Quinta 18 de Julho de 2019

Nacional

NENHUMA FRENTE ELEITORAL COM O PSOL

Os trabalhadores necessitam de uma Frente Classista e Socialista

01 Jul 2008   |   comentários

No momento em que as coligações eleitorais dos partidos burgueses se definem, na esquerda discute-se a formação de uma “Frente de Esquerda†composta por PSOL, PSTU e PCB, como foi feito em 2006 para as eleições presidenciais, que tinha àfrente Heloisa Helena como candidata.

Por vontade do PSTU, quem vem publicando seguidos artigos sobre a necessidade de “não dividir a esquerda combativa e socialista nessas eleições†, a Frente de Esquerda seria retomada com o mesmo programa anterior. Isso só não se dá porque, segundo o PSTU, o PSOL tem “se aliado àdireita†em algumas cidades e “tido uma postura sectária com o maior peso político e social do PSTU†em outras. Apenas no RJ o PSTU diz que a Frente “dá um exemplo†de como deve ser feito em todo o país.

Nesse artigo, queremos discutir com os companheiros do PSTU que acreditam honestamente ser o único problema da formação da Frente de Esquerda o PSOL buscar acordos eleitorais com setores burgueses e ignorar o peso político do PSTU em determinados municípios quando toma todo o tempo de rádio e TV da coligação, ou quando lança candidatos sem consultar o PSTU.

As coligações do PSOL a serviço do seu programa burguês

Nas próximas eleições municipais o PSOL prepara coligações que evidenciam mais do que nunca como essas alianças estão a serviço de um programa político para gerenciar o Estado burguês com partidos e posições burguesas. Em Porto Alegre (RS), a direção regional do PSOL formalizou a aliança com o Partido Verde (PV). Em Recife (PE), a direção regional do PSOL vetou a aliança eleitoral com o PSTU por conta da negativa deste em participar das eleições com o PV no sul. Em São Paulo, onde a direção municipal do PSOL é formada majoritariamente pela APS, o partido definiu unilateralmente a indicação de candidato a prefeito e vice-prefeito.

Na edição n° 341 do jornal Opinião Socialista, o PSTU diz: “consideramos um erro grave que a esquerda socialista se divida nas eleições municipais, enfraquecendo a oposição de esquerda ao governo Lula e seus representantes nos estados e municípios. Queremos apresentar aos trabalhadores uma alternativa realmente independente, de classe e socialista†.

Mas, contra as posições descaradamente conciliadoras do PSOL, o PSTU: “considera que o exemplo do Rio de Janeiro é uma demonstração de que é possível garantir a unidade da frente, envolver democraticamente os ativistas na sua construção, e respeitar o peso social e político dos partidos. Outra definição da Frente no Rio é que o candidato prioritário a vereador do PSOL, o atual vereador Eliomar Coelho, terá o mesmo tempo de TV e Rádio de Cyro Garcia, principal candidato do PSTU a Câmara Municipal. Além de Cyro, o PSTU se expressará nos programas eleitorais de TV e Rádio através da presença de Vera [1]†.

Nós da LER-QI, ainda que achemos sensivelmente diferente o PSOL estar com partidos como o PSTU no RJ e com o PV em Porto Alegre, não podemos compartilhar da idéia de que o caráter independente, classista e socialista da Frente de Esquerda seja somente como se dão as coligações e como se divide entre os partidos o tempo da propaganda eleitoral.

Como já definimos em artigos anteriores, o PSOL busca seguir de maneira mais rápida a trajetória do PT durante os anos 80 e 90. O projeto político do PSOL é repetir como farsa a trágica tradição da esquerda petista e cutista (e trotskista) de aceitar programas nos quais algumas frases “classistas e socialistas†aparecem como adornos “esquerdistas†em um programa de conjunto reformista. Esses amálgamas são até hoje reivindicados como “bandeiras históricas†que, se sob alguns pontos de vista expressam demandas reais das classes exploradas e oprimidas, terminam como bandeiras para os “dias de festa†, enquanto o dia-a-dia dos sindicatdos continua sendo pautado pelas ordinárias campanhas salariais nas datas-base e eleitoralismo dentro dos marcos democrático-burgueses.

