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O dia 15/3 visto pelos metroviários: até liberaram catraca!

17 Mar 2015   |   comentários

Alckmin e a direção do Metrô atuaram a favor do ato do dia 15, o oposto do tratamento dado as manifestações de esquerda.

Segundo diversos relatos de metroviários que estavam em serviço no último domingo, operação especial do Metrô foi montada para garantir que os manifestantes chegassem até a avenida Paulista. Atitude do governo e do alto escalão da empresa contrasta completamente com a postura adotada diante de outras manifestações organizadas por setores da esquerda.

Uma das medidas adotadas foi aumentar consideravelmente o número de trens que entraram em circulação, o que reduz o tempo de parada e aumenta a velocidade de deslocamento pelas linhas do Metrô. No entanto, o que mais chamou a atenção foi a presença de diversos funcionários do setor administrativo que surpreendentemente apareceram para ajudar nas estações, operativo de exceção que o metrô só faz quando há greve.

Essa medida é expressão da preocupação especial do governo para que tudo funcionasse bem na manifestação do dia 15, pelo seu caráter que é capitalizado pela oposição de direita no Brasil (que tem o PSDB de Alckmin como um dos expoentes) e não de uma mera movimentação administrativa pela quantidade de pessoas, pois isso não ocorreu sequer nas manifestações de junho de 2013.

Além disso, em algumas estações houve liberação das catracas de entrada! A liberação de catraca é correta em situações de grande fluxo, para a segurança dos usuários e funcionários, mas isso nunca é permitido em outros momentos em que isso ocorre no metrô, seja no dia a dia devido ao problema crônico das falhas e super-lotação, nem nas manifestações de esquerda, nem em junho de 2013. Fica evidente que era um gesto do governo tucano a sua base social, como a própria Datafolha diz “No universo dos 210 mil manifestantes que lotaram a av. Paulista no domingo na contagem do Datafolha, 82% declararam ter votado no tucano Aécio Neves no segundo turno da eleição presidencial de 2014, 37% manifestaram simpatia pelo PSDB†.

A diferença com o tratamento dado aos atos organizados por setores de esquerda e contra o governo estadual são gritantes. Em muitos desses, portões próximos aos locais de concentração são fechados e, muitas vezes, policiais militares ficam dentro das estações enquadrando e revistando os manifestantes que desembarcam.

Outro aspecto interessante relatado pelos metroviários diz respeito a composição do ato deste domingo. A participação de setores majoritariamente de classe média alta ficou nítida não só pela cor da pele e vestimenta, mas também pela postura das pessoas ao utilizar o transporte público. Uma grande parte nunca tinha andado de Metrô: não tinham bilhete único, não sabiam onde comprar o bilhete, onde coloca-lo nas catracas e muito menos como fazer para chegar nas estações da avenida Paulista, além de inúmeros relatos de falta de respeito com os funcionários do metrô. Também foram relatados por metroviários a hostilidade de grupos abertamente fascistas contra metroviários negros.

Se formos somar esses fatos no Metrô, a postura da PM, tanto para também viabilizar os atos, quanto ao inflar absurdamente o número de manifestantes presentes e até mesmo a alteração do horário do jogo entre Palmeiras e XV de Piracicaba pelo Campeonato Paulista, fica evidente que Alckmin e o PSDB mobilizaram o governo para garantir o maior número de pessoas nas ruas com o objetivo de desgastar Dilma e o PT.

No entanto, a grande maioria dos trabalhadores do metrô e da classe trabalhadora da grande São Paulo não compareceu ao ato do dia 15. Isso porque, apesar de também estar descontente e insatisfeita com o governo Dilma, não se sente representada pelos tucanos e seus aliados da oposição de direita responsáveis aqui em São Paulo pela precarização das condições de vida e de trabalho, inclusive no Metrô.

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