Segunda 16 de Setembro de 2019

Internacional

O fracasso da reunião da OMC em Cancun

11 Oct 2003   |   comentários

Na última semana assistimos a mais um assalto imperialista aos cofres públicos do país com a cumplicidade do próprio governo nacional, pois a maior companhia elétrica do Brasil, a Eletropaulo, privatizada durante o governo FHC ’ diga-se de passagem a preço de banana e com o dinheiro do próprio Tesouro Nacional ’, revelou uma imensa dívida de mais de US$ 1,3 bilhão contraída desde a compra da distribuidora pela multinacional norte-americana AES.

Porém, o mais escandaloso é que o próprio credor desta transação, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que deveria cobrar os bilhões perdidos nos últimos anos, fechou um sinistro acordo com os caloteiros internacionais no qual irá arcar com mais da metade da dívida e preservar o controle da AES. Uma grande armação! Desde que adquiriu a Eletro-paulo, a AES não pagou um único centavo de sua dívida, porém continuou remetendo para os Estados Unidos todo o lucro faturado nesse tempo que controla a empresa.

Nesse caso poderíamos usar a expressão de Hegel: “A história repete-se duas vezes, uma como tragédia, a outra como farsa†. Para realizar essa maracutaia, o BNDES criou uma nova empresa relâmpago, a Novacom, que será presidida e controlada pela própria AES, que ficará com 50% mais uma das ações, ou seja, sócio majoritário, e o BNDES fica como sócio menor com 49% das ações e ainda arcando com US$ 658 milhões, mais da metade da dívida!

O calote da AES foi responsável por um prejuízo de R$ 2,4 bilhões aos cofres públicos do país, só no primeiro semestre deste ano, jogando por terra o discurso de Lula e seus ministros a respeito da falta de recursos para investir em saúde, educação, moradia e outras áreas mais sentidas pela população. Não contente com esse engodo, o BNDES lança mão imediatamente de mais meio bilhão de dólares, tudo isso obviamente com o dinheiro público!

A nove meses de seu governo, Lula dá mais uma demonstração clara de que não somente representa continuidade na política económica recessiva da era FHC e dos acordos com o imperialismo, mas, além disso continuará com as privati-zações e está disposto a saquear os recursos públicos pagos pela classe trabalhadora e o povo pobre, em prol de acordos fraudulentos e enriquecimento fácil das multinacionais, verdadeiras aves de rapina imperialistas.

Com o cinismo típico dos lacaios do capital internacional o diretor financeiro do BNDES, Roberto Thimóteo da Costa, declarou “esperamos receber tudo em um prazo máximo de 10 ou 12 anos†1. Até lá podemos continuar vivendo na reces-são e miséria, pagando as altíssimas tarifas de energia e ver os recursos que deveriam ser investidos nas áreas sociais serem sugados pelas multinacionais.

Esse novo escândalo envolvendo empresas privatizadas, a exemplo da Ligth (Companhia de Rio de Janeiro), privati-zada com os mesmos recursos do governo àEDF, multinacional franco-canadense que não paga nada de sua dívida alegando dificuldades financeiras; e da Cemar (Companhia Energética do Ma-ranhão) que está sob intervenção federal desde agosto de 2002, apenas confirma o que afirmamos ser um assalto às riquezas de nosso país, pelos países imperialistas, por meio de suas empresas multinacionais. Nisto consiste o mar de lama das privatizações iniciadas no governo Collor, intensificadas com Fernando Henrique, e levadas adiante por Lula.

O governo Lula-Alencar que nos primeiros meses reafirmou seus laços estreitos com o imperialismo, indo até Bush e fechando o acordo para a instalação da Alca em 2005, apenas prepara novos ataques àclasse trabalhadora e ao povo pobre, não somente com suas reformas da previdência e a trabalhista que virá em breve, mas também pela via suja das pri-vatizações e o ataque direto aos cofres públicos do país.

Todo o discurso da equipe económica petista de que é necessário manter os juros altos, o superávit primário e enxugar o orçamento para manter a estabilidade económica e de que não resta muitos recursos para os gastos públicos com saúde, educação, moradia, reforma agrária e crédito barato, apenas esconde os enormes gastos com a manutenção dos lucros dos bancos e das grandes empresas multinacionais, esses sim verdadeiros privilegiados!

Devemos dizer basta! Toda dívida adquirida pelas multinacionais deve ser paga com sua expropriação imediata sem nenhuma indenização e o confisco imediato de todos os seus ativos financeiros no país. Deve-se abrir as contas de todas as empresas para que venha a público seus lucros exorbitantes, e se desmascare a sujeira das privatizações. Defendemos a expropriação imediata sem pagamento das empresas multinacionais aqui instaladas e sua nacionalização sob controle dos próprios trabalhadores. Expropriar os expro-priadores que exploram nossa mão-de-obra, nos assaltam com as altas tarifas e sugam toda a riqueza do país!

É necessário romper imediatamente os acordos com os imperialistas e o não pagamento da dívida externa. Os recursos nacionais devem ser revertidos diretamente em investimentos nas áreas mais precarizadas, como hospitais, escolas, cultura e um grande plano de obras públicas que represente a geração massiva de novos postos de trabalho e uma ampla reforma urbana nas grandes cidades do país, contra a fome e o desemprego, em favor da ampla maioria da população, da classe trabalhadora e do povo pobre.

A Liga de Trabajadores por el Socialismo – Contra Corriente (LTS-CC), é a organização irmã da LER-QI no México, e também faz parte da Fração Trotskista - Quarta Internacional

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