Internacional

ARGENTINA: Os desafios da esquerda e dos lutadores

01 Mar 2015 | A morte do fiscal Nisman terminou de desatar uma “guerra de servicios†. Um setor destes, parte da velha SIDE [Secretaria de Inteligência de Estado] que agora o governo demitiu sem levar preso a nenhum destes delinquentes, segue respondendo a Stiuso.   |   comentários

A morte do fiscal Nisman terminou de desatar uma “guerra de servicios†. Um setor destes, parte da velha SIDE [Secretaria de Inteligência de Estado] que agora o governo demitiu sem levar preso a nenhum destes delinquentes, segue respondendo a Stiuso.

A imensa maioria destes espiões seguirá em funções com salários e orçamento não controlado, como denunciou nosso companheiro Nicolás del Caño no Congresso. Os outros estão com Milani, o general especialista em inteligência acusado de genocida que Cristina Kirchner, pôs no mando do Exército. Desde a Marinha também se fazia espionagem ilegal, tal como mostra o julgamento de seu ex-chefe Godoy. E desde a Gendarmeria [polícia nacional argentina, sob comando da presidenta] infiltraram-se em mobilizações operárias e da esquerda. Os opositores não podem falar. Os radicais [partidários da União Cívica Radical, UCR] e Massa os usaram desde seus postos de governo, e Macri foi processado por espionar até seu cunhado.

Só a esquerda, e em especial nosso partido, o PTS [Partido dos Trabalhadores Socialistas, organização-irmã da LER-QI na Argentina], denunciamos os casos de infiltração e espionagem. Valem como exemplos o caso do pseudo-jornalista América Balbuena, o coronel Galeano, e antes o Projeto X. Hoje os Centros Estudantis combativos da Universidade de Buenos Aires denunciam o vice-reitor Richarte e pedem sua renúncia porque foi (é?) um agente da Inteligência.

Há que acabar com toda esta podridão, que todos usam para perseguir e condenar os lutadores. Ninguém pode pensar que esta crise lhes é alheia. O movimento operário e em especial os setores combativos devem ver esta luta como algo seu, por nossos direitos democráticos mais elementares e o rechaço àespionagem e àrepressão por parte do Estado. Por isso temos que discutir esta crise, e os interesses que defendem o governo, a oposição e os fiscais. Assim, a mais ampla mobilização é o único caminho para impor a abertura de todos os arquivos secretos, algo que não estão dispostos nem o governo, nem os deputados, nem a justiça atual.

E para conhecer a verdade sobre o caso Nisman e o atentado àAMIA, não há outra forma a não ser conquistando uma Comissão Investigadora Independente com os familiares das vítimas da AMIA e organismos de Direitos Humanos que não tenham dependência do Estado. Uma comissão com plenos poderes para poder entrar nestas cavernas e jogar àluz para todo o povo o que tenham guardado.

Só assim se saberá a verdade.

Uma casta que ninguém vota

No 18 de fevereiro os fiscais, muitos deles acusados de encobrimento do caso AMIA, marcharam por Nisman. A oposição patronal com Macri, Carrió, Massa e até Binner participaram sob a chuva em uma demonstração de forças contra o governo, acompanhados pelas classes médias altas. A homenagem a Nisman era uma desculpa: juízes e fiscais, personagens que ninguém vota e ganham salários astronômicos, se mobilizaram para defender seus interesses. A esquerda não apoiou nem participou dessa marcha.

Toda esta crise nacional, que se estende por mais de um mês e afeta a autoridade do Estado capitalista, você pôde seguir dia a dia no La Izquierda Diario, longe das operações da Corporação clarinesca [Clarín, tradicional jornal argentino] e da Korporação [mídia burguesa defensora do governo argentino] kirchnerista. O PTS está orgulhoso de desenvolver o primeiro diário digital da esquerda na Argentina e na América Latina, que é citado por outros grandes órgãos de imprensa nacionais e tem dezenas de milhares de visitas.

China, um novo pacto de dependência

A Câmara dos Deputados votou o convênio econômico com o gigante asiático que assegura pra si a provisão de recursos estratégicos enquanto a economia local se primariza. Bem longe da industrialização que diz promover o partido governante.

