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PSOL recebe dinheiro de empresas poderosas e se coliga com partidos de Dilma e Marina nos estados.

Nenhum voto na conciliação entre trabalhadores e patrões

06 Sep 2014   |   comentários

Nessas eleições o PSOL de Luciana Genro volta a receber 15 mil reais da quinta maior rede de hipermercados do país, o grupo Zaffari. Essa não é uma novidade. Já nas eleições anteriores esse partido também recebeu dinheiro da Gerdau, um dos maiores monopólios de aço do Brasil, da Marcopolo, uma das maiores indústrias de produção de ônibus, da Taurus, uma das maiores empresas de armas do mundo, e de empreiteiras que financiaram a candidatura de (...)

Nessas eleições o PSOL de Luciana Genro volta a receber 15 mil reais da quinta maior rede de hipermercados do país, o grupo Zaffari. Essa não é uma novidade. Já nas eleições anteriores esse partido também recebeu dinheiro da Gerdau, um dos maiores monopólios de aço do Brasil, da Marcopolo, uma das maiores indústrias de produção de ônibus, da Taurus, uma das maiores empresas de armas do mundo, e de empreiteiras que financiaram a candidatura de Edimilson Rodrigues para prefeitura de Belém em 2012.

Aliança com partidos capitalistas nos estados

A principal figura parlamentar do PSOL, o Senador Randolfe Rodrigues, que havia sido consagrado pelo partido como candidato a presidente nessas eleições e posteriormente cedeu a vaga para Luciana Genro, tem como seu “feudo†eleitoral o estado do Amapá. Neste estado, o PSOL é candidato a vice-governador na chapa de Camilo Capiberibe, que é membro do PSB de Marina Silva, atual governador e candidato àreeleição numa mesma coligação que o PT de Dilma.

Em Pernambuco, PSOL se coligou com o Partido da Mobilização Nacional (PMN), conhecido por ter apoiado Collor de Mello. Nessas eleições, o PMN integra a coligação de ninguém menos que Aécio Neves no plano Federal.

Em Alagoas, o PSOL de Heloísa Helena também recebeu o apoio do PSDB. Mas, dada a histórica proximidade desta com Marina Silva, não devemos nos surpreender caso daí também venha alguma “ajuda†.

Governo a serviço dos capitalistas em Macapá

Em Macapá, capital do Amapá, o PSOL, eleito em 2012 numa coligação com PCB, PPS, PV, PMN, PRTB e PTC, e com apoios do DEM e do PSB, governa junto com os mais variados partidos burgueses, respeitando a chamada “Lei de Responsabilidade Fiscal†, que é a lei que obriga os governos a não gastar os recursos públicos com saúde, educação, transporte, saneamento básico e moradia, de forma que se possa usar esse dinheiro no pagamento de juros e amortizações de dívidas para os grandes milionários investidores internacionais que sangram o país. Para tal, reprimiu, com a guarda civil municipal, os professores em greve por melhorias salariais e em defesa da educação.

Candidatos reacionários

A “cereja do bolo†do PSOL são os candidatos reacionários que têm vindo a público nessas eleições, com uma curiosa concentração na cidade do Rio de Janeiro: a sionista Solange Pacheco que defendeu o Estado de Israel frente ao massacre contra Gaza; o policial militar Paulo Ramos sobre o qual recaem denúncias de ligação com grupos de extermínio; e o pastor homofóbico Jefferson Barros.

Desmentindo o discurso de Luciana Genro

Luciana diz que sua candidatura é “de enfrentamento contra os bancos†, que para tal fará uma “auditoria da dívida pública†e “aumentará impostos das grandes fortunas†. Mas o governo do PSOL em Macapá “reza o terço†do capital financeiro e governa em harmonia com os capitalistas. Luciana diz que não aceita dinheiro de empreiteiras e multinacionais e defende o financiamento público de campanha. Mas o que são a Gerdau e as empreiteiras que financiaram a candidatura de Edmilson em Belém? Diz que é uma voz das manifestações de junho. Mas a Marcopolo lucra exatamente com o sistema privatizado dos transportes. Coloca-se contra o genocídio da juventude negra nas favelas. Mas esse é praticado com armas de empresas como a Taurus. Cada centavo proveniente dessas empresas provém da exploração extraída de seus trabalhadores. Diz que é contra a precarização no trabalho. Mas no Congresso apoiou a Lei do Supersimples, que autorizou as pequenas e médias empresas a flexibilizar os direitos trabalhistas.

A política de conciliação de classes do PCB de Mauro Iasi

O PCB, que lança a candidatura de Mauro Iasi e em alguns estados se coligou ao PSOL e/ou ao PSTU, também busca angariar votos da juventude e dos trabalhadores tentando vender a imagem de um partido “socialista†e defensor da “revolução social†. Essas palavras não passam de enganação na boca de um partido que entrou para a história como coveiro de revoluções, aliando-se a diversos políticos e governantes capitalistas como Getúlio Vargas, Antônio Ermírio, Moreira Franco, Quércia e Lula. E que recentemente participou da coligação eleitoral com o PSOL e vários partidos capitalistas para a prefeitura de Macapá, em 2012, inclusive assumindo uma secretaria no governo. No plano internacional, o PCB apoia o ditador Assad, da Síria, assim como apoiou o finado ditador Kadafi, da Líbia.

Este partido, por mais verborragia “vermelha†que destile na TV e no rádio, não pode esconder que continua em sua estratégia conciliadora em busca de “setores burgueses progressistas†para constituir governos de aliança com a burguesia. Se ainda aparece como “esquerda†, tentando iludir jovens e trabalhadores que veem a traição do PT e o declínio do PSOL como mais um partido integrado ao regime, é pela falta de uma verdadeira alternativa classista e revolucionária.

Nenhum voto nos partidos que defendem a conciliação entre trabalhadores e patrões

Para o PSOL e o PCB o “socialismo†é apenas uma palavra de esquerda para encobrir sua política de buscar setores da burguesia com os quais possam governar por dentro do regime capitalista, sem tocar na propriedade privada, nos interesses dos grandes capitalistas e do imperialismo. Não passam de expressões da estratégia do PT. Por isso, quando chegam a governos, como em Macapá, agem igual ao PT e até mesmo aos partidos burgueses.

Muitos jovens e trabalhadores que rejeitam votar no PT, PCdoB e nos demais partidos capitalistas pensam em votar nestes dois partidos como se fossem alternativas. Porém, as experiências que já existem com eles demonstra que não fortalecem a luta da juventude e dos trabalhadores. Pelo contrário, alimentam a conciliação de classes e o ceticismo diante da inadiável tarefa de organizar e reagrupar uma esquerda classista e revolucionária. Por isso devemos rechaçar o voto nesses partidos.

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