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O estelionato eleitoral de Dilma e do PT

06 Mar 2015   |   comentários

A Caixa, enquanto empresa pública, há muito vem sendo transformada em balcão de negócios tão somente, enquanto cada vez mais precariza diversos serviços oferecidos à população, para entrar na corrida insana movida a sangue e suor não só dos bancários, efetivos e terceirizados, mas da classe trabalhadora como um todo, através dos juros e tarifas cobrados em seus serviços (...)

Nem bem Dilma foi reeleita após, diga-se de passagem, uma campanha acirrada onde ela e o PT se colocaram como os defensores dos direitos sociais e dos trabalhadores "contra" as privatizações e a simbiose com os banqueiros de Aécio e PSDB, e os seus anúncios já escancaram a serviço de quais interesses está o seu governo. Por sinal em seu discurso de posse anunciou “que se pode fazer ajustes na economia sem revogar direitos conquistados ou trair compromissos sociais assumidos†, ao mesmo tempo vemos tentativas de mudanças imediatas em benefícios sociais como o seguro desemprego e PIS que prejudicarão os trabalhadores.

Vale ressaltar que a direção do sindicato de bancários que é atrelada a CUT/PT promoveu um verdadeiro estelionato eleitoral. Apoiou a campanha de Dilma contra os interesses privatistas do PSDB de Aécio, fez com que grande parte dos bancários da CAIXA temessem por seu emprego no governo tucano e votassem em Dilma, e o governo do PT vai contra tudo o que foi prometido em campanha!

A mesma boca que, antes da reeleição, se enchia para condenar a privatização e a amizade com os banqueiros, logo depois nomeou um deles, Joaquim Levy, diretor do 2º maior banco privado brasileiro, o Bradesco, para Ministro da Fazenda e, não contente, anunciou num café da manhã com a imprensa suas intenções privatistas com a Caixa Econômica Federal.

A Caixa, enquanto empresa pública, há muito vem sendo transformada em balcão de negócios tão somente, enquanto cada vez mais precariza diversos serviços oferecidos àpopulação, para entrar na corrida insana movida a sangue e suor não só dos bancários, efetivos e terceirizados, mas da classe trabalhadora como um todo, através dos juros e tarifas cobrados em seus serviços bancários. Para exemplificar: A Caixa, que supostamente é um banco social, é o banco que através do programa Minha Casa, Minha Vida enriquece as grandes construtoras, e na grande maioria das vezes os trabalhadores nem conseguem este financiamento pois não possuem renda suficiente; que faz com que clientes de baixa renda sejam barrados nas portas das agências para ser atendidos nas lotéricas e correspondentes bancários, onde os trabalhadores ganham um terço do salário de um trabalhador efetivo para executar os mesmos serviços bancários; que mesmo lucrando bilhões por ano, abre novas agências com 5 funcionários, sobrecarregando os trabalhadores e por consequência atendendo mal a população.

Quando Dilma e Levy querem a CAIXA S/A, querem que esse processo vá até o fim. Serão os acionistas e os interesses privados dos grandes empresários que ditarão oficialmente os rumos do banco, mais do que já ditam. Precarização do trabalho nas agências, sobrecarga de trabalho, pressão por metas, demissões, eliminação de postos de trabalho, terceirização, ataques àorganização dos bancários, terão dimensões cada vez maiores na realidade cotidiana dos trabalhadores da Caixa.

E agora a mais recente nomeada presidente da CAIXA Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento, chega com a missão de cumprir o plano de privatização. Assim que assumiu o posto, promovendo o que já se chama de “saneamento†da empresa, foi anunciado um PAA (Plano de Apoio àAposentadoria) que tem por objetivo incentivar a saída de mais trabalhadores quando a realidade das agências mostra que o que tem que aumentar é o número de contratações não de demissões!

O pacote de medidas apresentado até aqui dá mostras do que ainda vamos enfrentar e a importância de organização dos bancários, que terão ainda que ultrapassar as barreiras impostas pela direção sindical burocrática, que promove uma campanha que passa longe de mobilizar os trabalhadores, que organiza atos sem avisar os bancários, que até agora não chamou nem uma assembleia para discutir os rumos da campanha.

É fundamental a organização em cada local de trabalho para retomar o sindicato, que ele represente verdadeiramente os interesses dos bancários, seja independente do governo federal e dos banqueiros, apoie e lute junto com outras categorias mostrando que são nossos irmãos de classe.

Não deixar passar esses ataques, que já são realidade para diversos trabalhadores, faz parte da luta contra a abertura de capital da CAIXA. Mas também temos de avançar para reverter os processos velados de privatização já existentes como os correspondentes bancários, lotéricas e a CAIXA Seguros que já são formas "indiretas" utilizadas para precarizar ainda mais a vida dos milhares de bancários, terceirizados ou não, em todo o país.

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