Movimento Operário

DENÚNCIA: demissão ilegal na JBS

Palavra Operária entrevista Andreia Pires, cipeira demitida política da JBS

11 Feb 2015   |   comentários

Entrevista do jornal Palavra Operária com Andreia, cipeira demitida política da JBS empresa dona das marcas Friboi e Seara.

Todos que me conhecem nessa fábrica sabem que não fico quieta frente a tanta coisa errada que fazem, seja com o trabalhador ou com o alimento que produzimos. Essa semana estávamos passando um abaixo assinado para não cobrarem nossas refeições, quase 200 assinaram e eu estava ajudando. Por isso é que fui demitida, porque não querem aceitar nem o mínimo que podemos fazer para nos defender. Eles tiram dentista, encarecem o convenio, tiram várias coisas de benefícios e quem fala alguma coisa é mandado sem direitos?!

(carta Sobre a minha demissão, Andreia Pires)

P.O.: Conte um pouco sobre a situação na fábrica e a sua demissão:

Pra falar de demissão, tem que começar a falar de quando a JBS chegou, segundo semestre de 2013. Chegaram e demitiram mais de cem trabalhadores, seguindo seu sistema de enxugar, onde tinha 5 trabalhadores, ficou 3. No meu caso, a demissão foi uma forma da JBS mostrar que não respeita CIPA e que não quer saber de nenhum questionamento, o trabalhador não tem voz.

P.O.: Fale mais sobre o seu caso:

No meu caso, desde que a JBS chegou eu venho questionando todos os ataques que eles tem feito e venho sofrendo perseguição, questionei a retirada do convenio odontológico e várias coisas, aí desde então eu sinto que venho sendo perseguida, tomei suspensão e até recebi oferta pra melhorar de cargo, como se fosse um cala boca, mas eu não aceitei. No último dia de trabalho do ano passado deram a notícia que passariam a cobrar as refeições (R$ 28,22), eu questionei isso e como vários colegas deram a sugestão, fizemos um abaixo assinado contra essa cobrança.

P.O.: E os trabalhadores, como estão?

Tava todo mundo bastante revoltado, por isso o abaixo assinado tava tendo força, todo mundo assinando por que era uma forma de mostrar que queríamos melhorar as coisas. Aí me demitiram por isso, pra causar terror na galera. Agora o pessoal tá com mais medo, qualquer coisa tão dando suspensão e falando que vão mandar sem direito.

P.O.: E o sindicato?

O sindicato é ausente. Todas as tentativas que fiz para entrar em contato, pedir apoio ainda não deram resultado. Desde que trabalho lá eles nunca fizeram nada, agora provaram que são omissos, que o trabalhador das indústrias de frios não pode contar com o sindicato.

P.O.: Você quer mandar algum recado para os nossos leitores?

Somos milhares de trabalhadores da indústria da carne no Brasil, uma das que mais lucram, mas a real situação que vivemos nessas indústria é desconhecida, muito diferente do que aparece no comerciais da televisão. Mesmo assim precisamos ter coragem de fazer denúncias, juntar as forças pra que hajam melhorias nas condições, desde os salários até situação no chão das fábricas.

Não nos recusamos a trabalhar, queremos condições dignas de trabalho. Por isso vou continuar lutando com todos os colegas de lá e de outras fábricas, junto com os que conheci no Movimento Nossa Classe, vou continuar lutando pela minha readmissão. Obrigado!

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