Juventude

O corte orçamentário chega a USP, UNESP e Unicamp

06 Mar 2015 | Desde o começo do ano estamos vendo as Universidades Federais terem seus repasses cortados, e nessa semana Alckmin também lança seus cortes para as estaduais paulistas, alegando neste caso, não ser um corte, mas sim uma diminuição dos repasses fruto da queda na arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Dessa forma Alckmin tenta esconder a própria culpa colocando-a na crise, como se a própria crise tivesse sido criada abstratamente.   |   comentários

Desde o começo do ano estamos vendo as Universidades Federais terem seus repasses cortados, e nessa semana Alckmin também lança seus cortes para as estaduais paulistas, alegando neste caso, não ser um corte, mas sim uma diminuição dos repasses fruto da queda na arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Dessa forma Alckmin tenta esconder a própria culpa colocando-a na crise, como se a própria crise tivesse sido criada (...)

O corte deve ser de 203 milhões para as três Universidades e só a USP deve ter retirado de seu orçamento cerca de 121 milhões em relação aos anos anteriores.
O fato é que desde o ano passado as estaduais paulistas já estão com uma política de redução dos custos, que esse ano deve se aprofundar.

No entanto, estes cortes atingem principalmente os trabalhadores efetivos e terceirizados e as políticas de permanência (Bolsas, creches, moradia ,etc) e é neste sentido que o reitor da USP anunciou suas medidas como o plano de demissão voluntária, sem contar o corte das creches, fechamento de restaurantes universitários e a ameaça do corte das bolsas.

Os trabalhadores da USP, que desde o ano passado vem dando um exemplo de luta e como derrotar a política de sucateamento da reitoria, já tiraram seuplano de lutas, que além de se incorporarem a mobilização do dia 06 de março, já marcaram a primeira paralisação para o dia 7 de abril.

Na Unicamp os trabalhadores também se reuniram nessa quarta-feira para pautar entre outras coisas, os cortes do Alckmin e a continuidade da luta por isonomia salarial das três Universidades e dessa assembleia já foi tirado como indicativo para abril de construção de paralisações e possível greve.

E na UNESP os estudantes estão fazendo uma ampla campanha pela reincorporação de 17 estudantes expulsos pela reitoria por lutarem por permanência.

O cinismo das reitorias

Enquanto o governador Alckmin se esconde atrás da crise, os reitores fazem o mesmo se esquivando da crise orçamentária, e, então, nos perguntamos: de onde vem essa crise?

Ano passado os reitores das estaduais paulistas foram derrotados pela forte greve dos trabalhadores que derrubou a tentativa de congelamento salarial.
Contudo, o cinismo dos reitores continua, e é escandaloso, Zago, reitor da USP alega que “saíram na frente†com o plano de demissões voluntárias e o corte de 25% dos gastos, já denunciados em diversos artigos no Palavra Operárias, como os cortes que estão caindo sobre os setores mais oprimidos, com a demissão de terceirizados, corte de bolsas, falta de moradias para estudantes de baixa renda e afetando as mães com o fechamento das creches.

Contudo, nada comentam sobre a série de escândalos em relação aos seus super salários, nos quais os reitores das três Universidade estão envolvidos. Ano passado as contas da USP foram recusadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE)por conta de 167 professores receberem super salários, entre eles o atual reitor Zago, os quais chegam até 60 mil reais mensais, um escândalo para uma Universidade que paga em média um salário mínimo de 700 reais para uma terceirizada, bolsa trabalho de 700 na Unicamp e na USP 400 reais, para alunos de baixa renda e um salário médio de dois mil e quinhentos para os trabalhadores técnicos administrativos. Sendo que são os trabalhadores efetivos e terceirizados e os estudantes os que realmente constroem a Universidade.

Só na Unicamp os quatro últimos concorrentes a reitores estavam envolvidos em super salários. Tadeu, o atual reitor, recebeu em 2013 cerca de 338,4 mil reais; José Cláudio Geromel, professor titular da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação recebeu em 2011 R$ 303,4 mil; Mario José Abdalla Saad da Faculdade de Ciências Médicas, recebeu R$ 265,5 mil e Edgar Salvadori De Decca professor titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, recebeu em 2011 R$ 460,6 mil.Ou seja, fazendo as contas só com o salário desses altos cargos, já daria para reverter o corte do repasse e sobraria.

Esses dados respondem a pergunta: a crise não foi criada nem pelos trabalhadores, nem pelos estudantes e nem pelos professores que não fazem parte da burocracia academia. A crise da Universidade são as reitorias, e então, vem a segunda pergunta, porque deveriam ser estes que nada tem a ver com a crise aqueles que pagariam por ela?

Façamos como os professores do Paraná, não pagaremos pela crise

Cortou, parou! O novo lema que estamos vendo no movimento de trabalhadores no Brasil é uma inspiração para lutar por educação frente aos cortes do governo Dilma e Alckmin.

Com os cortes nas estaduais paulistas elas entram em consonância com as mobilizações que já vem ocorrendo nas Universidade Federais, e abre-se a possibilidade de um forte movimento nacional por educação.

Se em Junho as pautas sociais foram levantadas com muita força, mas ainda com a debilidade de estarem dispersas na multidão, de não se ligarem aos locais de trabalho e estudos concretos, agora vemos essa pauta se aprofundar, mas numa nova qualidade, pois são organizadas desde categorias concretas, como os professores e os estudantes que podem a partir da sua posição social falar para a população desde aqueles que realmente a constroem e são eles, e não o governo, que vão garantir a melhora da educação. Nesse sentido, Junho entra e senta na sala de aula.

Os cortes atingem amplos setores da educação, desde as Universidade Privadas com os cortes no FIES, aos professores da rede pública e as Universidade Estaduais e Federais, os quais, cada um com sua particularidade, se unificam em pontos comuns, como o ataque aos trabalhadores, corte de bolsas aos estudantes e demissão dos terceirizados.

Por isto, é preciso que o movimento estudantil se coloque nacionalmente, numa ampla campanha contra os cortes, por permanência estudantil para todos, (bolsa estudo e moradia), em defesa dos professores da rede pública e pela incorporação de todos os terceirizados ao quadro de funcionários sem necessidade de concurso. Unificando os setores da educação numa só luta.

A expansão do ensino que o petismo defende mostra agora sua completa debilidade, e sua estrutura voltada a garantir os lucros dos grandes bancos por um lado e por outro os privilégios de uma burocracia acadêmica que está intimamente ligada ao governo e usa do dinheiro público para si e para voltar a Universidade aos interesses empresariais.

Este projeto petista está em crise. Para derrotá-lo, a unificação precisa ser não só um dia de luta, mas sim levantar as demandas que Unifiquem os setores e ao mesmo tempo consiga dialogar com a população e mostrar que é também uma luta dela.

Assim, precisamos levantar um movimento pela defesa de que todo estudante de escola pública esteja na universidade pública a partir da estatização das grandes redes de ensino privado, já que já são bancadas pelo dinheiro público, e o fim do vestibular nas Universidade públicas - pois com a estatização instituições privadas aumentará em milhares o numero de vagas públicas -, junto ao investimento de 10% do PIB para uma educação gerida pelos trabalhadores da educação e estudantes, para que esse financiamento não caia no bolso de alguns privilegiados.

Esta é a única forma de resolvermos estruturalmente o problema da educação, e dar a toda a população o direito ao estudo e a cultura.

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