Nacional

DEBATES SOBRE O MOVIMENTO "NÃO VAI TER COPA"

O PCO com o PT e a FIFA

13 Feb 2014   |   comentários

Já se tornou um lugar comum os petistas dizerem que a esquerda faz o jogo da direita sempre que uma critica ou questionamento pela esquerda ganha visibilidade. (...) Entretanto, o que é de certa forma estranho é que uma organização que se reivindica trotskista faça parte desse jogo, não uma só vez como “engano†, mas várias vezes, configurando-se como uma localização política de apêndice “de esquerda†do discurso petista nos (...)

Já se tornou um lugar comum os petistas dizerem que a esquerda faz o jogo da direita sempre que uma critica ou questionamento pela esquerda ganha visibilidade. Essa é uma prática historicamente comum por parte de direções reformistas, para colocar os setores que lhe questionam pela esquerda na defensiva. Entretanto, o que é de certa forma estranho é que uma organização que se reivindica trotskista faça parte desse jogo, não uma só vez como “engano†, mas várias vezes, configurando-se como uma localização política de apêndice “de esquerda†do discurso petista nos fatos.

Quando nas jornadas de junho o petismo concentrou todos os seus esforços em desqualificar as manifestações de massa que se voltavam também contra seus governos como “coisa da direita†, o PCO transformou em “elixir†a campanha por uma “frente única-antifascista†. Meses depois esse partido apoiou a inacreditável tese de que os mensaleiros do PT seriam “presos políticos†. Agora, novamente fazem coro com o PT atacando os movimentos contra a Copa do Mundo como “jogo da direita†.
Para o PCO, parece que a “direita†não está no governo petista, ou seja, que Sarney, Maluf, Collor, Renan e Feliciano (para citar apenas alguns) não são aliados privilegiados de Lula e Dilma. De repente, Dirceu e Genoíno, algumas das figuras que tiveram mais poder no governo capitalista de Lula e no PT, depois de presos, transformara-se em “vítimas†de um Estado que segue sendo governado pelo mesmo partido (e pela mesma fração política) que dirigia o Estado quando eram “estrelas†do poder. Agora, o que importa é só o amor pelo futebol que têm os brasileiros. Não importa que a FIFA e a Copa do Mundo sejam instituições completamente reacionárias, que utilizam esse esporte para a obtenção de lucros para os grandes monopólios capitalistas, nem tampouco que cumprem a função de “ópio do povo†, assim como a religião, para alienar as massas e desviá-las dos profundos questionamentos sociais que vieram àtona com as jornadas de junho.
Para o PCO, o governo e o petismo criaram um movimento #vaitercopa e nas últimas semanas têm feito inúmeras reuniões ministeriais de emergência para tratar do movimento #nãovaitercopa por causa de uma insignificante porção de esquerdistas pequeno-burgueses completamente descolados das massas. Ou seja, para este partido as jornadas de junho não abriram uma nova etapa de profundo descontentamento social que faz entrar em choque as misérias e a precariedade dos serviços públicos sofrida pela maioria da população e os bilhões gastos no megaevento feito para um minoria de privilegiados. Opinam que o governo e todos os analistas políticos deliram ao considerar a possibilidade de que um movimento contra a Copa, por mais que de vanguarda, combinado com a rotineira brutalidade da violência policial, possa se ligar com o descontentamento social dar lugar a grandes manifestações de massa.

Mas o mais estranho é que para o PCO, se a Copa fosse barrada ou passasse por uma forte crise em função de manifestações de massa, isso faria parte de uma manobra para beneficiar a oposição de direita nas eleições. É simplesmente impossível compreender tal lógica senão como uma distorção da realidade para justificar sua política adaptada ao senso comum e ao petismo. Uma crise ou interrupção da Copa por ações de massa golpearia todas as frações da burguesia e seus negócios capitalistas, gerando crises de transcendência internacional justamente num momento em que a economia brasileira se degrada cada vez mais; ao mesmo tempo em que fortaleceria a confiança das massas em suas próprias forças num nível superior ao das jornadas de junho (quando a derrubada do aumento de 20 centavos também era considerada “impossível†). É um delírio sim achar que Alckmin, Aécio, FHC ou Eduardo Campos, junto àrespectivas frações burguesas que os representam, almejaria um “cenário eleitoral†como esse.

Isso não quer dizer que não seja equivocada a forma como as direções anarquistas e autonomistas levantam a consigna “não vai ter Copa†, sem se preocupar em como dialogar com a paixão pelo futebol e a alienação em relação ao real significado imperialista da Copa e da FIFA. Justamente por isso nós da Liga Estratégia Revolucionária nos colocamos como uma ala desse movimento que batalha para que o mesmo assuma uma perspectiva correta, ou seja, de ligar o descontentamento em relação às injustiças ligadas àCopa do Mundo com consignas que deem uma saúda de fundo para as demandas mais profundas que emergiram com as jornadas de junho.

“Da Copa eu abro mão, estatiza o estádio, o metrô e o buzão!â€
“Da Copa eu abro mão, estatiza a UNIP, a Uninove e o buzão!â€
Estatização dos transportes com gestão dos trabalhadores e controle dos usuários!

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