Partido

Organizar a insatisfação popular de forma independente do governo e da direita

10 Mar 2015   |   comentários

A lista da Operação Lava-Jato atinge os principais partidos políticos burgueses, o que do ponto de vista do regime aponta uma tendência a mais acordos e pactos para livrar a cara de todos

A lista da Operação Lava-Jato atinge os principais partidos políticos burgueses, o que do ponto de vista do regime aponta uma tendência a mais acordos e pactos para livrar a cara de todos ou minimizar ao máximo as perdas desses partidos fundamentais para a estabilidade política – aprovar os ajustes econômicos e garantir os negócios capitalistas. É isso o que aponta a linha dos editoriais dos jornais desta semana, como analisamos em outro artigo.

Neste momento, a crise do Lava-Jato é tão temerária, atingindo tantos políticos e instituições, que os “extremistas†tucanos estão sendo "disciplinados" para garantir os pactos (ir ao centro e não às polarizações). Apesar de que o objetivo do PSDB é de “sangrar†o governo e as crises deste com o PMDB – e ainda faltam depoimentos de empresários e políticos que podem gerar conflitos e alimentar novas instabilidades e crises políticas.

Os atos desta semana, que tentam simbolizar de um lado a luta contra a corrupção e de outro a luta em defesa do governo com reforma política, expressam distintas alas que já começam a sofrer pressão dos seus “líderes†para “baixar o tom†de conflito e enfrentamento. Nada disso, de qualquer forma, pode apaziguar a insatisfação popular, que vem se expressando desde o começo do ano com as mentiras do governo Dilma e a corrupção.

Para não permitir que tudo acabe em pizza mais uma vez, os trabalhadores e a juventude devem apontar um caminho independente, não se deixando enganar pelos petistas-cutistas nem pela direita tucana e antipopular.

Em primeiro lugar, precisaríamos lutar realmente pra que a investigação dos casos de corrupção seja feita por Comissões Independentes, organizadas a partir dos sindicatos e organizações operárias e populares, que tenham plenos poderes para investigar e garantir a punição dos responsáveis, pois não podemos confiar que os mesmos partidos políticos em CPI possam condenar a casta política. Sem isso não podemos acreditar que o próprio regime seja capaz de combater com a corrupção que é parte de seu funcionamento.

Ao mesmo tempo, precisamos exigir prisão e confisco dos bens de todos os corruptos. Chega de enriquecer através da política e sobre o suor da maioria da população, que os parlamentares, juízes, promotores e funcionários políticos sejam revogáveis e ganhem o mesmo salário que uma professora.

O mesmo salário de uma categoria que é a que está mostrando grande disposição de luta neste começo do ano, com a importante greve dos professores do Paraná que trouxe novamente a radicalidade e combatividade da classe trabalhadora para as ruas. A educação tem sido das áreas mais afetadas pelos cortes de orçamento e também pelos ajustes do governo federal e dos governos estaduais, com demissões e fechamentos de sala de aula.

Nas universidades estaduais e federais já começam a ser organizadas importantes mobilizações e greves em todo o país. Seria fundamental organizar uma forte campanha que demonstre que, ao contrário do que diz a presidente Dilma, o Brasil não tem nada de “pátria educadora†. Para isso, coordenar as lutas nas escolas e nas universidades, começando por construir uma forte presença na assembleia de professores da rede estadual de São Paulo de forma independente, não permitindo que Bebel (presidente da Apeoesp) e companhia transformem a assembleia de professores em um ato pela governabilidade de Dilma. Em São Paulo a CSP-Conlutas poderia convocar um Encontro Estadual de Educação para coordenar esta luta.

Como viemos propondo é fundamental organizar as lutas a partir da base. Mais do que nunca a luta de classes dará a última palavra. Se as tendências de luta avançam poderemos ver, neste cenário político de equilíbrio precário, uma saída independente dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre. Lutar hoje para construir nacionalmente uma paralisação fortemente organizada nas bases pode ser um passo importante neste caminho, defendendo os nossos direitos na luta contra os ajustes de Dilma e de todos os partidos da burguesia.

Por isso, não estaremos nas manifestações do dia 13 de março que só servem para lavar a cara do governo, sua política de ajustes e a corrupção, mas também não estaremos na manifestação do dia 15 de março, que é parte da política da oposição tucana que critica o governo, mas deseja mais ataques, mais retirada de direitos e mais privatizações. É necessário que construamos uma política dos trabalhadores a partir das mobilizações e das greves, como as que apontaram os professores nacionalmente, começando por organizar encontros estaduais para preparar as lutas e rumar a uma exigência de que as grandes centrais convoquem uma paralisação nacional dos trabalhadores para barrar os ajustes do governo.

Artigos relacionados: Partido









  • Não há comentários para este artigo