Sábado 20 de Julho de 2019

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Não pagaremos os efeitos da crise

15 Nov 2008   |   comentários

No começo dos anos 90 a classe trabalhadora teve que suportar sob suas costas ferozes ataques capitalistas, arcando com o desemprego massivo, a inflação que corroía os salários e depois a estabilização monetária ’ baixa inflação ’ que também resultou em perda do poder aquisitivo dos assalariados. Durante o período em que os capitalistas se vangloriavam de que “o socialismo morreu†e o “capitalismo é o único regime económico e a democracia burguesa a única forma política da sociedade†, os trabalhadores pagaram muito caro: privatizações, demissões, PDVs, bancos de horas, férias coletivas, suspensões de contratos (lay off), jornadas de trabalho flexíveis com redução salarial etc. Esta foi a base do crescimento económico e do enriquecimento dos ricos nestes últimos anos.

Este ciclo de crescimento económico significou maiores lucros para as patronais e mais exploração para a classe operária, ainda que tenha havido alguma recuperação no emprego e nos salários (precários) desde 2005. Em 2007, quando se atingiu o maior crescimento do PIB (produto interno bruto) deste ciclo, os salários representaram apenas 40% da renda nacional, ficando abaixo de 1990 (45,4%). A minoria capitalista tem aumentado sua parte na renda nacional, sem contar a especulação financeira. Esta é a cara da desigualdade social no capitalismo. Agora, com a crise mundial os capitalistas já mostram o que preparam contra a massa trabalhadora e a sociedade para defender seus interesses.

A direção da CUT quer que os trabalhadores entre com o pescoço... e o patrão com a corda

Diante desse quadro, nos cabe perguntar como atuam os sindicalistas que dirigem os principais e mais importantes sindicatos do país. A CUT é reconhecida por milhões de trabalhadores como uma central sindical combativa, a favor dos trabalhadores. Porém, a CUT, na década de 1990, se aliou aos diversos setores burgueses, mesmo estando na oposição aos governos de turno, para defender um programa de “distribuição de renda†, “valorização do trabalho†e “justiça social†. Ou seja, uma forma política de defesa de um capitalismo com “cara mais humana†, “menos selvagem†, porém preservando as bases desta sociedade: a propriedade privada das terras e dos meios de produção e a submissão do país ao imperialismo. Com essa estratégia, a partir de 2003 a direção da CUT passou a apoiar incondicionalmente o governo Lula, integrando ministérios e órgãos governamentais.

Agora, nesta crise estrutural do capitalismo, que nos reserva catástrofes para o futuro, a direção cutista volta com sua velha estratégia de conciliação com a burguesia, propondo outra vez “distribuição de renda†e “valorização do trabalho†. Ora, se nos tempos das vacas gordas os capitalistas não distribuíram renda nem valorizaram o trabalho, como esses dirigentes podem manter esse programa numa etapa onde a crise capitalista prepara demissões, fechamentos de empresas, cortes salariais e de direitos, ao lado de muito dinheiro para salvar os capitalistas?

Ao lado dos burocratas da CUT está a CTB (central fundada pelo PCdoB), Força Sindical, UGT, CGTB e Nova Central Sindical preparando para o dia 3 de dezembro, em Brasília, a dita 5ª Marcha da Classe Trabalhadora pelo Desenvolvimento e Valorização do Trabalho. Obviamente, sem a participação direta e democrática da massa de trabalhadores. E, mais criminoso ainda, sem qualquer programa e proposta de luta contra os ataques patronais que já se configuram nas férias coletivas, suspensões de trabalho e demissões, muito menos contra a entrega de bilhões de dólares que Lula destina para “salvar†os banqueiros e os empresários. Ao contrário, esses dirigentes sindicais governistas e pró-patronais se apresentam, mais uma vez, como “gerentes de RH†dos empresários. É o que se pode concluir da proposta de Sidney Malaquias, secretário de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (CUT), que procurou o governador do estado (Eduardo Braga, do PMDB) propondo que “se confirmada alguma decisão empresarial sobre demissões, a proposta sindical é de suspensão temporária dos contratos de trabalho - conforme a necessidade da empresa†. Essa é a proposta dos sindicalistas pró-patronais diante da onda de férias coletivas e demissões, principalmente em Manaus onde empresas como Sony e CCE demitiram 600 funcionários e outras ameaçam o mesmo ataque.

Os trabalhadores podem impedir esse futuro sombrio

Se nesses últimos anos perdemos muito com a exploração capitalista e pela responsabilidade desses dirigentes sindicais conciliadores, daqui em diante não podemos nos deixar enganar outra vez: para enfrentar essa crise e os planos capitalistas, necessitamos completa independência política e programática perante todos os setores patronais e os governantes. A CUT (e os demais sindicalistas conciliadores) tudo farão para convencer os trabalhadores de que defender as empresas e os bancos (grandes, multinacionais, pequenas ou médias) garantirá emprego e salários. Nada mais falso! Já vimos esse triste filme nos últimos anos. Não podemos cair nessa outra vez.

Por que razão o governo entrega R$ 4 bilhões a essas montadoras quando elas enviaram para suas matrizes e ao exterior mais que o dobro (US$ 4,8 bilhões ou R$ 9,1 bilhões em dólar de 30/09)?

Portanto, os trabalhadores não podem se iludir com a mentira de que “se salvam os capitalistas nos salvamos†. Somente confiando em nossas próprias forças poderemos impedir que as conseqüências dessa crise capitalista sejam descarregadas sobre nossos ombros.

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