É por esse motivo que não podemos achar exemplar a aliança com Chico Alencar no RJ porque, apesar de ser uma coligação com partidos de esquerda, o programa político levantado pelo PSOL, e que o PSTU se adapta por compor essa Frente, é uma política diretamente burguesa que, frente àcrise da segurança pública no estado, que teve seu ultimo caso trágico no assassinato de três jovens negros envolvendo todas as podres instituições burguesas e até mesmo o exército, Alencar propõe uma audiência pública com a presença do ministro da Defesa, do comandante do Exército e do delegado Ricardo Domingues. Que vergonha! Longe de desenvolver uma campanha denunciando a responsabilidade das instituições repressivas com a cobertura do Eestado, exigindo a punição dos assassinos, pede uma apuração controlada pelos mesmos responsáveis pela morte desses jovens!

Em São Paulo, a chapa da Frente de Esquerda é encabeçada por Ivan Valente, que vem se destacando por ser um dos principais defensores da “CPI da dívida pública†, que está a serviço de negociar essa fraudulenta dívida com os banqueiros. Lamentavelmente, para o PSTU pouco importa que os candidatos da Frente de Esquerda em SP em nada contribuíram para a campanha dos operários da GM contra os ataques da patronal.

Frente a isso, nos posicionamos pela ruptura imediata do chamado àFrente de Esquerda com o PSOL em todo o país. Nenhuma necessidade de espaços eleitorais ou conquista de vereadores pode estar àfrente dos princípios de classe.

Por uma verdadeira FRENTE CLASSISTA

Nas eleições municipais de outubro a classe trabalhadora precisa de candidatos que expressem verdadeiramente posições classistas e combativas, independente da burguesia e das instituições de seu Estado. Precisa de candidatos que representem os interesses dos trabalhadores e lutem conseqüentemente pelos seus direitos e contra as leis escravistas apoiadas pelo PSOL: abaixo o Super-simples! Por um salário mínimo do Dieese (R$ 1.900,00), e não o vergonhoso salário proposto pelo PSOL de R$ 602,00. Ao invés da “CPI da dívida pública†, devemos lutar pelo não pagamento da dívida interna e externa.
Ao contrario do PSOL que defende “limpar†as instituições da democracia dos ricos através das suas infinitas CPIs, a classe trabalhadora necessita de uma Frente Classista que denuncie a podridão da democracia burguesa. Nenhuma confiança nesse parlamento corrupto. Comitês independentes para punir os corruptos e confisco dos bens a serviço dos trabalhadores e povo pobre. Nenhuma confiança na polícia assassina de pobres e negros.

Insistimos: nenhum anseio eleitoralista ou por espaço na mídia pode estar por cima dos princípios e das necessidades da classe operária. Chamamos o PSTU a romper com as alianças eleitorais com o PSOL e encabeçar uma verdadeira Frente Classista para as próximas eleições, a partir dos delegados e das posições discutidas no I Congresso da Conlutas.

Um exemplo de Frente Classista a ser seguido

Nas eleições presidenciais da Argentina em 2007, se conformou uma Frente Classista composta pelo PTS (partido irmão da LER-QI), MAS (Movimento ao Socialismo) e Esquerda Socialista. Contra a política do MST (Movimento Socialista de Trabalhadores) ’ que faz parte do mesmo bloco internacional que o MES (PSOL) ’ de propor uma “frente ampla†em nome da “unidade†com as “forças†burguesas supostamente “progressistas†; a Frente Classista conseguiu difundir entre milhares de trabalhadores a necessidade de se construir um grande partido classista e lutar por um programa operário e socialista, propagandeando as idéias dos revolucionários em todos os meios de comunicação permitidos pelo período eleitoral, contra os capitalistas nacionais e internacionais, com eixo no internacionalismo proletário. A partir da experiência de Zanon, fábrica ocupada sob controle dos trabalhadores desde 2001, produzindo sob controle operário, foram discutidos os limites da luta sindical e a necessidade de elevar a luta dos trabalhadores ao terreno político, papel de vital importância aos socialistas revolucionários para que essas lutas extraiam lições de um programa operário e socialista no caminho de um governo dos trabalhadores e do povo.

A partir de todo espaço aberto pela conformação da Frente Classista, foi possível dar passos para forjar uma vanguarda de trabalhadores e jovens que se prepare para os próximos ascensos da luta de classes naquele país. Por isso, chamamos o PSTU a seguir o exemplo do FOS (grupo irmão do PSTU na Argentina e membro da LIT), que ao invés de seguir a reboque da “esquerda ampla†dos partidos análogos ao PSOL no país vizinho, fez parte da Frente Classista encabeçada pelo PTS.

[1Vera Nepomuceno (PSTU), candidata a vice-prefeita de Chico Alencar (PSOL) no RJ.

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