Nacional

JUVENTUDE

O movimento nas universidades estaduais paulistas e a nova situação nacional

21 Aug 2013   |   comentários

É preciso rearmar o movimento estudantil, colocá-lo em consonância com a nova situação política nacional, para que responda aos anseios da juventude como um todo em aliança com os trabalhadores por nossas demandas.

A greve da Unesp de mais de 90 dias, que incluiu na pauta questões como bolsas, moradias e restaurantes, num movimento que enfrenta forte repressão da reitoria e do governo, reorganizou o movimento da Unesp e segue dando exemplos de luta.

Na Unicamp, o ataque veio pelo jubilamento de cerca de 750 estudantes, 5% do total dos estudantes de graduação, em função de critérios produtivistas que atacam principalmente os estudantes que precisam trabalhar, fortalecendo o sentido elitista e autoritário da Universidade, e restringem não só o conteúdo como também a forma dos estudos, impedindo que o estudante seja sujeito deles.

Na USP, a mobilização dos estudantes de uma das mais tradicionais “vitrines de Rankings†das universidades brasileiras, a Faculdade de Direito, contra a imposição da grade curricular e falta de vagas, denuncia como nem aí a burocracia universitária garante sequer o mais elementar. A situação se escancarou mais nesta última sexta-feira quando, após a pressão, o vice-diretor, em exercício, renunciou, criando um vácuo político na direção da faculdade e expondo a fragilidade da burocracia universitária.

A juventude nas ruas e o movimento estudantil

Tudo isto, como sabemos, não se desenvolve numa situação de tranquilidade. As reitorias buscam pelo produtivismo impedir que o movimento estudantil entre como sujeito politico organizado, e ao mesmo tempo garantir que a politização das ruas não entre nas universidades. Os estudantes, como parte da juventude que tomou as ruas em junho, seguem com um espírito totalmente distinto e uma enorme politização. Prova disto foi o ato ocorrido neste dia 14, contra as “máfias†e o cartel no metrô e por transporte público, que ainda não marcou uma retomada das jornadas, mas foi um primeiro passo neste sentido que é preciso aprofundar rumo ao dia 30/8, lutando lado a lado dos trabalhadores pela estatização dos transportes sob controle dos usuários e trabalhadores.

Igualmente, é central que lutemos para construir fortemente este dia 30 - ainda mais frente aos esforços que as burocracias sindicais (Força Sindical, CUT, CTB, etc) farão para que seja o mais controlado possível – com comitês do movimento estudantil que, a partir das bases dos cursos, organize atividades culturais, debates e panfletagens nas fábricas, etc, além de paralisações nos locais de estudo.

A relação entre estes dois níveis é a chave: organizar o movimento estudantil (que, como tal, cumpriu pouco papel em Junho) para responder de forma superior aos desafios do conjunto da juventude, se ligando aos trabalhadores; e, por dentro desta nova situação política, aproveitar as condições pra avançar contundentemente na luta pela educação, impondo cada reivindicação das mobilizações em curso (e do potencial de que surjam muitas outras) e também avançar pela transformação da universidade, a serviço dos trabalhadores e do povo pobre.

A insuficiência do velho movimento estudantil

As direções do movimento estudantil estão muito aquém desse desafio; no dia 14, em São Paulo, o PSTU não pôde esconder sua incapacidade de mobilizar pela base nem entrando com uma delegação sua, por fora do movimento e de maneira inofensiva, na câmara municipal (ver artigo sobre a “ocupação†da câmara em SP nessa edição); as críticas do PSOL (MES) buscam isolar o PSTU – e como estão juntos na gestão do DCE da USP, não conseguem sequer terminar uma reunião de gestão, muito menos armar o movimento -, e não ter uma política pra que o dia 14 fosse muito mais forte (inclusive com uma ocupação de verdade) e as próximas ações possam superá-lo. Na gestão do DCE da UNICAMP, outra corrente do PSOL (1ºdeMaio) reproduz a promessa da reitoria no Conselho Universitário de que os jubilados por coeficiente de progressão (cerca de 450) serão reintegrados mediante recurso, levantando confiança na burocracia acadêmica e no regime universitário e comemoram a “vitória†- deixando incerto outras centenas de jubilados; é preciso que o DCE organize uma campanha massiva contra esse regime produtivista e seus ataques. As diferentes alas do governismo, do PT ao Levante Popular da Juventude, chamam atenção pela falta de política, e não é difícil entender: nem quebrando muito a cabeça está fácil defender esse governo tão claramente antipopular na nova situação nacional.

Pra construir uma alternativa a essas políticas, chamamos a construir assembleias pelas bases, e intervir conosco defendendo medidas que possam ligar a luta pela educação àretomada das ruas!

As eleições para reitor na USP e a estrutura de poder da ditadura militar

É nesse marco que se aproximam as eleições para reitor na USP. Não a toa, buscando †dar os anéis para não perder os dedos†, o Reitor Rodas pronunciou-se sobre a possibilidade de “novas formas†de eleição, inclusive diretas, o que mostra o grande espaço para o questionamento profundo da estrutura de poder.

Mesmo assim, toda a política das direções se limita àreivindicação “dos anéis†, quando a situação nacional e estadual pedem que se lute “pelos dedos†. Frente àdemonstração da força da juventude em movimento, propõem ainda menos do que temos no regime político nacional tão questionado em todas as suas instituições. O DCE defende diretas e paridade, mantendo o cargo de Reitor, o C.O. e, em suma, a mesma estrutura de poder, sem reivindicar sequer um voto igual por cabeça (com paridade, o voto de um professor valeria o de muitos trabalhadores, ou dezenas de estudantes); e lembremos que na UNIFESP a eleição de uma reitora “de esquerda†não impediu a repressão e dezenas de processos políticos.

É preciso lutar por uma assembleia estatuinte já, livre e soberana, sem reitor ou burocratas acadêmicos, imposta pela mobilização, e com um voto igual por cabeça! Com esse objetivo participamos das iniciativas pela democratização da estrutura de poder.

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