Internacional

GREVES MINEIRAS NA Ã FRICA DO SUL

Os operários enfrentam a repressão, o governo e a burocracia sindical

16 Nov 2012   |   comentários

A nova onda de greves no setor ocorre rechaçando o acordo assinado pela burocracia sindical da União Nacional de Mineiros (NUM, da sigla em inglês) que desde o início vem procurando quebrar a luta com diferentes métodos, incluindo a utilização de bandos de jagunços contra os grevistas.

Há mais de 2 meses da repressão e assassinato de 34 grevistas em Marikana, a greves num dos setores mais importantes da economia sul-africana – mineração – continuam. No final de outubro mais de 30 mil mineiros em Rustemberg paralisavam a American Platinum (Amplats), a maior exploradora desse mineral no mundo, exigindo melhores condições de trabalho, aumentos de salário e contra a demissão de 12 mil trabalhadores. Em Marikana milhares de mineiros paravam durante várias horas reclamando a liberação de quatro companheiros que foram detidos após depor em tribunal que investiga a repressão e os assassinatos feitos pela polícia na greve de agosto, nessa cidade. Em outras explorações mineiras do país surgem greves e enfrentamentos com as forças de segurança.

A nova onda de greves no setor ocorre rechaçando o acordo assinado pela burocracia sindical da União Nacional de Mineiros (NUM, da sigla em inglês) que desde o início vem procurando quebrar a luta com diferentes métodos, incluindo a utilização de bandos de jagunços contra os grevistas.

Na tentativa de barrar o processo de ruptura das bases operárias com a burocracia sindical da NUM, a central operária nacional (Cosatu) organizou um ato no estádio de Rustemberg, onde se dava a greve da Amplats. No ato se viu uma mostra a mais da ruptura de um setor de ativista e da base em greve, com milhares de mineiros vestidos de camisetas com dizeres contra o acordo feito pela burocracia e a maobilização de mil manifestantes de Marikana denunciando a cumplicidade da burocracia da NUM na repressão aos grevistas.

Os métodos de luta, as greves duras e o surgimento de um ativismo operário nucleado no sindicato independente AMCU (Associação de Mineiros e Construtores), ocorrem fruto de que a reivindicação de melhores condições de trabalho enfrenta-se com as empresas imperialistas e a aliança da burocracia sindicala (NUM e Cosatu) com o governo do CNA (Congresso Nacional Africano) e o PC (Partido Comunista) sul-africano que não vacilam em declarar as greves ilegais e perpetrar a repressão policial e de jagunços para garantir os negócios das mineradoras imperialistas.

Aumenta o desgaste do governo do CNA

O governo do CNA em meio àcrise econômica mundial vem garantindo os planos imperialistas na à frica do Sul. Nos últimos anos a desigualdade, a pobreza e o desemprego afligem os trabalhadores e o povo pobre, depois do fim do Apartheid e a ascenção do CNA ao governo, como explicamos em artigos anteriores (ver “Massacre operário na à frica do Sul†, em La Verdad Obrera nº 489, www.pts.org.ar), as empresas imperialistas, os empresários brancos e uma minoria negra são os que enriquecem àcusta da exploração da população negra.

O regime nascido após o fim do Apartheid, assentado na aliança entre o CNA, o PC e a burocracia sindical da Cosatu, está sendo questionado pela mobilização e luta operária do setor mineiro e que agora começa a se estender a outros setores, como os trabalhadores rurais.

Há poucos dias da conferência nacional do CNA vem àluz mais claramente as divisões no interior do partido governante. Dirigentes como Julius Malema (fundador da Liga da Juventude do CNA), que vinha questionando a política do atual presidente Jacob Zuma, voltou a lançar críticas públicas ao governo, buscando canalizar o descontentamento popular e mostrando-se como ala “viável†dentro do partido para evitar uma ruptura dos trabalhadores e do povo pobre com o CNA, cada vez mais contestado.

Nestes meses de luta dos trabalhadores se vê inúmeras mostras de combatividade e heroismo, conseguindo parte de suas reivindicações, porém as empresas imperialistas de preparam para descarregar a crise sobre os ombros dos trabalhadores, mais uma vez, quando anunciam reestruturações e demissões para o próximo ano. Após três meses de “greves selvagens†, de enfrentamentos com a burocracia e a polícia, e de uma brutal repressão, começa a ficar cada vez mais claro a impossibilidade de o governo do CNA – que é o sócio menor das grandes multinacionais – poder responder às demandas mais legítimas dos trabalhadores e do povo. Será necessária uma experiência profunda com estas direções políticas e sindicais, assim como com os setores que se apresentam como “renovadores†, para expressar uma alternativa de independência de classe que possa encarar e derrotar os ataques que, como parte da crise capitalista internacional, estão sendo descarregados nas costas dos trabalhadores.

Artigos relacionados: Internacional









  • Não há comentários para este artigo