preparássemos para uma luta longa e dura mostrando para o governo nossa disposição e a garantia de que nenhum professor seja amedrontado com o corte de ponto. As direções disseram que já existe um fundo de greve, mas na realidade sabemos que é para pagar gasolina e alimentação nos dias de comando de greve e não como método de unidade entre os professores defendendo os mais precarizados e impulsionando uma campanha de solidariedade com outras categorias. Achamos que é fundamental organizarmos este fundo de greve em uma grande campanha junto a outros sindicatos, centrais sindicais, centros acadêmicos de universidades, centro comunitários de bairros e juntos aos pais e alunos de nossas escolas. Defendemos, também que a Conlutas convoque um Encontro Nacional dos Trabalhadores da Educação para discutir um plano de luta efetivo que articule professores nacionalmente e construa uma alternativa a burocracia sindical durante as mobilizações. Infelizmente, o PSTU se mostrou contrário a essa proposta em 2012 e este ano, na última plenária da Oposição Alternativa (OA), se recusou levar esta proposta para a reunião da Coordenação da Conlutas ocorrida no final de fevereiro, quando contaríamos com tempo hábil para uma preparação nacional.

Defender os mais precarizados é defender nossos direitos! Somos todos professores!

Os professores categoria O sofrem com a falta de aula e muitos estão demitidos obrigados a ficarem na duzentena. Além deste absurdo, parece que o governo do PSDB não os considera seres humanos que podem ficar doentes, pois além de terem quase nenhum direito àfaltas médicas e abonadas, não possuem o direito garantido de sequer usar o IAMSPE. Além de sofrerem assédio moral e ameaças pelas direções das escolas de terem seus contratos cortados.

Diante desta realidade, a direção da Apeoesp este ano foi obrigada a garantir um ato em defesa dos professores categoria O, mas não construiu este ato na base da categoria fazendo um chamado aos professores efetivos que saíssem em defesa dos professores categoria O, transformando este ato em um grande ato em defesa da unidade entre os professores, que na nossa opinião passa por defender a efetivação de todos os professores temporários, sejam F ou O, sem concurso público. Bebel e companhia falam em “menor precarização†para os professores categoria O porque não lutam verdadeiramente contra a precarização, pois apóiam o governo Dilma que mantém a precarização do trabalho para permitir que os capitalistas e patrões sigam lucrando. Além disso, nas escolas a precarização se dá através dos contratos temporários d@s funcionári@s e da terceirização dos serviços de limpeza e merenda, onde a maioria dos postos de trabalho é ocupada por mulheres que trabalham muitas vezes até 10 horas ganhando salários de miséria, e a burocracia do sindicato não fala uma vírgula sobre isso, pois tem uma política corporativista.

O programa da direção da Apeoesp de transformar os professores categoria O em categoria F e garantindo a (pseudo) “estabilidade†de 12h nada mais é do que amenizar mas continuar a precarização. Mas os professores categoria F são precarizados e com o fechamento de salas e a entrada de professores concursados, faz com que percam suas aulas ou tenham que se dividir em mais de uma escola. E seria muita ingenuidade crer que, sem luta séria e decidida, se passaria de O para F.

Achamos que a defesa da jornada de 1/3 fora da sala de aula é legítima, mas não resolve o problema da falta de tempo para prepararmos as aulas com qualidade e termos tempo para estudarmos, e por isso nossa bandeira deve ser de 50% da jornada em sala de aula e 50% extra-classe e pelo salário mínimo do DIEESE. A direção da Apeoesp vangloria o 1/3 dizendo que é “rumo ao 50%†. A Oposição também, mas no fim significa aceitar resignadamente o 1/3 e nada fazer pelos 50%. Assim, também é possível que todos os professores tenham aulas garantidas.

Somente com um programa que parta da exigir o piso nacional, que deve ser o salário do Dieese, reajuste salarial que reponha as perdas e os 50% de horas extra-classe podemos caminhar para encampar uma verdadeira luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, combatendo a destruição da educação que vem sendo ano a ano implementada pelos tucanos e também pelos governos do PT em aliança com Maluf, PMDB e todos os partidos evangélicos e de aluguel, e agora até mesmo Kassab e seu PSD. Unir e coordenar a luta de todos os professores para lutar por esse programa! Preparar a paralisação dos dias 23, 24 e 25 como parte de um plano de luta que organize uma greve por tempo indeterminado até dobrar o governo Alckmin!

Atividades em março e abril da corrente Professores Pela Base:

- Zona Norte: Reunião sobre a mobilização e construção da greve

Será nesse sábado, 16/03, às 14 horas, à5 minutos do metrô Tucuruvi. (Para obter informações ligue: 97434-4314)

- ABC: Primeira sessão do grupo de estudos "Educação e Luta de Classes"

Será nesse sábado, 16/03, na Fundação Santo André

- Zona Oeste: reunião com data e local a confirmar (para obter informação mande email)

- Campinas: Terceira sessão do grupo de estudos "Educação, escola e marxismo".
Esta terceira sessão tem como objetivo abordar o tema dos projetos educacionais e as classes sociais no Brasil. DIA 23/03, sábado, as 14h, na Casa de Estudos e Pesquisa Hermínio Sacchetta . AV. ANCHIETA, 51, centro.

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