CAMPINAS

No dia 11, tivemos exemplos de aliança entre a juventude, professores e metalúrgicos no dia nacional de protestos

15 Jul 2013   |   comentários

O dia 11/7 foi a jornada de protestos e paralisações que marcou a primeira intervenção da classe trabalhadora organizada pelas centrais sindicais do país depois do estouro das mobilizações de massas no Brasil. Convocado pelas centrais sindicais (dentre as quais, CUT, Força Sindical, CTB, CSP-Conlutas, etc.) que acordaram levantar pautas progressivas para os trabalhadores (reduzir o preço e melhorar a qualidade dos transportes coletivos; mais investimentos na saúde e educação pública; fim do fator previdenciário; redução da jornada de trabalho; fim dos leilões das reservas de petróleo; contra o PL 4330, da terceirização; reforma Agrária), tivemos um dia de protestos e paralisações que ocorreram com a forte limitação de terem sido freadas pela burocracia sindical como a Força Sindical, CUT e CTB, justamente mantendo o controle para que os trabalhadores não se liguem ao movimento de massa protagonizado nas mobilizações de junho.

Em Campinas, entre professores da rede estadual e municipal da cidade, junto a estudantes universitários, secundaristas e trabalhadores de outras categorias, nos organizamos para atuar contundentemente no dia 11/7, aproveitando as discussões e toda a agitação feita nos atos anteriores contra o aumento da passagem para participar ativamente deste novo momento de politização nacional que ganha novos contornos com a entrada da classe trabalhadora, que compartilha das mesmas demandas sociais que a juventude abriu nas ruas como o transporte, saúde e educação, lutando por uma política independente dos patrões,dos governos e da burocracia sindical.

Panfletagens nas fábricas da região metropolitana de Campinas

Pela madrugada, fomos às refinarias e fábricas metalúrgicas levar nossa solidariedade. Em Paulínia, estivemos nas panfletagens na Replan, junto aos trabalhadores da construção civil, petroleiros, efetivos e terceirizados. No corredor metalúrgico de Hortolândia, houve paralisação das três principais fábricas (MABE, Complexo Maxxion e CAF), com uma assembleia unitária que reuniu ao redor de 400 trabalhadores, demonstrando muita disposição de luta e grande desconfiança frente aos políticos da burguesia e o governo Dilma. Chamou bastante a atenção o nível de politização dos trabalhadores, que buscavam com muita disposição para a reflexão política os panfletos que os jovens estudantes e professores entregavam em sua ânsia de se ligar ao sentimento de superar os aparatos burocráticos e criar condições para avançar contra os ataques do governo e a patronal.

Reeditando a solidariedade que havia prestado aos trabalhadores da MABE, que passaram por um processo de demissão em massa e fechamento de fábrica com ameaça de retirada do maquinário por parte da patronal, a agrupação Professores Pela Base e professores independentes esteve presente na assembleia para discutir e prestar solidariedade. Rita Frau, professora da rede, fez uma intervenção em apoio àparalisação dos metalúrgicos no dia 11, rechaçando o desvio de uma reforma política que nada mudará de fundamental, e levantando a necessidade da unidade dos trabalhadores no combate pelas demandas sociais essenciais.

Ato pelo transporte público na tarde no terminal Ouro Verde

No início da tarde, professores da região do Ouro Verde e outras escolas, ao lado de estudantes e trabalhadores de outras categorias fomos ao terminal rodoviário Ouro Verde em Campinas, para dialogar com os trabalhadores do transporte e a população que utiliza esse serviço público sobre a paralisação nacional, e nos manifestar contra a máfia dos transportes que precariza e deteriora esse serviço público básico da população, utilizado por milhões, em favor dos seus lucros escandalosos. Com cartazes e faixas denunciando o “plebiscito-enrolação†de Dilma e colocando uma saída àesquerda na questão dos transportes. Foi evidente a boa recepção que tivemos, que mostra a necessidade de arrancar esse direito das mãos da patronal e estatizar todo o serviço do transporte público sem indenização, sob controle dos trabalhadores e usuários, que realmente são aqueles capazes de utilizar o dinheiro público para operar as melhorias adequadas a um serviço que utilizam diariamente e cujas penúrias sentem na pele (aumentar a frota rodoviária, selecionar o itinerário dos circulares, os horários, as reformas adequadas, o salário do trabalhador do transporte equivalente ao estipulado pelo DIEESE, etc.). A boa recepção dos motoristas, cobradores e trabalhadores do terminal, foi uma mostra do potencial e da disposição de luta que havia na classe operária para que o dia 11 fosse realmente grande.

