Juventude

USP

Na USP, os estudantes precisam lutar para construir entidades militantes!

17 Oct 2014   |   comentários

Convidamos todos os estudantes a debater junto conosco a formação de chapas para por de pé entidades militantes que possam reerguer o movimento estudantil, colocando-o ao lado dos trabalhadores na luta por outra universidade a serviço dos interesses da maioria da população.

Como apontamos em nosso balanço da greve, um dos principais motivos que contribuíram para a fraca mobilização estudantil durante a greve deste ano foi a abstenção do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e dos Centros Acadêmicos (CA´s) em construir a luta ao lado dos trabalhadores. Já tornou-se comum aqueles que estão há mais de um ano na USP verem coletivos como o Juntos e RUA (PSOL), Para Além dos Muros (PSTU) e Levante Popular da Juventude colocarem todos os seus esforços militantes para ganhar as eleições estudantis e, assim que se encerra o período eleitoral, administrar as entidades de maneira rotineira, passiva e, muitas vezes, burocrática.

Um exemplo gritante dessa prática ficou claro ao longo desta greve. Thiago Aguiar, até pouco tempo diretor do DCE e candidato a deputado federal pelo PSOL, e Arielli, atual diretora do DCE e candidata a deputada estadual pelo PSTU, não só não colocaram suas candidaturas a serviço da greve e das demandas estudantis, como orientaram todos os esforços dos demais integrantes da gestão do DCE a suas campanhas. Viraram as costas para uma das maiores greves que essa universidade já viu. Na prática, mostraram que Zago e Alckmin podem “virar a USP do avesso†e fazer o que quiser com ela que o DCE irá aguardar passivamente as próximas eleições.

Práticas como essa não são particularidade da USP. Administrar de maneira rotineira e passiva as entidades, tomando o cuidado apenas de não cometer nenhum deslize importante para poder se reeleger na próxima eleição, é a regra na maioria das universidades Brasil a fora. As consequências disso são a aversão da maior parte dos estudantes aos fóruns do movimento estudantil e o aumento do ceticismo frente ao papel que o mesmo pode cumprir como instrumento de transformação da universidade e da sociedade. Não àtoa, as manifestações de junho de 2013 passaram por fora do movimento estudantil, mesmo quando a maioria dos que foram às ruas era de estudantes.

Muitos estudantes que criticam, com razão, o aparelhamento das entidades pelas correntes políticas acabam, no entanto, caindo no erro de negá-las como instrumento de organização dos estudantes. Como alternativa, propõem a auto-gestão, ou seja, a organização espontânea através de reuniões abertas, sem a necessidade de formação de chapas, apresentação de programas e consulta ao conjunto dos estudantes.

O grande problema dessa forma de organização é que acaba funcionando com uma espécie de “ditadura†da vanguarda. Apenas os estudantes que dispõe de tempo livre, geralmente os que não trabalham, acabam decidindo os rumos da entidade. Se em uma reunião determinado coletivo vai em peso e consegue a maioria, pode definir o que será feito pela entidade, independentemente se suas posições políticas são minoritárias em relação ao que pensa a base de um curso ou universidade.

Nós, da Juventude às Ruas e grupo de mulheres Pão e Rosas, defendemos outra concepção de entidade. Acreditamos que estar na gestão de uma entidade não pode ser um fim em si mesmo, uma posição “conquistada†para a esquerda que, um dia, sabe-se lá quando, pode servir para algum objetivo. Por outro lado, acreditamos que devem estar em sintonia com as posições políticas da base dos estudantes que representa.

Batalhamos para que as entidades estudantis estejam a serviço da luta de classes, da conquista das reivindicações estudantis em confronto direto com a burocracia universitária, combinado com o apoio àluta dos trabalhadores dentro e fora das entidades. Chamamos de entidades militantes os CA´s e DCE´s que se guiam por essa concepção. Para combater o aparelhamento das entidades, defendemos a formação de gestões proporcionais, onde cada chapa compõe a entidade de acordo com a representação de seu programa na base, permitindo que diferentes posições se expressem e todas as decisões tomadas sejam de conhecimento de todos.

Nos próximos meses, ocorrerão na USP eleições para diversos CA´s e, talvez, também para o DCE. Estaremos diante de uma grande oportunidade de por fim a essa velha prática que domina há muitos anos nossas entidades. Convidamos todos os estudantes a debater junto conosco a formação de chapas para por de pé entidades militantes que possam reerguer o movimento estudantil, colocando-o ao lado dos trabalhadores na luta por outra universidade a serviço dos interesses da maioria da população.

Artigos relacionados: Juventude









  • Não há comentários para este artigo