Nacional

RIO DE JANEIRO

As mobilizações vão começando a tocar pilares do regime

04 Jul 2013   |   comentários

Não é mais de cem mil nem de um milhão nas ruas mas a situação política no Rio de Janeiro segue muito em aberto. Setores minoritários mas não irrelevantes (incluindo deputados federais) do PT chamam seu partido a renunciar aos cargos no governo Cabral. A luta de classes está acelerando o calendário eleitoral petista. Cabral está fortemente desgastado nas classes média como repressor e mesmo em setores de trabalhadores e populares a visão de um governador repressor e privatizador ganhou muita força. Nas manifestações não há quem não cante contra Eike Batista e Cabral e sobre sua relação promíscua de privatizações nas obras da Copa e Olimpíadas. Aqui a gastaria da copa enquanto não temos saúde e educação tem nome e sobrenome: Eike Batista. E isto também alimenta as manifestações e a percepção de sua justeza. Além disto Cabral teve em poucas semanas um legado seu questionado: a pacificação da cidade e criação de uma polícia supostamente cidadã. Esta percepção ficou estilhaçada em manifestações na favela Nova Holanda no Complexo da Maré e se esfumaçou debaixo do interminável gás lacrimogênio seja no centro seja na Tijuca e Maracanã. Milhares cantam contra as chacinas e, novidade, contra as UPPs.

Em meio a uma manifestação no dia 24/7 a polícia de Cabral entrou para matar na Maré. E fez isto com 13 pessoas segundo os moradores (totalizando ao menos 23 em junho segundo os mesmos). A resposta, mesmo sob influência de igrejas e ONGs se fez escutar dia 2/7 com a maior manifestação contra a violência policial em muitos anos. Esta manifestação expressava uma divisão entre os moradores: entre os que queriam denunciar muito as polícias e as ONGs que queriam fazê-lo mais detidamente. Enquanto os primeiros buscavam cantar como o genocídio dos negros, pobres e favelados é diário, cantar contra as UPPs, os segundos buscavam acalmar os ânimos mas junto a todos levam a palavra de ordem “ Estado que mata nunca mais†. Cheio de ilusões como se este Estado pudesse agir de alguma forma que não fosse repressão e assassinato dos moradores de favelas, mesmo assim há um clima novo de repúdio a esta conquista de Cabral e da burguesia e um questionamento, inicial que seja, a este pilar do regime e do Estado burguês, a maior (proporcionalmente) e mais assassina polícia do país, quando a policia do Brasil é a que mais mata no mundo!

O desvio da luta via plebiscito proposto pelo governo Dilma e pelas burocracias sindicais

Enquanto os corpos de moradores da Maré ainda são velados, ativistas que ocupavam a rua da casa do governador Cabral seguem presos em Bangu as burocracias sindicais estão chamando uma greve geral que não menciona uma palavra dos presos políticos, dos assassinatos e nem sequer dialoga com as demandas que o movimento levantou em todas as últimas semanas como estatização do transporte, abertura das contas da Fetranspor, passe livre, reversão da privatização do maracanã, não as remoções.

É algo estranho às manifestações de rua das últimas semanas. Os trabalhadores no entanto em diversos locais estão ávidos para ir às ruas e fazer greve, mesmo que a reivindicação levantada pela burocracia sindical não seja sentida pela maioria dos trabalhadores, muitos querem fazer greve para testar a força da classe coletivamente mesmo que por fora de qual programa levantar.

As centrais sindicais mais diretamente ligadas àoposição do PSDB, DEM, como a Força Sindical, UGT, não levantam nenhuma consigna de plebiscito como Dilma/CUT/PT porém servirão de número àmanobra da CUT mesmo que foquem na construção da greve com a pauta “unitária†de jornada de 40hs, fim da Lei Mabel que aumenta a precarização da terceirzação, fim do fator previdenciário, etc. A CUT por sua vez foca seus esforços em defender o plebiscito e a reforma política.