Bloco independente no ato das centrais e ato na cidade de Campinas junto a juventude!

No fim da tarde, mantendo a animação acumulada de um dia todo de intervenção política e discussões com os trabalhadores e a população, nos organizamos em bloco para participar junto a dezenas de jovens secundaristas e universitários, trabalhadores dos serviços e de fábricas, do ato central convocado no centro de Campinas, infelizmente com uma adesão muito menor do que a possível e esperada, já que a burocracia sindical quase não mobilizou os trabalhadores e fez um ato superestrutural, burocrático e sem base. Por outro lado, a esquerda da cidade não deu seu peso a partir dos sindicatos que dirigem para obrigar que o ato tivesse outro caráter e outra composição. O sindicato dos químicos, dirigido pelo PSOL, paralisou alguns locais e rodovias mas não construiu o ato. Assim como o SindMetal de Campinas, sob direção da ASS, que apesar de realizarem paralisações em locais importantes do movimento operário industrial e com um discurso anti-governista não quis compor o ato junto as outras categorias, se abstendo da luta política com as centrais que fizeram uma paralisação “controlada†e sem a base dos trabalhadores.

As burocracias sindicais da CUT, CTB e da Força Sindical (ligada àoposição patronal), queriam se restringir a manter os trabalhadores parados em frente ao carro de som e discursar longamente suas artimanhas para passivizar, na mesma lógica de contenção de todo o ciclo da “pax lulista†pré-mobilizações nacionais, os trabalhadores e os colocar as demandas progressivas dos trabalhadores em contraposição às demandas levantadas pela juventude; junto com entidades, setores antigovernistas e ativistas que vem construindo as lutas por transporte em Campinas, nos opomos a essa política de ficar apenas na praça e saímos em marcha pelo centro dando continuidade ao espirito de luta das semanas anteriores cantando palavras de ordem como “Nem a direita, nem o PT, trabalhadores no poder!", "Pra derrotar os ataques e a precarização, contra a burocracia, o governo e o patrão! Unidade! Unidade da classe trabalhadora, e o capitalismo, que morra, que morra!", "Quero ver, quero ver, quem decide o salário: trabalhador unido ou governo salafrário!", pela efetivação dos terceirizados, contra a cura gay e Feliciano, pelo direito ao aborto, e outras que tratavam dos esforços de traduzir o ânimo das ruas num plano de unidade da juventude com os trabalhadores, e das fileiras operárias contra as armadilhas de governos e patrões frente a suas demandas legítimas.

Terminamos o dia na avenida em frente àprefeitura municipal, com a mesma energia que nos botou de pé pela madrugada, entoando o grito da juventude e dos trabalhadores lutando por uma política de unidade e com independência de classe frente a todas as instituições do Estado burguês, que foram questionados massivamente nas ruas durante as mobilizações de junho, frente ao governo e às burocracias sindicais, que mais uma vez demonstrou ser um freio para que a luta da classe trabalhadora possa avançar. A organização pelas bases, em cada local de trabalho, a democracia operária nas assembleias e a força que os trabalhadores podem adquirir elegendo seus próprios representantes operários com mandato de base e revogáveis, é o melhor método para recuperar os sindicatos, instrumentos de luta dos trabalhadores, das mãos dessa burocracia paralisante!

Essa intervenção que conseguimos desde Campinas nos move para continuar a nos organizar em novo nível e em nova escala para o seguimento das mobilizações nessa nova situação nacional.

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