Domingo 22 de Setembro de 2019

Nacional

Contra os políticos e partidos da burguesia

Necessitamos de um Partido Operário Independente

15 May 2005   |   comentários

Os patrões, diariamente, fazem política para nos explorar mais e melhor. Eles contam com seus próprios partidos e com toda uma máquina, que inclui imprensa própria, televisão etc. Tudo para defender seus interesses que, eles sabem muito bem, são opostos aos nossos.

Uma das melhores coisas que as greves da década de 70 e 80 geraram foi uma mudança na mentalidade da classe operária brasileira. Vivíamos na época da ditadura e existiam dois partidos com bastante influência, o MDB e o Arena, ambos partidos burgueses. Os trabalhadores que realizaram as poderosas greves do ABC paulista e depois deles muitos outros em cada canto do país começaram a compreender que necessitavam também de um partido próprio, um partido sem patrões e sem generais, como se dizia na época, que pudesse defender os nossos interesses. Daí surgiu o PT.

O PT, porém, não chegou a ser este partido de que nós trabalhadores precisávamos e ainda precisamos. Muito rápido intelectuais e sindicalistas, com Lula àfrente, que apoiavam o MDB, passaram a defender a criação do PT. Porém, o plano deles não era o de um partido independente. Eles queriam um partido apenas para eleger deputados, prefeitos, senadores e futuramente governadores e um presidente, um partido para governar o país junto com a burguesia. Por isso, em todo o processo de construção deste partido e ainda mais depois de sua formação, os trabalhadores que realizavam as greves tiveram pouco ou nenhum poder de decisão sobre os rumos que o PT estava tomando.

Hoje quem governa o país é o PT, em aliança com diversos partidos burgueses: com o PP do Maluf, o PMDB do Quércia, o PSB do Garotinho e outros, tendo o grande burguês da industria têxtil, José Alencar do PL, como vice. E governa, como não poderia deixar de ser, aplicando todas as medidas de ataque aos trabalhadores. Na oposição também quem aparece são outros partidos burgueses como o PSDB do ex-presidente FHC e o PFL de ACM. É por isso que queremos abrir a discussão em cada fábrica e local de trabalho sobre a necessidade de construir um novo partido, tirando as principais lições do PT, para que este novo partido defenda de fato os nossos interesses e seja controlado por nós a partir dos nossos sindicatos, das nossas assembléias, das comissões internas etc, como o PT nunca foi.

Queremos acabar com uma cultura, em grande medida criada pelo próprio PT, segundo a qual o trabalhador só se preocupa com política na época das eleições, quando aparecem os candidatos pedindo voto. E no dia a dia são o presidente e os governadores, os parlamentares, e quando muito os sindicalistas, que decidem tudo e nós só observamos. Queremos construir um partido para que os trabalhadores sejam os sujeitos ativos de todas as decisões, para que os trabalhadores possam defender seus próprios interesses.

Na situação atual, depois de dois anos de governo do Lula e do PT, muitos dos trabalhadores que confiaram neste partido durante duas décadas estão fazendo sua experiência. Os milhões de trabalhadores em todo o país, tanto da geração dos anos 80, como da nova geração que já conheceu o PT na sua fase de adaptação mais profunda àburguesia, que não vêem no governo Lula e no PT uma saída, necessitam de uma nova ferramenta política.

Hoje, uma nova vanguarda começa a se destacar em greves por todo o país retomando o sentimento antiburocrático e os velhos métodos de luta esquecidos há pelo menos uma década. Parte desta vanguarda se expressa no movimento sindical através da Conlutas e, mais recentemente, através dos sindicalistas da CUT que estão rompendo com o PT e se colocando na luta contra o governo Lula. A ruptura destes sindicalistas é parte de um processo político mais amplo, que tende a abarcar milhões de trabalhadores.

Se até agora a sua expressão mais importante foi a ruptura da Heloísa Helena e dos parlamentares com o PT e a fundação de um novo partido, o PSOL, está em curso uma segunda leva de rupturas, que se expressa em setores como os que já romperam junto com Jorginho da Executiva Nacional da CUT em janeiro, e mais recentemente na chamada “Dissidência†, que organiza centenas de adeptos que podem vir a romper no próximo período. Por isso, defendemos que se abra em cada sindicato, em cada assembléia de base, e em cada organização de trabalhadores, a discussão sobre a necessidade de um partido operário independente, partindo das lições do que foi que permitiu que o PT chegasse a ser o principal aplicador dos planos da burguesia e do imperialismo.

Um partido como esse defenderia um programa operário para a atual crise política e económica que está colocada no país. Enquanto os partidos burgueses se esforçam para descarregar nas costas de todos os trabalhadores o custo de uma crise que não fomos nós que geramos, este partido que queremos criar lutaria para fazer o contrario. Este partido lutará para que o custo da crise seja pago por aqueles que a criaram, os próprios patrões. Este partido, ao contrário do que foi o PT, deve ser controlado pelos trabalhadores através dos seus sindicatos e organizações de luta. É claro que para isso será necessário expulsar a burocracia dos sindicatos e retomar estas organizações para os trabalhadores.

Um partido que lutará para derrotar todos os patrões, com seus governos, seu parlamento, seus tribunais e seu exército e polícia. Este partido lutará por um governo dos trabalhadores, aliado aos camponeses e ao povo pobre. Um governo que se baseie nas próprias organizações da classe, na sua democracia direta e que será capaz de acabar com a dominação imperialista, derrotar a burguesia brasileira, realizar de uma vez por todas a tão necessária reforma agrária, acabar com o desemprego e a fome. Porém, tudo isso só será possível se nós, em nossas assembléias e a partir de nossos sindicatos e de nossas organizações, tomarmos o nosso destino em nossas próprias mãos.

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