Sábado 20 de Julho de 2019

Nacional

DIANTE DA ESCALADA INFLACIONÃ RIA DE ALIMENTOS

Os sindicatos devem preparar um verdadeiro plano para a luta de classes

24 Apr 2008   |   comentários

A inflação, para os marxistas, não se resume apenas às “leis económicas†de oferta e procura, pois refletem movimentos políticos ’ relações entre classes. Quando há baixa inflação ’ estabilização ’ significa que a classe capitalista impós uma relação de forças que superou o “conflito de classes†, podendo então reger a economia e a política contando com a passividade dos “de baixo†, reduzindo a luta operária a “negociações†controladas e definidas apenas pela “resistência†. Algo lembra a década passada e os últimos anos?

A inflação, assim como a estabilização, são duas medidas capitalistas ’ faces da mesma moeda ’ para garantir sua dominação e apropriação da riqueza nacional. A inflação que se apresenta hoje reflete o movimento de frações burguesas que se lançam na corrida por mais lucros, aproveitando ao máximo a demanda mundial por commodities e a elevação desses preços antes que a crise financeira mundial aberta nos EUA leve àrecessão mundial esperada por todos, acabando com a “festa das commodities†.

O que a classe trabalhadora necessita, agora, é preparar-se para não permitir que essa disputa interburguesa lance as massas numa catástrofe social. Necessita entrar na arena da luta de classes, sair da passividade, tomar o seu lugar e responsabilidade social como classe capaz de dirigir as demais classes exploradas e oprimidas. Precisa, enfim, preparar uma luta nacional contra a “ordem social†’ a propriedade privada e a dominação dos monopólios nacionais e imperialistas. Preparar um verdadeiro plano nacional unificado para enfrentar o aumento dos preços, recuperar o poder aquisitivo dos salários, exigindo aumento geral dos salários, reajuste automático dos salários mensal de acordo com os índices reais do custo de vida (e não a inflação mascarada), salário mínimo conforme com as necessidades reais (R$ 1.881,32, para março, pelos cálculos do Dieese), nenhuma demissão ou PDV, salários e direitos iguais para os terceirizados, reforma agrária radical e crédito barato para atender as demandas dos sem terras, mais verbas para saúde e educação, e não pagamento das dívidas interna e externa (outra fonte de apropriação capitalista da riqueza nacional) para que subsidie um plano nacional que assegure alimentação barata e de qualidade, um plano de obras públicas que resolva as necessidades de moradia, saneamento básico, infra-estrutura, creches, escolas, hospitais, lazer.

Os sindicatos da Conlutas e da Intersindical, o PSTU e a esquerda do PSOL, em primeiro lugar, devem assumir suas responsabilidades, realizando imediatamente em seus sindicatos reuniões e assembléias que discutam a carestia de vida e um plano para enfrentá-la, incorporando na preparação do I Congresso da Conlutas os reais interesses da classe trabalhadora e do povo pobre. Essas assembléias devem convocar uma Plenária Nacional Emergencial com delegados eleitos nas bases de todos os sindicatos para concretizar esse plano e exigir que as demais centrais sindicais e do MST que rompam com seu atrelamento ao governo e preparem esse plano unitário, denunciando o atrelamento dessas direções ao governo e sua política de conciliação com a burguesia e o latifúndio.

Sindicalismo de data base ou luta de classes anticapitalista

O movimento sindical atual continua preso a uma prática sindicalista, economicista, que se pauta por datas base, dias de luta e marchas pré-concebidas e pré-determinadas, no marco “antineoliberal†sem enfrentar o sistema capitalista de conjunto. Essa prática só pode estar a serviço de um programa de conciliação de classes como foi o do PT e hoje é o do PSOL, no qual, por exemplo, a demanda pelo salário mínimo do Dieese é substituída pela reivindicação de R$ 700,00 para chegar ao valor do Dieese em quatro anos.

Agora mesmo, diante da inflação de alimentos que é tema internacional diário, os sindicalistas desviam as atenções para qualquer questão e “aguardam†a data base para “iniciar†uma campanha, seguindo com seus “calendários†como se tudo fosse como antes. Assim atuam até mesmo os sindicatos da Conlutas (e da Intersindical), reféns da estrutura sindical vigente e desse “modo petista-cutista†de militar.

Lenin, em O que fazer?, denunciava que essa “luta dos operários de uma determinada profissão [categoria] com seus patrões†apenas servia para que a classe trabalhadora negociasse o preço ’ salário ’ um pouco maior para vender sua única “mercadoria†’ força de trabalho. Mas esse “preço†seria desvalorizado em seguida, quando os patrões elevassem os preços dos produtos básicos, retomando o que haviam “negociado†antes.

Para Lenin, ao contrário desse sindicalismo oportunista a luta deve ser de toda a “classe operária, não apenas para obter condições vantajosas na venda da força de trabalho, mas, também, para a abolição da ordem social que obriga os não possuidores a se venderem aos ricos†. Isso porque os revolucionários atuam nos sindicatos para representar a classe operária, de conjunto, “em suas relações não apenas com um determinado grupo de empregadores [categoria], mas com todas as classes da sociedade contemporânea, com o Estado como força política organizada†, e “conseqüentemente, portanto, não podem limitar-se àluta económica†. Esses são os ensinamentos que precisamos retomar para revolucionar os sindicatos, transformando-os em verdadeiras organizações classistas ’ para a luta de classes anticapitalista.

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