Mulher

"Não vou desistir das vagas nem das creches, o caminho é a luta"

28 Feb 2015   |   comentários

O site Palavra Operária entrevistou Daniele Santana, 27 anos, mãe de Francisco, 2 anos e estudante do curso de Filosofia da USP. Ela é uma das mães que tiveram as vagas de seus filhos suspensas nas Creches da USP pela Reitoria. (Foto UOL/Educação)

O site Palavra Operária entrevistou Daniele Santana, 27 anos, mãe de Francisco, 2 anos e estudante do curso de Filosofia da USP. Ela é uma das mães que tiveram as vagas de seus filhos suspensas nas Creches da USP pela Reitoria. A situação dramática de mães, pais e crianças sem creches tem recolocado todo o debate em torno deste direito elementar que simboliza a luta das mulheres na universidade. O Sintusp tem se colocado nesta luta exigindo contratação imediata de funcionários e abertura de vagas para que nenhuma criança fique de fora.

Palavra Operária: Como se sentiu quando recebeu a notícia de que não teria a creche garantida pra seu filho?

Daniele: A sensação foi literalmente perder o chão. Por completo. Havia a necessidade e haviam planos que dependiam da creche. Sem contar toda a expectativa - minha e do Chico, que já falava que ia pra creche em fevereiro pra todo mundo. Num primeiro momento foi isso, ler e reler o email dentro de um limbo sem saber o que fazer.

Palavra Operária: Sem a Creche e tendo que levar seu filho pra aula, como tem sido a recepção de professores e colegas? É assim com as outras mães?

Daniele: Até agora fui a uma aula na Faculdade de Educação e a professora e os colegas foram super compreensivos e pacientes. Sei de mães que foram forçadas a ficar fora da sala para assistir a aula. Ainda tenho uma disciplina na filosofia que terá sua primeira aula segunda e a ansiedade é grande pra saber como será essa recepção.

Palavra Operária: Como está sendo seu aproveitamento acadêmico nesta situação?

Daniele: Aproveitamento... acho que nem posso usar essa palavra. É uma tentativa de fazer o melhor possível com a menor condição possível. Acabou se tornando uma luta pelo mínimo aproveitamento, o que é uma vergonha e uma perda muito grande se estando dentro de uma universidade como a USP, que poderia oferecer tanto àminha formação. Espero não prejudicar muito aos colegas também....

Palavra Operária: Qual caminho você acha que é necessário seguir pra conseguir as vagas?

Daniele: O caminho é o da luta. Sempre. Não desistir. Não desistir das vagas e, mais que isso, não desistir da creche da USP, que é algo lindo, um projeto maravilhoso, referência nacional e internacional em educação infantil. É um centro para pesquisa que a universidade deveria aproveitar ao invés de ver apenas como um gasto, como mera assistência social. É mais que isso e não pode se extinguir. Vamos buscar reuniões - seja com Valdyr (Superintendente da Assistência de Serviço Social), seja com o Zago (Reitor), seja quem for necessário - , vamos procurar medidas legais que possam ser tomadas e, se for necessário, buscar outros órgãos nacionais ou não.... é, espero que encerremos na próxima reunião.

Artigos relacionados: Mulher , Universidade









  • Não há comentários para este artigo