Precisamos nos opor frontalmente a este desvio. Tomamos as ruas por transporte, saúde, educação. Podemos e devemos seguir na luta pelo mesmo. O plebiscito é um desvio para conduzir os questionamentos para as urnas e calar toda profundidade dos questionamentos. Mudar algo para tudo ficar igual, manter uma casta de privilegiados. Uma casta local (ALERJ) que custa quase o mesmo no orçamento que a UERJ. Lutemos contra o plebiscito, contra a reforma política, para que todo juiz, deputado, funcionário de alto escalão ganhe o mesmo que um professor, por aumento de salário para os trabalhadores, e por saúde, educação, transporte estatizados e sob controle dos trabalhadores e usuários!

No Rio de Janeiro com o peso da juventude e da esquerda antigovernista nos sindicatos e parlamentos poderíamos dar um exemplo

Contra este desvio temos “fortalezas†importantes em nossa região metropolitana. Diversos e poderosos sindicatos como o SEPE (professores estaduais e municipais), SINDISPREV (previdenciários e da saúde federal), posições minoritárias no SINDIPETRO-RJ, inúmeros sindicatos de docentes e funcionários de universidades são dirigidos por PSOL, PCB ou PSTU. O PSOL tem uma relevante bancada parlamentar. Inúmeros centros acadêmicos, grêmios e DCEs são dirigidos pelas mesmas correntes.

Com esta força poderíamos ter uma greve geral que fosse algo diferente de fazer número para a CUT ajudar Dilma em seu desvio com o plebiscito. Podemos e devemos fazer diferente. Para isto os parlamentares do PSOL deveriam ter uma postura radicalmente diferente de seu senador Randolfe que apoiou o desvio de Dilma via plebiscito e unicamente propôs perguntas para melhorá-lo. Contra a direita e o governo capitalizarem o descontentamento com a corrupção conduzindo-no a esta reforma/desvio que levantassem a luta contra os privilégios de todos parlamentares (inclusive eles mesmos) defendendo que todos parlamentares, juízes, funcionários de alto escalão ganhassem o mesmo que um professor estadual (e concomitantemente que nenhum professor ganhasse menos que o salário mínimo do DIEESE).

Contra este desvio de mudar algo para mudar nada deveríamos defender a mais ampla discussão que os trabalhadores possam fazer não só do que mudar no regime político do país mas discutir todos grandes temas do país, como a roubo do orçamento com a dívida interna e externa, o latifúndio, o trabalho precário e terceirizado, a relação com o imperialismo, o fim dos privilégios da casta de políticos atuais. Para nós um debate como este deveria se dar em uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, não limitada como quis primeiramente Dilma e nem com estas regras do jogo atuais, limitantes, mas que todos trabalhadores pudessem se candidatar livremente não sendo obrigados a se filiar a algum dos partidos que são contestados hoje em dia, que tivesse milhares de deputados constituintes (que ganhassem como um trabalhador e não como os paxás de hoje) e pudesse democraticamente discutir as questões mais sentidas pelos trabalhadores e pela juventude em todo o país. Levantarmos uma política como esta a partir da CSP-Conlutas, diversos sindicatos dirigidos pela esquerda, pelo movimento estudantil permitiria travarmos uma luta política com a CUT que defendia até semana passada uma Assembleia Constituinte e agora abriu mão de sua própria política para ajudar “sua†(e também de Sarney, Renan, Eike) presidenta. Nos contrapondo ao desvio do plebiscito podemos exigir que a CUT lutasse por sua velha resolução, rompesse com o governo, e a partir de uma mobilização independente da classe trabalhadora e da juventude impusemos tal constituinte e nossas reivindicações sobre salário, transporte, educação, saúde.

O movimento estudantil e os sindicatos podem e devem aderir ao 11/7 mas deveriam fazê-lo levantando as demandas que levamos às ruas todos estes dias e nos contrapondo a manobra de Dilma da CUT e restante das centrais governistas. Façamos um grande bloco classista e anti-governista neste 11/7 contraposto a reforma de Dilma/CUT devemos seguir nas ruas mas seguir com independência dos governos!

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