Internacional

II CONGRESSO DO NPA (FRANÇA)

O NPA : « partido de lutas » ou partido revolucionário da classe operária?

04 Feb 2013 | O refluxo do ciclo de lutas operárias e populares dos “anos 1968†abriu um período de derrotas em nosso campo. A burguesia pode afirmar sua visão de mundo com uma arrogância e uma influencia sem precedentes. Em meio as ideologias nascidas nesse período se encontra aquela que diz respeito o fim da classe operária e portanto, de toda a possibilidade de superação histórica do capitalismo.   |   comentários

Em quatro anos de debates, desde a fundação do NPA, é evidente que nosso partido não tem podido resistir a esta pressão ideológica. Ao contrário, tem se adaptado a ela dissolvendo sua concepção de sujeito revolucionário por meio de fórmulas vagas, que traduzem nossa falta de visão estratégica sobre a dinâmica da luta de classes e os meios de defender a revolução socialista. O NPA seria o “partido das lutas†ou do “ movimento social†.

Esta concepção se encontra tanto na plataforma X quanto na W e na Y. Apesar da prioridade que esta última quer dar a luta de classes de fato, ela descreve o “mundo do trabalho†como um “setor de intervenção†comparável àjuventude e aos bairros populares. Isso é não compreender a vocação do proletariado, única classe que pode articular o conjunto das lutas para responder a ofensiva da burguesia, a única capaz de se colocar àcabeça de uma coalizão revolucionária que levanta os interesses da juventude (operária, dos bairros ou estudantil), dos pequenos camponeses ou da pequena burguesia arruinada pela crise. O papel que exerceram os trabalhadores das refinarias na luta das aposentadorias em 2010 é a mais recente demonstração marcante.

O NPA deve romper com seu ceticismo avesso àúnica classe progressista hoje, a fim de não mais passar ao largo dos fenômenos de radicalização que tocam a classe operária. As greves de 2008-2009 contra os fechamentos e as demissões até o movimento das aposentadorias em 2010, nós de fato desperdiçamos todas as ocasiões de nos ligarmos com os setores mais avançados do mundo do trabalho. Quando a eleição de Hollande relançou os cortes nos empregos, nós pensamos em uma “campanha pelos empregos†...que nunca foi seguida de fato. O NPA deveria, no entanto ser visto como uma ferramenta pelas dezenas de milhares de militantes do movimento operário hoje, órfãos de organização, que continuam a resistir pé a pé aos ataques, apesar da submissão do governo àpatronal e ao colaboracionismo dos aparelhos sindicais.

Ser revolucionário sob o capitalismo é defender os interesses históricos da classe operária. Isso implica resolver nossa definição de sujeito revolucionário, ou seja, rever nossas prioridades de estruturação mas também de formação e de intervenção. Isto não significa que nós iremos desertar dos outros terrenos: simplesmente, nós ligamos nossas intervenções ànossa compreensão estratégica da centralidade do proletariado para a revolução. Nem que nós nos transformemos em organizações parassindicais: pelo contrário, e principalmente contra as burocracias sindicais, estamos aqui para defender a vocação das trabalhadoras e dos trabalhadores de conscientemente se encarregarem do conjunto das questões da sociedade.

Guillaume (Jeunes/75), PZ e Courant Communiste Révolutionnaire

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