Internacional

INTERVENÇÃO DO EXÉRCITO FRANCÊS EM MALI

Os trabalhadores e as massas da Argélia tem um papel fundamental contra os planos do imperialismo na região !

28 Jan 2013 | A tomada de reféns em In Amenas, no Leste da Argelia, no complexo de gás d´In Amenas, nos Leste argelino, no complexo de exploração de gás natural gerido conjuntamente pela multinacional britânica BP e pela empresa estatal Sonatrach, revelou um elemento até o momento um pouco subestimado pela intervenção imperialista da França em Mali: o papel chave da Argélia. Isto é o que sinalizava no último mês de outubro Serge Michailof, professor na universidade de Ciencias Políticas da Sorbonne, segundo o qual “sem uma participação ativa da Argélia, nossa aventura militar no Mali só pode acabar mal†[1].   |   comentários

Se, de uma parte, a imprensa evocava nesses últimos dias a relutância de alguns analistas argelinos sobre a intervenção do exército Frances no Mali, que temiam a instalação de bases militares francesas no Sul da fronteira argelina, Alger concedeu por outro lado, a abertura de seu espaço aéreo aos aviões de guerra franceses para que eles borbardeassem o Norte de Mali e fechassem a fronteira Sul para impedirem qualquer respostas dos islâmicos. Há vários meses, Alger pleiteava por uma solução negociada e parecia tão favorável as concessões de autonomia para o Norte de Mali, o que permitiria aumentar sua influencia na região de Kidal, situado em sua fronteira que se considera rico em urânio. Mas o ataque da França mudou as coordenadas da situação. Ela poderia de fato provocar um retorno aos islâmicos sob o solo argelino, bem como no começo dos anos 2000 quando isso ocorreu justamente no Norte de Mali. Esse fato se seguiu a “guerra suja†que o exército deixou contra os grupos nos anos 1990 na Argélia, guerra que foi um meio para os generais argelinos de desviar a luta operária, popular e estudantil que o pais havia conhecido no fim dos anos 1980 e o no começo dos anos 1990.

Mas esta colaboração mais aberta com o imperialismo francês tem razões mais profundas. Após o desencadeamento dos processos revolucionários nos países árabes há dois anos, as classes dominantes argelinas temem um contágio que poderia estremecer seu poder. É por isso que eles procuram se apoiar no imperialismo, notadamente o francês, para preservar seus privilégios. Recentemente, o governo argelino passou assim por um período de controle relativo de suas riquezas petrolíferas e de gás natural (área de exploração histórica da Sonatrach) e de uma imposição muito forte pelas transnacionais, em uma etapa de “abertura†aos capitais estrangeiros. Dessa forma, “em setembro, a Argélia (...) decidiu diminuir a fiscalização em seu setor crucial, a fim de encorajar a volta das companhias estrangeiras (...). Para continuar a satisfazer suas necessidades locais de manter sua capacidade exportadora, o país desejou se tornar por meio da exploração de gás de xisto e fazer ouvir seus chamados as empresas estrangeiras. Um acordo teria sido assinado nesse sentido com a França, no dia 20 de dezembro, permitindo pesquisas francesas em território argelino†[2].

Para os trabalhadores e para as massas da Argélia esta situação não prenuncia nada de bom. Henri Guaino, antigo conselheiro de Sarkozy, expressa a sua maneira um dos aspectos da posição do imperialismo vis-à-vis as ditaduras amigas nos países árabes e com relação aos potenciais movimentos de massas no prolongamento da “primavera árabe†: “ nós podemos talvez ter cometido um erro de julgamento, um julgamento muito rápido das primaveras árabes que desestabilizaram ( os países da região) (...)O que se passa n Tunísia, no Egito, na Síria, contribui evidentemente para alimentar os movimentos jihadistas, para alimentar a desordem, destruir a luta contra o terrorismo em toda nossa região. Tudo isto abre uma grande porta aos movimentos islâmicos†. Assim, o imperialismo frances procura, sob o pretexto de “luta contra o terrorismo†, reforçar o poder das “ditaduras amigas†, como as de Pouteflika na Argélia, contra os trabalhadores, a fim de que elas possam permitir as multinacionais francesas gerar altos lucros a fim de que elas possam agir como uma trincheira de estabilidade reacionária numa região em convulsão.

É por isso que o movimento operário e popular na Argélia tem um papel fundamental a exercer contra a intervenção imperialista no Mali. E não é somente por “simples†solidariedade com nossos irmãos de classe do Mali e contra a tentativa do imperialismo de reforçar sua dominação sobre o país, mas também, para seu próprio interesse na luta contra a burguesia argelina, os generais e a ditadura de Bouteflika. As massas argelinas, que conhecem sem dúvida melhor do que ninguém a brutalidade do imperialismo francês por eles mesmos tê-lo suportado, devem lutar para impedirem que seu país se torne um ponto de apoio da intervenção francesa no Mali, o que traria consequências para os trabalhadores de toda a região. Denunciando e se mobilizando abertamente contra a colaboração do Bouteflika com Paris, as trabalhadoras e trabalhadores da Argélia bem como a juventude poderiam ter um papel muito importante para a derrota do imperialismo francês no Mali, o que se constituiria num primeiro passo a libertação da presença militar francesa na à frica e das multinacionais que pilham metodicamente o continente, um trincheira para as(os) exploradas(os) e oprimidas(os) de toda a região!

[1Le Monde, « Fallait-il intervenir au Mali ? », 17/1/2013.

[2Le Monde, « L’Algérie, tournée vers l’exportation de ses hydrocarbures », 14/1/2013.

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