Juventude

Eleições estudantis

Nossa luta por entidades democráticas, combativas e aliadas aos trabalhadores

12 Nov 2014   |   comentários

Passamos pelo primeiro ano "depois de junho", no qual a luta dos trabalhadores teve destaque especial, um fator fundamental para pensarmos o que será 2015 e quais serão os desafios colocados para a organização dos estudantes.

Passamos pelo primeiro ano "depois de junho", no qual a luta dos trabalhadores teve destaque especial, um fator fundamental para pensarmos o que será 2015 e quais serão os desafios colocados para a organização dos estudantes.

Particularmente nas universidades estaduais paulistas, as reitorias já anunciaram sua linha: a chamada "crise financeira", que esse ano tentou justificar o arrocho salarial dos funcionários, mas que acabou derrotada por uma histórica greve dos trabalhadores, que mostrou que estes sim podem derrotar o Alckmin e suas reitorias.

Para a Juventude às Ruas, uma das principais experiências que devemos tomar é que a vitória dos trabalhadores significa também um avanço para o estudantil, pois ao derrotarem a reitoria, deixam o movimento estudantil em melhores condições para conquistar suas demandas. Achamos que em 2015 é possível reorganizar os estudantes a partir da experiência dessa greve: é necessário uma juventude que se alie aos trabalhadores e consiga emergir como um sujeito político que leva em suas demandas e ações os anseios de toda população pobre e trabalhadora, dos setores oprimidos e da juventude.

Em várias universidades estamos dando uma batalha nas eleições estudantis para ganhar as entidades sob essa concepção de atuação. Precisamos de novas entidades democráticas, que militem nos conflitos transformando cada demanda da universidade numa verdadeira batalha contra o regime universitário e os governos que sustentam esse regime. Sem uma orientação combativa contra o regime universitário e as reitorias, que são agentes diretos da precarização do ensino, da terceirização do trabalho, da reprodução de opressões dentro da universidade e de colocar todo conhecimento produzido a serviço dos governos e empresários, não podemos conquistar acesso, vivência, permanência, creches, mais professores etc.

Assim, queremos superar as entidades dirigidas pelo governismo, que as usam para ser correia de transmissão do PT dentro do movimento estudantil, como fazem na UFMG, onde conquistaram a maior parte das entidades estudantis das principais faculdades (entre elas o DCE), para transformá-las em verdadeiros aparatos do governo dentro do movimento estudantil. E também as dirigidas pela esquerda tradicional, como PSOL e PSTU, que há anos fazem parte do DCE da USP e Unicamp, e pouco conseguiram fazer para avançar nas nossas demandas.

Isso prova que precisamos superar o corporativismo que a concepção dessas correntes tenta impor, tomando uma questão aqui, outra ali, mas que nunca conseguem ter verdadeiras conquistas que toquem no caráter de classe da universidade. Para se manterem na entidade, não questionam a estabilidade do regime, se abstendo de organizar os estudantes para emergirem como sujeitos políticos e serem um entrave àreitoria – como fizeram ao não organizarem os estudantes em junho de 2013 e nem mesmo colocarem suas candidaturas estudantis durantes as eleições nacionais àserviço da importante greve que ocorria nas estaduais paulistas. Pelo contrário, o que vemos nessas entidades ano a ano é o afastamento e o questionamento das bases.

Nossas batalhas a partir do CACH em Campinas

Esse ano o PSTU lançou um chamado a partir da ANEL para conformar chapas de esquerda nas eleições. Contudo, na UNICAMP, onde compomos a gestão do Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH), fizemos diversos chamados a partir da entidade para que somassem força na greve, bem como nos atos que fizemos na cidade contra o assassinato de Géia (uma enfermeira trans da cidade), e panfletagens e atos contra a falta d’água. Infelizmente, os companheiros não responderam a nenhum desses chamados, o que demonstra mais uma vez que não buscam a unidade para responder àluta, mas sim para se manter nos aparatos.

Queremos superar essa concepção com as chapas: “Da Lama Ao Caos†para o CAPPF, da Faculdade de Educação, e “Por isso me grito†, para o CAELL, da Letras, ambas na USP. No CAFCA, da Filosofia da UFMG, e no CACH, da Ciências Humanas da Unicamp, onde já fazemos parte dos CAs, lançamos as Chapas “Outros Junhos Virão†e “Fantasma da Liberdade†, respectivamente, para nos apoiar em tudo de melhor que fizemos esse ano.

Porém, nossa proposta não é continuar igual. Pelo contrário, queremos usar nossos avanços e conquistas como pontos de apoio para recriarmos um novo movimento estudantil democrático, nada rotineiro e que seja uma força real para conquistar nossas demandas e de toda população. Precisamos de novas entidades democráticas e militantes, que estejam aliadas aos trabalhadores e que estejam na linha de frente do combate consequente contra as opressões, para estar àaltura de 2015, o ano "dos ajustes".

Pós-eleições presidenciais, qual movimento estudantil precisamos?

Terminadas as eleições, o governo Dilma já declarou a necessidade de cortes no orçamento, o que na prática quer dizer garantir os lucros das empresas, bancos e os próprios privilégios dos políticos da ordem, enquanto ataca a educação, a saúde, o transporte e, principalmente, os trabalhadores, com arrocho salarial, demissões e cortes. Alckmin também, na mesma covardia, esperou o término eleitoral para declarar o que todo morador de periferia já sabia: falta água em São Paulo! Ainda recentemente saiu nos jornais que cortou 37% dos investimentos em educação, ou seja, a população vai ficar sem água, as escolas mais precárias e os professores mais desvalorizados.

Lutamos por uma educação pública onde todo jovem, todo trabalhador, toda mulher, todo negro tenham o direito de estudar sem se endividar. Levantamos como principal eixo, contra o projeto elitista e precarizante dos governos, a necessidade de acabar com o lucro da educação privada. Cada universidade privada recebe diversos subsídios dos governos estaduais e federal, por programas como PROUNI, para manter seus lucros, enquanto poderiam ser abertas vagas nas universidades públicas.

Lutamos contra o monopólio da Educação, pela estatização das universidades privadas, pelo fim do vestibular, por uma universidade livre de opressões e de trabalho precário, com efetivação de todos trabalhadores terceirizados, sem necessidade de concurso público, e que coloque todo seu conhecimento a serviço da população trabalhadora.

Essa realidade só pode ser mudada com entidades que se coloquem a tarefa de romper os muros da universidade pública e se ligar com cada professor da rede estadual e municipal de ensino, cada trabalhador, cada jovem do lado de fora dos muros universitários, no desafio de mostrar que só a nossa organização pelas bases pode barrar os ataques e conquistar uma verdadeira educação pública de qualidade, para todos.

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