Nacional

BELO HORIZONTE

Nas ruas com os trabalhadores, a juventude e o povo negro

04 Jul 2013   |   comentários

Grandes atos massivos paralisaram a capital de Minas Gerais. Marcados nos dias dos jogos da Copa na cidade, mais de 100 mil pessoas chegaram a ocupar as ruas de Belo Horizonte. O que marcou os protestos em Belo Horizonte foi a participação de muitos jovens estudantes, trabalhadores e do povo pobre, que participaram das marchas colocando nas ruas seus anseios contra a Copa de Dilma, da Fifa e dos empresários, assim como seu repúdio àrepressão da violenta polícia mineira e de todo o enorme aparato repressivo federal.

Os governos Dilma (PT) e de Anastasia (PSDB) priorizam seus acordos com as grandes empreiteiras e a patronal enquanto a população segue tendo que conviver com péssimos serviços públicos de transporte, saúde e educação. A grande adesão de jovens trabalhadores e do povo pobre aos atos se deu de maneira espontânea. Quando no calor dos confrontos nas ruas começou a despertar um sentimento de simpatia entre as massas e os jovens trabalhadores mais precarizados, negros e pobres, a manifestação mostrava seu potencial. Para impedir o avanço dessa unidade a violenta repressão policial foi evidente. O governo e a PM disseram que haveria perigo nas ruas. Não disseram que o perigo estava exatamente na ação repressiva da polícia. Porém, isso foi entendido nas ruas. Jovens e trabalhadores, ao mesmo tempo em que se solidarizavam com as marchas, foram também revistados nas estações do trem em um dia que a polícia mineira teve aval para anunciar “tolerância zero†. Anunciou o toque de recolher no centro da cidade. A Força Nacional de Dilma deslocou 166 de seus homens para ajudar na repressão da PM aos manifestantes. Mesmo com o terror instalado, no dia 26/06 saíram mais de 60 mil nas ruas de Belo Horizonte.

Em MG, um estado já marcado pela espoliação de suas riquezas pelas grandes mineradoras nacionais e internacionais, combina-se o desvio de verbas e o superfaturamento das obras da Copa a partir de contratos milionários dos governos com empresários. O transporte público no estado serve para manter os chefões da máfia dos transportes com seus lucros milionários. Aos trabalhadores, jornadas de trabalho com horas extras intermináveis nas fábricas onde deixam seu sangue e suor para lucro da patronal, nos canteiros de obras, na Cemig e nas minas. Nas escolas os professores da rede estadual seguem com um dos menores piso salarial do país. Nos aglomerados e ocupações urbanas a polícia continua mantendo sua repressão cotidiana. Desde o início do ano ao menos duas foram as revoltas no Aglomerado da Serra e durante as manifestações a polícia entrou mais uma vez com suas botas na Pedreira Padre Lopes gerando mais mortos decorrentes de sua ação assassina.

A aliança entre a juventude, a classe operária e o povo pode levantar um plano de luta para acabar com a festa dos governos burgueses com os empresários e com a Fifa. O mínimo que deve ser exigido em relação aos transportes é a redução radical das passagens, pelo passe livre para juventude, desempregados e aposentados, sem subsídio - que tirem dos enormes lucros dos empresários do transporte! - a liberdade dos presos políticos e contra a repressão aos manifestantes! Apenas a luta pela estatização do serviço dos transportes controlado pelos trabalhadores e pelo povo, sem indenização aos empresários pode responder aos radicais protestos que acontecem na grande Belo Horizonte e em dezenas de cidades do interior como Congonhas. A juventude deve se aliar aos trabalhadores para acabar com os desvios de verbas e o superfaturamento das obras da Copa que poderiam render mais investimentos em saúde e educação. Apenas um plano de obras públicas controlado pelos trabalhadores e pelo povo é que pode acabar com a festa dos empresários a partir de seus acordos com os governos. A burguesia precisa manter a precarização e a terceirização para manter seus lucros. E isso o governo do PT garantiu ao longo de seus mandatos criando milhões de postos de trabalho terceirizados. Grandes centrais hoje como a CUT, que dirige o importante sindicato de metalúrgicos de BH e Contagem, assim como a CTB do PCdoB de Carlim Moura, prefeito de Contagem em aliança com o PSDB, dizem que estão contra a terceirização, mas não lutam pela imediata incorporação de todos os trabalhadores terceirizados.

É preciso buscar a aliança com os trabalhadores e o povo nas ruas sem deixar se enganar com os projetos do PSDB, PT, PSB e PCdoB que há anos fazem do estado um balcão de negócios acomodação de seus interesses junto aos da burguesia. A juventude que segue em ações como duas legítimas ocupações em Belo Horizonte, devem se colocar a serviço de romper a barreira que está sendo criada entre a juventude universitária e a juventude negra e trabalhadora. Apenas a auto-organização a partir dos locais de trabalho, estudo e moradia é que pode conformar uma coordenação democrática para arrancar nossos direitos.

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