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VATICANO

No "abençoado" reino dos abusos e da pedofilia reina também a impunidade

23 Apr 2010   |   comentários

A cada dia que passa aumenta o
número de denúncias de abusos
sexuais de crianças por parte de
padres e sacerdotes. As capas dos
jornais nos últimos dias retrataram
a história das 8 vítimas abusadas
sexualmente por padres durante a
década de 1980 em Malta. Sobre
este caso o Papa Joseph Ratzinger
chegou até mesmo a chorar
publicamente. Mas esse é apenas
mais um episódio da enorme crise
que atinge a Igreja Católica, em
particular o Vaticano, dessa vez
com denúncias de que o próprio
Papa tenha acobertado muitos
destes casos. No início da crise, o
Vaticano declarava que todas as
acusações não passavam de
“fofocas†se tratando de uma
“grande conspiração†contra a
Igreja Católica. Hoje, ainda que
persistam declarações como essas,
a realidade é que já não é mais
possível tapar o sol com a peneira.
Tanto é que o Vaticano publicou na
última semana um “manual†sobre
o procedimento da Igreja Católica
para os casos de abusos sexuais no
mundo inteiro.

Ainda assim, fomos obrigados a
ouvir a declaração do Secretário de
Estado do Vaticano,Tarcisio Bertone,
que afirmou “Ouvi dizer recentemente
que há uma relação entre homossexualidade
e pedofilia†. Essa declaração
já resultou na suspensão de 3
padres homossexuais no Paraguai de
Fernando Lugo, coincidentemente
um ex-bispo. Enquanto neste abençoado reino o abuso sexual e a pedofilia
são permitidos, mantendo padres e
sacerdotes sobre um manto de
impunidade, a Igreja mesmo num
momento de fragilidade busca
reforçar a perseguição sobre
homossexuais,assim como o faz com
as mulheres quando são obrigadas a
recorrer a abortos clandestinos.

O Brasil não está atrás...

No Brasil, que é o maior país
católico do mundo, também estão
surgindo uma série de denúncias.
No momento, a principal denúncia é
contra o monsenhor Luiz Marques
Barbosa, 82, de Alagoas. Excoroinhas
fizeram uma denúncia
num programa de TV mostrando
inclusive um vídeo onde o
monsenhor fazia sexo oral num dos
jovens.Também, em Franca, interior
de São Paulo, há denúncias contra o
Padre José Afonso Dé, 74, da
Paróquia São Vicente de Paulo. Até
agora já foram ouvidas cerca de 6
crianças, entre 6 e 12 anos, que
teriam sofrido abusos nos meses de
janeiro e fevereiro deste ano.

Vale ressaltar que sobre esta crise,
Dom José Cardoso Sobrinho nada
comentou.Para quem não lembra, foi
ele o famigerado autor da frase “o
aborto é um crime pior que o estupro†,
se referindo ao caso de uma menina
de 10 anos que estava grávida de
gêmeos fruto de um estupro de seu
padrasto. Talvez ele já estivesse se
preparando pra defender a Igreja das
denúncias de estupro. Hoje,
Pernambuco passa pela mesma
situação, com mais uma menina de
10 anos estuprada por seu padrasto.
As atitudes de Dom José Sobrinho,
que excomungou todos os
envolvidos no caso do aborto, como
os médicos e a mãe da menina,
deixando livre apenas o estuprador,
servem como incentivo para que
casos de estupros continuem
existindo em Pernambuco.

Esta crise tem ainda como pano de
fundo o acordo feito pelo governo
Lula com o Vaticano, no final de
2008. Tudo ocorreu de forma
silenciosa e até mesmo sem nenhum
tipo de debate na sociedade. Mas o
fato é que, como nunca antes, o
governo Lula avançou em conceder
privilégios para a Igreja Católica e
aprofundou um atrelamento entre o
Estado Brasileiro e o Vaticano.
Diante desta situação é necessário
exigir a imediata revogação do
acordo Brasil-Vaticano. É necessário
expropriar todas as riquezas da
Igreja Católica e destiná-las ao
cuidado médico e psicológico de
jovens e crianças abusadas sexualmente,
assim como destinar este
dinheiro para as questões mais
sentidas nacionalmente, como a
ajuda às vítimas das enchentes no
Rio de Janeiro e na Bahia. Os padres
devem deixar de ter privilégios às
custas da fé dos trabalhadores e do
povo pobre, e portanto devem ir
trabalhar.Todos os acusados devem
ser devidamente punidos.

Não ao 1º de maio
com a Igreja
e os bispos de São Paulo!

No ano passado, lamentavelmente, a
maioria da esquerda que constrói o
1º de maio na Praça da Sé o fez em
aliança com a Igreja, não somente
convocando os trabalhadores e
trabalhadoras a participar de uma
missa antes do ato, mas abrindo o
microfone para o Arcebispo de São
Paulo, Dom Odilo Scherer. Naquele
momento já denunciávamos o quão
absurdo é que justamente a
esquerda busque disseminar ilusões
entre os trabalhadores sobre o
papel da Igreja Católica, tudo em
nome da unidade com a Pastoral
Operária. Entretanto, hoje, se coloca
ainda mais na ordem do dia que
toda a esquerda organizasse um
grande ato classista neste 1º de
maio, com verdadeira independência
de classe, e denunciasse junto aos
trabalhadores e trabalhadoras a
aberrante situação da Igreja
Católica e do Vaticano, que
enquanto dizem defender a vida
abusam sexualmente de centenas e
até milhares de crianças! É
necessário que principalmente a
Conlutas e o PSTU se coloquem na
linha de frente desta denúncia,
repudiando todos os padres pedófilos
e a toda a Igreja que os
acoberta, exigindo punição aos
culpados e contribuindo para que a
classe trabalhadora e o povo pobre
possam avançar em sua consciência
de classe e enxergar que esta
instituição burguesa, que é a Igreja,
está a serviço da manutenção da
sociedade de classes e da exploração,
e portanto estes escândalos
que hoje saem àtona são nada
menos do que a expressão de uma
instituição ultrapassada, conservadora
e reacionária, que concentra
uma enorme riqueza em detrimento
da miséria da maioria da população.
Por um 1º de maio com
verdadeira independência
de classe!

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