Tampouco se trata de uma “aliança estratégica†. O governo faz enormes concessões pressionado pela urgência de divisas que a China provê. A UIA [União Industrial Argentina] mostra algumas fraturas, mas busca sua fatia nos negócios. A oposição patronal não questiona o pacto, somente a Frente de Esquerda o denuncia.

Para alguns continuam as férias

A burocracia sindical das três CGT e das duas CTA continua a trégua. A paralisação do transporte para daqui a um mês (uma eternidade!) soa a pressão para negociar, não para lutar seriamente. Baradel do Suteba assinou a data-base na surdina com Scioli. Moyano não faz nada e lança seu partido político no Luna Park, e até foi junto a seu filho Facundo bendizer a candidatura massista dos reacionários Romero e Olmedo em Salta.

Todos os burocratas se alinham politicamente com alguma variante patronal. Já estão em campanha.

Estes dirigentes não nos representam, por isso temos que lutar para recuperar os sindicatos. 19 de março no metrô haverá eleições do sindicato, a lista Bordó-Violeta que encabeça nosso companheiro Claudio Dellecarbonara luta para recuperar o sindicato para a democracia sindical e a combatividade que caracterizou aos trabalhadores do metrô.

O sindicalismo combativo não afrouxa

A repressão não acaba. Os docentes de Córdoba foram agredidos e encarcerados por lutas por salário. Os dirigentes ceramistas de Neuquén, Raúl Godoy e Andrés Blanco, vão ao banco dos réus. As boas notícias são que o trabalhador da saúde acusado foi absolvido em Neuquén e que os operários da ex-Zanon (hoje FasinPat, Fábrica Sem Patrões) conseguiram um crédito do governo nacional de 31 milhões para a gestão operária depois de lutar por muito tempo.

E falando de empresas recuperadas e colocadas para produzir por seus trabalhadores e em luta pela defesa dos postos de trabalho, a gráfica ex-Donnelley (hoje Madygraf) é uma vanguarda indiscutível. Sobre sua experiência, suas conquistas e desafios como a campanha pela expropriação há uma boa cobertura aqui.

A esquerda da independência de classe

A Frente de Esquerda acaba de ratificar na eleição municipal em Mendoza que é um fenômeno persistente, não algo casual. Nicolás del Caño conseguiu o segundo lugar com 15% dos votos e tudo indica que aumentará esta porcentagem nas definitivas de maio. Neste ano marcado por eleições, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (formada por PTS, PO e IS) é uma séria alternativa para os trabalhadores e a juventude que não querem seguir votando nos partidos tradicionais.

Frente aos políticos patronais, sejam do PJ ou da UCR, de Macri ou do FAP de Binner, se levanta a Frente de Esquerda. Nossos deputados são os únicos que estão nas lutas, e a independência de toda variante política patronal é a marca da FIT e uma das causas de seu êxito. Há que aprofundar este caminho.
Marche contra a espionagem e a impunidade

O PTS convoca a organizar-se para participar em sua coluna operária e juvenil, que marchará no 24 de março para lutar por nossos direitos e contra o governo K, a oposição clarinista e a casta judicial. Não podemos ficar de braços cruzados esperando que os dirigentes dos sindicatos movam um dedo, ou que os deputados decidam acabar com a espionagem e a perseguição aos lutadores. Contra a repressão de ontem e de hoje, contra a impunidade. Para conseguir a absolvição dos petroleiros condenados em Las Heras, contra a polícia do gatilho fácil que matou Ismael Sosa no show da banda La Renga.

Para lutar pelos direitos das mulheres, que neste 8 e 9 de março farão marchas unitárias. Pela defesa do salário e dos postos de trabalho. Seguindo o exemplo dos Indomáveis de Lear que enfrentaram a patronal Ianque, os bate-paus do Smata [Sindicato dos Metalúrgicos], o Ministério do Trabalho e os juízes reacionários e seguem lutando por sua reincorporação.

Temos que começar com tudo o ano, contra a polarização em que querem nos por governistas e opositores. Para dar outra saída àcrise, e sigamos construindo uma esquerda combativa dos trabalhadores.

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