Movimento Operário

CRISE

Operários da Volks rejeitam acordo negociado entre o sindicato e a patronal

06 Dec 2014   |   comentários

Os operários da Volkswagen em assembleia recusaram a proposta negociada pelo sindicato com a empresa, que previa o congelamento dos salários em 2015 e abertura de um programa de demissões (PDV), entre outros pontos.

Os operários da Volkswagen em assembleia recusaram a proposta negociada pelo sindicato com a empresa, que previa o congelamento dos salários em 2015 e abertura de um programa de demissões (PDV), entre outros pontos.

São Bernardo, 2 de novembro de 2014. Sob vaias, o sindicato tentava convencer os trabalhadores da montadora Volkswagen de aceitarem a proposta que haviam negociado com a patronal. O clímax chegou no momento em que Wagner Santana, o Wagnão – secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC –, defendeu a proposta em cima do carro de som, dizendo que a negociação visava, entre outras coisas, ser solidário com os que corriam o risco de serem demitidos se nada fosse feito. Mas as vaias aumentaram.

O acordo entre o sindicato e a patronal

Em março de 2012 foi assinado o acordo que previa investimento nas plantas de Taubaté e Anchieta, reposição da inflação, aumento real de 2% e nenhum corte no efetivo por fora do PDV no período de 2012 até 2016.

A recente proposta do sindicato propôs o congelamento dos salários até 2019, mostrando claramente que a patronal sempre descarrega seus problemas nas costas dos trabalhadores com demissões, congelamentos de salários, cortes nos benefícios e flexibilização das lei trabalhistas, tudo isso para garantir seus lucros exorbitantes.

Segunda a empresa, o novo acordo tem como objetivo manter a competitividade de suas operações no ABC, já que as vendas da marca no Brasil recuaram quase 15% entre janeiro e outubro. Para tal, dizem ter que cortar custos trabalhistas e reduzir o “excesso de mão-de-obra†, que chegaria a quase 2 mil funcionários (o que representa 13% dos 13 mil operários).

Entre maio e outubro deste ano a empresa já utilizou o lay-off para afastar da produção cerca de 800 funcionários.

Que os patrões paguem pela crise!

Os trabalhadores da Volkswagen não aceitaram a o acordo, defendendo o direito ao seu trabalho, o único direito sério que um operário tem em uma sociedade baseada na exploração.

Em meio a um mar de incertezas na economia, com a presidente Dilma fazendo reuniões com as centrais sindicais para discutir planos de flexibilização das leis trabalhistas e uma direção totalmente vendida, a patronal ataca os trabalhares. Tenta dividi-los, dizendo que o PDV é para aposentados e para os que têm alguma restrição médica, como se esses trabalhares não dependesse do seu trabalho para sobreviver.

É necessário seguir o exemplo de combate das diversas greves protagonizadas nestes ano e organizar a luta de forma independente dos dirigentes sindicais traidores, a partir da base, com democracia nas decisões e nas eleições de seus representantes para defender o direito ao trabalho.

Unamos todos os sindicatos e oposições sindicais independentes dos governos e dos patrões para impulsionar uma forte campanha nacional para que os patrões arquem com os custos da crise tirando dos exorbitantes lucros que ganharam nos últimos anos e seguem ganhando. Redução das jornadas de trabalho sem redução de salário para que não haja nenhuma demissão! Reajuste automático dos salários de acordo com o aumento do custo de vida!

Os trabalhadores da Volkswagen terão de superar a direção atual de seu sindicato e confiar em suas próprias forças – que são muito maiores do que imaginam. E para tal, já deram seu primeiro passo.

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