Quarta 16 de Outubro de 2019

Movimento Operário

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Os trabalhadores/as da USP votam greve a partir do dia 05 de maio

30 Apr 2010   |   comentários

Em assembléia que contou com cerca de mil trabalhadores, aprovamos GREVE a partir do dia 5 de maio, pela manutenção da isonomia salarial entre os servidores (repasse do reajuste de 6% dado a estes de forma diferenciada, o que quebra uma conquista histórica da década de 80) e por um conjunto de reivindicações democráticas e contra a repressão na universidade.

Nos últimos anos, a USP vem sendo palco de profundas crises e importantes processos de luta de classes, dentre os quais se destacaram a greve/ocupação da reitoria de 2007 e a greve de 2009. De um lado, temos o governo do estado dirigido pelo PSDB e seu agente interno – a burocracia acadêmica – trabalhando para avançar na implementação do projeto de “modernização†da universidade de acordo com os interesses dos capitalistas. Do outro lado, temos a aliança entre os trabalhadores, o movimento estudantil e um setor minoritário de professores que tem resistido a este projeto.

Ao longo dos últimos 20 anos, foi implementado um verdadeiro apartheid dentro da USP, no qual coexistem dois extremos inseparáveis e complementares. De um lado, uma elite de professores se enriquece e constitui verdadeiras fortunas parasitando a universidade, recebendo salários de dezenas de milhares de reais através de sua relação com as fundações privadas e serviços terceirizados que progressivamente se espalharam pelas diversas unidades da USP atendendo aos interesses empresariais que representam. Essa elite, com seus carros de luxo e hotéis cinco estrelas, governa a universidade como agente do governo do estado e, por essa via, a serviço dos interesses dos grandes monopólios empresariais. Do outro lado, cerca de ¼ dos trabalhadores que garantem o funcionamento da universidade, terceirizados, concentrados principalmente nos serviços de limpeza, segurança e manutenção, vivem sob as piores condições de trabalho. Estes trabalhadores recebem menos que R$ 500,00 por mês para sobreviverem e estão submetidos a um sistema de rotatividade no qual são permanentemente demitidos e readmitidos em outras empresas. Além disso, os trabalhadores terceirizados da USP, que freqüentemente são obrigados a comerem em banheiros e ficam meses sem receber salários e benefícios, sempre que buscam se organizar para defenderem seus direitos são sumariamente demitidos. Mas as condições de apartheid não estão restritas aos terceirizados. Os restaurantes universitários, que provêem o alimento da comunidade, são verdadeiras “fábricas de doentes†, pois submetem um quadro restringido de funcionários a ritmos e jornadas insuportáveis de trabalho. Para sustentar tais condições de trabalho, uma grande parte dos funcionários da USP, tanto efetivos como terceirizados, estão submetidos a assédios morais permanentes, que objetivam debilitar nossa capacidade de organização e de luta.

O novo reitor do “diálogo†Rodas, e uma ínfima parcela de professores titulares (aproximadamente 0,1% da comunidade universitária) controla todo o orçamento destinado a USP, enquanto a maioria da população pobre e dos trabalhadores a sustentam com seus impostos. O Conselho Universitário se favorece desses projetos de pesquisa milionários em parceria com as fundações e as empresas terceirizadas, os convênios com os grandes bancos e as empresas multinacionais, ao custo de um modelo elitista de universidade que aprova apenas 10% dos cem mil candidatos a uma vaga no vestibular. Na imensa maioria, são os filhos dos trabalhadores que ficam de fora. Menos de 2% dos estudantes da USP são negros. A grande maioria dos negros e pobres da universidade estão nas empresas terceirizadas de limpeza, vigilância e jardinagem que pagam menos de um salário mínimo para mais de 5 mil trabalhadores da universidade de maior excelência do país.

Ao mesmo tempo, as condições de trabalho dos funcionários da Coseas pioram todos os dias. Rodas pretende desvincular o HU da USP e impedir o acesso da população vizinha. Já fez diversas reuniões com o sindicato e nada de concreto foi resolvido. Os ataques ao sindicato, as multas e perseguições continuam. Brandão continua demitido e na “universidade do diálogo†estudantes são espancadas pela guarda universitária do policial Ronaldo Penna e nada é feito. Na Antiga reitoria, Rodas dá as ordens e os trabalhadores são ameaçados de remanejamento sem serem comunicados. IO, Aplicação e diversas unidades reproduzem a perseguição e o assédio moral e Rodas desconhece.
O CRUESP já disse que não estenderá o repasse diferenciado dos professores e passou a reunião da pauta unificada de funcionários, estudantes e professores para fora das universidades para evitar o impedimento das atividades acadêmicas. Uma demonstração de que o único “diálogo†que conhecem é a GREVE.

Para além das justas reivindicações econômicas dos trabalhadores, o que está colocado em debate são distintos projetos de universidade. O projeto dos governos, dos capitalistas e suas reitorias, de uma universidade elitista e racista, cada vez mais atrelada aos interesses do grande capital, ou uma universidade de fato pública, democrática aberta aos filhos dos trabalhadores, sem vestibular, com ingresso livre e direto e a serviço das reais necessidades da maioria da população. Abrimos esse diálogo com os estudantes, importantes aliados nos últimos anos, e com o conjunto da população que tem por direito uma educação pública e de qualidade.

Nós, trabalhadores da USP, nos preparamos para entrarmos em greve a partir do dia 05 de Maio, reivindicando a isonomia entre funcionários e professores, a reposição das perdas salariais provocadas pela inflação nos últimos anos, melhores condições de atendimento àsaúde no HU, melhores condições de trabalho, retirada dos processos contra estudantes e funcionários, reintegração do Brandão etc. Ao mesmo tempo em que pedimos seu apoio para essas reivindicação, fazemos um chamado a uma luta comum por questões maiores, que para serem conquistadas necessitam uma luta que envolva o movimento estudantil, o movimento de professores e intelectuais que não estão atrelados ao governo e o apoio da população. Chamamos a construirmos juntos uma forte luta pela democratização da universidade: contra a repressão aos lutadores e a violência contra as mulheres; por políticas de permanência estudantil; por salários e direitos iguais para os terceirizados e sua incorporação como funcionários da USP sem necessidade de concurso; contra o assédio moral em toda a USP e o trabalho semi-escravo na Coseas; contra o racismo e a homofobia; contra a Univesp e pela estatização das universidades privadas e mais verbas para a educação para garantir ensino superior de qualidade para todos pela derrubada do aristocrático Conselho Universitário; por uma estatuinte livre e soberana e pelo voto universal; assim como pelas outras demandas justas levantadas pelo movimento estudantil.

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