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Neste 8 de março, Dilma mostra mais uma vez que está com os patrões

03 Mar 2015   |   comentários

Mais um 8 de março se aproxima, dia internacional de luta das mulheres, e em um Brasil governado pela primeira vez por uma mulher, a grande maioria das mulheres brasileiras vive em condições de pobreza, com os piores postos de trabalho, convivendo com mais de 50 mil estupros por ano, condenadas a morte por conta dos abortos clandestinos e criminalizadas como o recente caso da jovem denunciada por um médico em São Bernardo do Campo, São (...)

Mais um 8 de março se aproxima, dia internacional de luta das mulheres, e em um Brasil governado pela primeira vez por uma mulher, a grande maioria das mulheres brasileiras vive em condições de pobreza, com os piores postos de trabalho, convivendo com mais de 50 mil estupros por ano, condenadas a morte por conta dos abortos clandestinos e criminalizadas como o recente caso da jovem denunciada por um médico em São Bernardo do Campo, São Paulo. É neste mesmo país em que Dilma Rousseff começou o ano imprimindo novos ataques aos trabalhadores, com um plano de ajustes contra a população mais pobre do país, atingindo milhares de mulheres. Junto com seu Ministro da Economia, preparam um plano que deve chegar a 2 anos com novos ajustes, enquanto isso não tocam em nenhum centavo dos patrões.

CUT “finge†lutar contra os ajustes, mas sua defesa é do governo

Ao mesmo tempo a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e outras centrais organizam uma mobilização supostamente pra lutar contra os ajustes, mas na prática já começam a convocar a militância petista em defesa da governabilidade de Dilma Rousseff contra a mobilização da "direita". A CUT e estas centrais estão longe de preparar um plano de lutas real contra os ajustes, a perda de salários via inflação e as demissões. O PMDB já negociou com Levy o apoio aos ajustes, nem falar na “oposição tucana†, mostrando que todos estão unidos contra os trabalhadores e as massas.

Neste cenário, a esquerda só poderá avançar se levar adiante uma política independente de todas as alas da burguesia, rechaçando qualquer manifestação de setores da direita, como o chamado ato pelo impeachment de Dilma em 15 de março, mas também o ato em defesa dos direitos chamado pela CUT no dia 13 de março. As organizações da esquerda e dos movimentos sociais que participarem deste ato da CUT estarão, na prática, assumindo que são “linha auxiliar do PT†. Como viemos defendendo, e como defendemos na reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas (central sindical anti-governista) é preciso colocar de pé um verdadeiro polo anti-governista e anti-burocrático com plenárias e assembléias de base que possam levantar um programa de luta contra os ajustes e os ataques para que nenhuma família fique sem emprego e nenhuma família fique sem água ou sem luz, construindo assim um plano de luta que possa exigir das centrais sindicais uma verdadeira paralisação nacional. O dia 06 de março, votado pela CSP-Conlutas como um Dia Nacional de Lutas é uma primeira iniciativa, porém ainda insuficiente, e por isso deve estar acompanhada destas medidas que apontamos para construir uma forte mobilização desde a base rumo a uma paralisação nacional que coordene as lutas.

Um regime contra os oprimidos

Enquanto os ataques e ajustes correm soltos neste governo Dilma, mais do que nunca se instauram no parlamento nossos piores inimigos, querendo retirar dos setores oprimidos da sociedade seus direitos mais elementares. O governo de Dilma Rousseff preparou o terreno pra estes retrocessos quando garantiu aos setores mais conservadores que em seu governo não haveria a legalização do aborto. O resultado disso é a manutenção da morte de milhares de mulheres por abortos clandestinos. É sob estes cadáveres que a Câmara dos Deputados passa por cima, com Eduardo Cunha vociferando contra as mulheres.

É dele também o projeto de reduzir o conceito de família apenas ao casamento entre um homem e uma mulher, fazendo retroceder a luta LGBT. Em um país campeão no assassinato a homossexuais, lésbicas, travestis e transgêneros, esta medida só pode estar a serviço de aprofundar este cenário aterrorizante. Dos setores mais retrógrados, com Eduardo Cunha àfrente, mas com Jair Bolsonaro e Marco Feliciano, aos petistas de plantão que dizem lutar pelos nossos direitos, a verdade é que esta democracia dos ricos na qual vivemos nos dá e tira concessões ao mesmo tempo em que permite, a qualquer momento, e entrada de algum representante da burguesia que com mais ódio quer perpetuar a opressão de milhares de mulheres, negros e LGBTs em nosso país.

É por isso que o emblemático acordo com Eduardo Cunha tem aberto a avenida para que esse político ataque qualquer direito democrático. Dilma, para chegar a estes acordos com o PMDB e manter sua “governabilidade†rifou mais uma vez nossos direitos democráticos.

Por uma política independente neste 8 de março

É por tudo isso que este 8 de março deve estar marcado por uma luta implacável pelos nossos direitos. Esta luta não poderá se dar em unidade com os setores que são base do governo Dilma e querem passar a “reforma política†como pauta do 8 de março. É por isso que a esquerda, os movimentos sociais e as mulheres devem neste 8 de março conformar um forte bloco classista e anti-governista, a partir da CSP-Conlutas e do Movimento Mulheres em Luta, bem como todos os parlamentares da esquerda que se colocam nesta perspectiva, preparando uma grande campanha pelos direitos democráticos contra o reacionarismo de Eduardo Cunha e seus seguidores além do silêncio do PT e do PCdoB diante destes conversadores.

Este 8 de março será também marcado pela voz dos professores e funcionários públicos do Paraná e de outros estados, além de uma série de universidades que começam a se mobilizar, mostrando que a luta contra os ajustes e cortes de verbas na educação, deverá ser um ponto fundamental nos próximos meses, e por isso neste 8 de março esperamos as professoras na linha de frente. Preparar uma política independente neste 8 de março, fortalecendo uma perspectiva classista e revolucionária na luta das mulheres, é a perspectiva que defendemos a partir do Movimento Nossa Classe, do grupo de mulheres Pão e Rosas e da Juventude às Ruas.

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