Sexta 22 de Março de 2019

Juventude

CHEGA!!! UNIVERSIDADE NÃO É LUGAR DE REPRESSÃO!!!

Nota da APROPUC-SP sobre a invasão da Polícia Militar e a repressão na USP

08 Nov 2011   |   comentários

APROPUC-SP 08.11.11
CHEGA!!! UNIVERSIDADE NÃO É LUGAR DE REPRESSÃO!!!

Na manhã de hoje, 08 de novembro de 2011, quase um ano depois do espetáculo midiático que foi a chamada invasão do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro por tropas das polícias civil, militar e da marinha brasileira, pudemos testemunhar um triste espetáculo veiculado ao vivo nas emissoras de rádio e televisão envolvendo uma invasão de agente do Estado. Diferente do episódio de 2010, onde uma comunidade inteira foi sitiada e oprimida com a desculpa de combater os pequenos traficantes do Rio de Janeiro (enquanto os grandes continuam morando calmamente na zona sul carioca e os bairros onde as milícias atuam não tem a menor sombra de qualquer tipo de perseguição por parte da força pública), com graves denuncias de abuso de poder e desrespeito aos direitos humanos, o que aconteceu hoje em São Paulo foi numa universidade com a desculpa mera e simples de combater um movimento organizado que de fundo simplesmente reivindicava a liberdade. Mas o espetáculo midiático de criminalização continua o mesmo, agora também contra a juventude e a liberdade de expressão e revindicação de direitos. Uma verdadeira bomba relógio foi armada na USP pela elite tucana a alguns anos, podendo ser representada pelo emblemático lançamento da candidatura do atual reitor da universidade, João Grandino Rodas, ao posto máximo da instituição em 2007, quando diferente da sua sucessora Sueli Vilela, ele chamou sem pedido formal a justiça que a tropa de choque entrasse na faculdade que ele então dirigia, a Direito, e expulsasse de madrugada uma manifestação pacífica do MST que estava inserida numa jornada de lutas por educação e reforma agrária e tinha hora marcada para terminar na manhã seguinte. Nos bastidores da USP, aquele fato foi tratado como o lançamento da candidatura de Rodas, que criticava a postura de Sueli Vilela de continuar a negociar e de ceder em algumas das reivindicações dos estudantes envolvidos na ocupação da reitoria de 2007 para a reitoria da USP com o apoio direto do PSDB e do Palácio dos Bandeirantes. Mas Rodas não foi eleito pela comunidade na própria eleição indireta. Ficou em terceiro lugar, o que levou o governador Geraldo Alckmin a quebrar a tradição de obedecer a eleição indireta e na lista tríplice indicou seu candidato, mesmo não tendo apoio sequer da maior parte da burocracia da USP, a ponte de ser recentemente eleito pernona non grata na sua própria faculdade. Não era para esperar desfecho diferente com o histórico desse reitor que atua como um verdadeiro interventor do Palácio dos Bandeirantes na universidade. Em 2009 e na semana passada a polícia militar usou bombas de gás e violência física contra manifestações de estudantes e servidores no interior do campus do Butantã, e a repressão continuou com questionáveis processos administrativos e disciplinares e coma demissão de funcionários aposentados. E hoje a bomba relógio armada por Rodas e pelo Governo de São Paulo explodiu de vez. A Associação dos Professores da PUC-SP – APROPUC-SP – vem com tristeza repudiar a ação truculenta da Policia Militar do Estado de São Paulo contra os estudantes que estavam ocupando a Reitoria da USP. As cenas que vimos hoje com tropas de choque e blindados prendendo estudantes lembram em muito as fotos em preto e branco de quando as tropas do Comando Militar do Sudeste invadiram o CRUSP em 1968. A diferença é que oficialmente hoje o Brasil é uma suposta democracia, mas que na prática representa uma ditadura de quem possui o poder e o capital para governar. 73 estudantes neste momento são presos políticos do Governo do Estado de São Paulo. A desculpa demagógica de segurança não pode servir para instalar uma ditadura não apenas no campus da USP, mas em toda a cidade. A Polícia Militar de São Paulo é um das mais violentas do mundo. Em 5 anos matou mais pessoas do que todas as polícias dos Estados Unidos juntas, mesmo com uma população oito vezes menor, incluindo ai os famigerados e não investigados autos de resistência. A discussão não é sobre se deve ter policiamento dentro das universidades ou não, mas sim o que é essa política de segurança pública implantada em São Paulo que serve para criminalizar a população pobre e os movimentos sociais organizados em prol da especulação imobiliária, da desigualdade social e do combate a livre organização e expressão. A APROPUC se solidariza a comunidade da USP e exige a libertação dos presos políticos de Rodas e Alckmin, a retirada de todo e qualquer processo administrativo e a abertura efetiva de dialogo com as entidades representativas da comunidade ADUSP, Sintusp e DCE-Livre sobre as demandas internas da universidade.

APROPUC-SP

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