Terça 20 de Agosto de 2019

Debates

PSTU: as palavras e os fatos

10 Aug 2006   |   comentários

Nas últimas edições do seu jornal, o “Opinião Socialista†, o PSTU começou a criticar muito corretamente a política e a estratégia de Heloísa Helena. Na maioria das vezes temos pouco a acrescentar às posições do PSTU, que coincidem em grande medida com o que também estamos escrevendo em nossos materiais. Porém, como dizia Lênin, os trabalhadores não devem acreditar nas palavras, somente nos atos. E infelizmente existe uma grande diferença entre o que o PSTU fala e o que o PSTU faz.

Em primeiro lugar, o PSTU assina um manifesto que contradiz elementos fundamentais das críticas que têm sido feitas nas páginas do “Opinião Socialista†. Isso é uma questão extremamente importante. A tática dos revolucionários, sempre que necessário, deve ser flexível o suficiente para participar de blocos políticos com organizações que defendem um programa que discordamos. Porém isso jamais deve ser feito em detrimento das nossas posições de principio. A flexibilidade tática deve ser acompanhada pela máxima rigidez em relação aos princípios da ação revolucionária.

Em segundo lugar, o PSTU busca aparecer publicamente o mais próximo possível de Heloísa Helena. Isso é em nossa opinião um grande erro. Pode servir para ganhar votos para os candidatos do PSTU, mas de nenhuma forma serve para fazer avançar a luta e a consciência dos trabalhadores. Marx dizia que aquele que esconde seu comunismo das massas deixa de ser comunista. Podemos dizer o mesmo em relação às criticas àHeloisa Helena. O PSTU, ao esconder suas criticas das massas nos panfletos agitativos de campanha e na TV e só se diferenciar frente àvanguarda nas páginas do “Opinião Socialista†, expressa seu caráter centrista. Para dialogar com os trabalhadores, de forma alguma, devemos rebaixar o nosso programa. O grande desafio da política revolucionária é justamente saber dialogar com a consciência atrasada dos operários a partir dos princípios e da estratégia revolucionária. Rebaixar o programa não significa dialogar, mas sim abrir mão de uma política revolucionária.

Por último, mas não menos importante, o PSTU não está utilizando a campanha eleitoral para organizar uma verdadeira guerra contra as demissões. Ao contrário, assim como Heloísa Helena, sequer toca no assunto. O material de campanha do Mancha, por exemplo, que é trabalhador da GM, sequer cita o ataque que a patronal vem descarregando nas últimas semanas sobre seus colegas de trabalho, em que centenas de trabalhadores foram obrigados a aderir aos “PDVs†e outros tantos tiveram seus contratos suspensos.

Como oferecer uma alternativa para os trabalhadores se formos incapazes de organizar uma grande luta contras as demissões em massa? Em todos os seus materiais de campanha, em todos os seus discursos públicos, o PSTU deveria colocar como centro a organização dos trabalhadores para barrar as demissões. Na televisão, o PSTU deveria utilizar o seu tempo com o mesmo propósito. Ao mesmo tempo, deveria exigir publicamente do PSOL e do PCB, em especial de Heloisa Helena, que também colocassem no centro da sua política a luta contra as demissões.

Por estes motivos centrais não podemos concordar com os militantes do PSTU quando estes afirmam que já são uma ala classista na Frente de Esquerda. Como pode uma ala classista aceitar assinar embaixo de um manifesto que contradiz os principais aspectos de uma política classista? Como pode uma ala classista aparecer para setores das massas sem se diferenciar da política de Heloisa Helena? Como pode uma ala classista deixar de utilizar a campanha eleitoral para lutar contra as demissões? Não pode.

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