Mulher

A REACIONà RIA IGREJA CATÓLICA

Para a reacionária Igreja na "defesa da vida" até o estupro de meninas é permitido

07 Mar 2009   |   comentários

Pernambuco é palco de mais uma ofensiva reacionária da Igreja Católica. Uma menina de 9 anos, que desde os 6 é estuprada por seu padrasto, engravidou de gêmeos. A mãe entrou imediatamente com o pedido de interrupção da gravidez considerada de alto risco e fruto de uma brutal violência que é o estupro, os dois únicos casos permitidos por lei no Brasil. A gravidez foi interrompida, entretanto a moral cristã não se submete nem àlegislação burguesa, que inclusive ao restringir a possibilidade do aborto apenas a esses dois casos, acaba sendo cúmplice da morte de 500 mulheres todos os anos por conta da clandestinidade e da falta de segurança dos abortos cometidos.

Aqui não se trata de uma posição individual, e tampouco de uma crença ou fé que cada um carrega para si. Estamos falando de uma campanha reacionária da Igreja Católica encabeçada, neste momento, pelo Arcebispo de Olinda, que contou com a bênção de membros do Vaticano. “É muito, muito delicado, mas a Igreja nunca pode trair o seu anúncio, que é defender a vida desde a concepção até a morte natural, mesmo em face de um drama humano tão forte como o da violência de uma criança†, disse Gianfranco Grieco, chefe do departamento do Conselho Pontifício para a Família, do Vaticano.

Mas até agora, por parte desses que dizem “defender a vida†, não ouvimos uma palavra sobre o estupro sistemático que vem sofrendo a menina desde seus 6 anos de idade. É tamanha contradição, que o Arcebispo de Olinda teve que declarar que “nesse caso, o aborto é mais grave que o estupro†. Isso pra ele justifica o fato de estar perseguindo e de ter excomungado os médicos responsáveis pela operação e a mãe da menina, ao mesmo tempo não consideram necessário a excomungação, por exemplo, do padrasto que há 3 anos estupra sua enteada.

Lula se posicionou “nesse caso, a favor da medicina†, já que estava dentro da lei brasileira. Mas ao mesmo tempo ignora a realidade das mulheres. Nós sabemos: a ilegalidade do aborto não impede que ele aconteça de forma clandestina. Por isso, estar contra o aborto é estar a favor do aborto clandestino. Posição essa que pode tomar contornos ainda mais reacionários, quando alguém que diz “defender a vida†naturaliza a opressão sofrida pelas mulheres diante de um estupro. Há que se perguntar agora, de que lado fica, por exemplo, Heloísa Helena do PSOLPSOLPSOLPSOL, que fala de feminismo e socialismo, mas levanta bem alto a bandeira “Por um Brasil sem Aborto†. Estará com o Vaticano ou com as meninas estupradas, as mulheres que são submetidas a todo tipo de humilhação num aborto clandestino, as que morrem todos os anos?

Há que se perguntar também como a direção da Marcha Mundial das Mulheres pensa em impulsionar uma verdadeira campanha pela legalização do aborto, quando se cala diante de tanta violência às mulheres, como por exemplo o envio das Tropas do governo Lula ao Haiti que violentam e estupram nossas companheiras haitianas, ou então o caso da jovem estuprada numa cela de homens no Pará com o consentimento de Ana Júlia Carepa do PTPT. Será necessário se enfrentar com os setores reacionários da Igreja, com o governo, com os patrões, e inclusive com esses que se dizem “socialistas†, mas que diante de suas posições reacionárias acabam colaborando como perpetuadores de tamanha violência e opressão que as mulheres sofrem nessa sociedade capitalista. Chamamos a organizar uma verdadeira campanha pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

Basta de violência contra
as mulheres!

Basta de perseguição da Igreja

Diana Assunção é integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas

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