Movimento Operário

TELEMARKETING

Organizar os trabalhadores do telemarketing para lutar contra a super-exploração!

16 Feb 2008   |   comentários

É praticamente impossível de se pensar o cotidiano de grande parte da população das grandes cidades sem o atendimento via telefone ou internet de serviços financeiros, vendas, telefonia móvel, internet, assistência técnica, seguros, hospitalares, transporte... Todas são dependentes de milhares de trabalhadores do telemarketing.

A venda das doze empresas estatais de telecomunicação da Telebrás, em 1998, permitiu um brutal ataque às condições dos trabalhadores do setor através da precarização e desregulamentação do trabalho, foi considerado o maior processo de privatização do século. A obra da era FHC garantiu a expansão vertiginosa dos call centers devido o surto de terceirizações que a categoria sofreu. O que é uma prática cada vez mais comum de desorganização e exploração da classe. Bom para os capitalistas, péssimo para os trabalhadores.

A privatização das telecomunicações redimensionou a ação dos sindicatos, modificando sua relação com o governo e o mercado, aproximando as relações desses com as empresas, dividindo os teleoperadores, tornando possível maiores ataques dos patrões aos trabalhadores, que vão desde a condição de trabalho até a dimensão do mercado de trabalho desregulamentado. Todo o serviço por telefonia prestado dentro das empresas, onde seus trabalhadores estavam em certa proporção protegidos pela legislação trabalhista das referentes categorias dos bancários, lojistas, analistas ou mesmo dos trabalhadores estatais telefónicos, foi removido destas para empresas terceirizadas do telemarketing, como Atento, Tivit, Teleperformance, Contax, entre outras.

Empresas monopólicas como a Contax e a Atento (empresa da gigante espanhola Telefónica) contratando um total de 110.151 teleoperadores em distintas capitais do país, e faturaram em cima destes teleoperadores em 2007, juntas, 2 bilhões e meio de reais. O faturamento médio por operador da empresa que mais cresce hoje no Brasil, a Atento, é de 21 mil reais por ano, enquanto o piso salarial da categoria defendida pelo sindicato burguês da Força Sindical é de 450 reais por mês! Um dinheiro fruto de extrema exploração, chantagem, coerção, assédio moral, fraudes trabalhistas e tudo que os patrões e a burocracia podem aproveitar do desemprego e da extrema precarização.
As terceirizadas lucram através de contratos que firmam com as empresas (clientes) para quem o serviço do teleoperador será prestado, estas terceirizadas são contratadas para “gerir” os funcionários que prestam serviço por determinado preço, ganha o contrato a terceirizada que ofereça o mesmo serviço por menor preço, é claro que às custas de todos os trabalhadores precarizados do telemarketing. As grandes empresas monopólicas abocanham os contratos das menores locais por conseguirem baratear o serviço ao imprimir um ritmo de trabalho alucinante aos teleoperadores sem que estes se articulem, através de mecanismos psicológicos e tecnológicos no ambiente de trabalho voltados para o máximo desempenho no mínimo de tempo. As empresas criam uma rotatividade freqüente entre os trabalhadores, admitindo em sua maioria pessoas com grande necessidade e que a empresa julga como fáceis de serem coagidas, como jovens mulheres que já possuam filhos. Dentro do ambiente de trabalho é impossibilitado qualquer espaço de relação social comum, os postos de atendimento são divididos por biombos que forçam o teleoperador a sempre olhar para a frente, sempre com muitos supervisores de plantão e pouquíssimo tempo de descanso.

Os setores que ainda não sofreram terceirização sofrem uma pressão a serem terceirizados diretamente pelo setor monopólico das terceirizadas, gerando um atrito e descontentamento gritante entre os trabalhadores, que chantageados pela ameaça do desemprego são forçados a assinarem contratos instáveis e sob condições muito piores de trabalho fazendo o mesmo trabalho que anteriormente outros companheiros faziam por um salário muito maior.

É essencial que nós teleoperadores e teleoperadoras se organizem por local de trabalho, formado comissões por sessão com delegados democraticamente eleitos para organizar nossas lutas, nos reunindo nos intervalos e fora da empresa, buscando ligar-nos a outros companheiros das diversas unidades (sites) separadas que as empresas possuem propositalmente. É fundamental que busquemos a jovem experiência de greves e paralisações que os teleoperadores possuem, como a greve da Atento ’ Marechal Deodoro de 2005 em São Paulo, onde 100% das demandas foram atendidas, como regulamentação da carreira, maiores pausas e melhores equipamentos de trabalho.

Thiago Mathias foi teleoperador do Bradesco, Contax e Atento.

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