Nacional

O PT nos sindicatos e fundos de pensão

10 Aug 2014   |   comentários

Não apenas no governo, mas por via do controle de sindicatos e fundos de pensão, o PT tem sido uma peça fundamental para manter a democracia dos ricos.

Existem algumas diferenças entre a política do lulismo e do petismo e a política do PSDB. No entanto, polarizado mesmo só o discurso. Os governos petistas Lula e Dilma falam em nome do social, enquanto FHC, Alckmin e Aecio, falava e falam em nome da eficiência administrativa. Basta observar com cuidado para ver que nem o PSDB é realmente mais eficiente que o PT na gestão do estado capitalista, nem o PT deixa de aplicar uma política que beneficia em primeiro lugar os grandes monopólios. São duas formas diferentes para manter o mesmo regime de exploração contra a maioria a favor de uma minoria. Uma das diferenças é o peso que o PT tem no movimento operário e a referência política que significa a CUT e seus principais sindicatos. O apoio e a influencia que tem, mesmo golpeado por junho e pela onda de greve deste ano, dos principais movimentos sociais do país. Mas esse peso não é utilizado a favor dos trabalhadores.

O grupo majoritário do PT, a Articulação e a figura de Lula ajudaram nas privatizações mesmo antes de chegar àpresidência. Nos metalúrgicos de São Bernardo, o sindicato, já no inicio da década de noventa, aplicou junto com as patronais as câmaras setoriais que aceleraram a aplicação das medidas neoliberais de reestruturação em todo o ABC. Em bancários de São Paulo até hoje é lembrada pelos exfuncionários do Banespa a atuação do Sindicato dirigido por grandes figuras do PT, que abandonou a luta contra a privatização enquanto ainda existia uma grande disposição de luta dos bancários. Na greve dos petroleiros em 1995, que foi decisiva para o grande arrocho salarial sofrido pelos trabalhadores no governo FHC o papel do PT e de Lula foram lamentáveis. Enquanto FHC mandava o exercito para desocupar refinarias em greve Lula foi a televisão para convocar o fim da greve. Lula e a cúpula do PT atuaram de forma consciente no movimento de trabalhadores através dos grandes sindicatos que controlam, para não deixar a situação “sair do controle†, ou seja, que o governo FHC fosse derrotado pela força da luta dos trabalhadores.

O PT atuava também nos fundos de pensão, que foram alguns dos principais financiadores das privatizações. Neles, o PSDB tinha o controle pela representação da direção das empresas estatais, mas o PT também participava como representante dos trabalhadores. Enquanto esses trabalhadores estavam em pé de guerra com o tucanato e as privatizações, o PT nos fundos de pensão votava a favor. Depois de 2002 o PT passou a controlar ambas as representações dos fundos de pensão. Sua orientação não mudou em nada. Os fundos de pensão continuam sendo os grandes financiadores dos monopólios brasileiros.

Um deles é, por exemplo, a JBS. Apoiada pelo BNDES e pelos fundos de pensão, é um dos maiores monopólios da industria da carne mundial. Nas eleições a JBS é grande doadora das três principais campanhas, Dilma, Aecio e Eduardo Campos. Ao mesmo tempo aparecem na justiça as denúncias de que foi encontrada larma de mosca na carne dos operários dos frigoríficos da JBS no mato grosso. No mesmo estado em que algumas semanas atrás, trabalhadores dos frigoríficos da mesma JBS estavam em greve. Pediam melhores salários e condições de trabalho. O PSDB, como sabemos, está abertamente do lado da JBS e dos empresários. O PT fala outra coisa, mas na prática aplica aplica uma política favorável aos empresários. As “campeãs nacionais†, as empresas brasileiras que se tonaram monopólicas nos seus ramos, a maioria delas estatais privatizadas, tão promovidas pelo governo Lula, beneficiadas com bilhões dos fundos de pensão e do BNDES (dinheiro dos trabalhadores e dinheiro publico), são também as campeãs em acidentes de trabalho, precarização e superexploração.

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