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NOVOS ARES NA LUTA DE CLASSES MUNDIAL?

29 Apr 2012   |   comentários

Junto àcrise internacional do capitalismo, cuja magnitude histórica é indiscutível e que vem mostrando sua violência em uma série de países, especialmente na Europa, vem se moldando também as primeiras respostas dos trabalhadores e das massas.

Por mais que as lutas operárias e populares, especialmente na Europa e no mundo árabe, estejam limitadas e desviadas por direções burguesas ou burocráticas, é inegável que o nível de atividade política das massas alcançou um novo patamar, inédito durante as últimas décadas – anos de derrota e retrocesso subjetivo em nível mundial.
A grande questão que se coloca é se esses enfrentamentos da luta de classes serão ou não capazes de deslocar a relação de forças e abrir caminho a uma nova etapa, de ofensiva do movimento de massas em escala internacional?

* No Estado Espanhol, país emblemático do impacto da crise econômica na vida do povo, com seu enorme desemprego (de 40% na juventude) e seus brutais planos de cortes de salários, direitos e gastos públicos, vimos uma greve geral histórica se colocar como uma primeira resposta de longo alcance no dia 29 de Março. Nessa greve, destacou-se em particular e maciça adesão do setor industrial, o que é sempre indício da profundidade dos conflitos de classe.
A resposta do Estado capitalista está sendo uma absurda repressão. Depois da massiva e histórica jornada de greve de 29M no Estado Espanhol contra a reforma trabalhista e os ataques, o governo respondeu com repressão policial e uma feroz campanha de criminalização que especialmente em Barcelona foi se intensificando dia após dia.

Os representantes da burguesia falam em endurecimento do Código Penal, “potencializar†a prisão provisória, legislação antiterrorista, etc.
O Congresso da CSP-Conlutas em seu conjunto precisa denunciar a campanha de criminalização e a duríssima repressão policial contra os trabalhadores e jovens que participaram da greve de 29 de março e exigir a imediata liberdade, sem processos, de todas as pessoas detidas por lutar.

Abaixo a repressão em Barcelona e todo o Estado Espanhol! Viva a greve geral! Que os capitalistas paguem pela crise!

* Na sequência do processo de levantamentos populares no Norte da à frica e no Oriente Médio, vemos a Síria cumprir um papel de “síntese das múltiplas contradições†de todo o processo:
Próximo a se completar um ano do início das mobilizações contra o regime ditatorial de Bashar al-Assad, o exército sírio segue adotando a linha de uma brutal ofensiva sobre as cidades opositoras para restabelecer a ordem a sangue e fogo. Enquanto isso as potências imperialistas e as reacionárias monarquias árabes seguem buscando as vias para manipular a situação em favor de seus interesses. A direção pró-imperialista aglutinada no Conselho Nacional Sírio, ainda que dividida e em crise, segue atuando como agente interno desta estratégia reacionária. As massas trabalhadoras e populares sírias não somente sofrem o ataque contra-revolucionário de Al-Assad, como também a ameaça de intervenção imperialista direta.

De fato, diferente de outros ditadores pró-imperialistas como Mubarak no Egito, Ben Ali na Tunísia, e inclusive o próprio Kadafi na Líbia, o regime sírio tem contradições com os Estados Unidos e é o aliado mais firme do Irã. Por isso, os EUA, a União Europeia e as monarquias reacionárias do Golfo vêm pressionando através de sanções econômicas e do financiamento de grupos opositores, para conseguirem uma "troca de regime" sem intervenção militar direta.

No entanto, contra o relato oficial que fala de uma “conspiração externa†para desestabilizar seu regime, do qual vergonhosamente fazem eco Chávez e correntes populistas que consideram Assad como "anti-imperialista", como antes fizeram com Kadafi, as mobilizações contra o regime de Assad se iniciaram como parte do processo mais geral da "primavera árabe" com motores similares: a revolta contra um regime opressor baseado na ditadura do clã Assad, combinado com o agravamento da situação econômica das massas. No entanto, a direção do CNS e do Exército Livre Sírio tem utilizado a mobilização como instrumento de “pressão†, a serviço da estratégia reacionária de substituir o regime de Assad por outro ainda mais afinado com os interesses do imperialismo. A única saída progressista para os trabalhadores, os camponeses e os setores oprimidos da Síria virá da luta independente contra o regime de Assad, na perspectiva de um governo operário e popular.

Esse é o caminho também no Egito, onde a luta de massas se volta agora contra Junta Militar que usurpou o poder desde a queda de Mubarak, e na Tunísia onde se busca desviar o autêntico processo revolucionário que deu início àchamada “primavera árabe†.


Abaixo a intervenção imperialista! Pela queda revolucionária das ditaduras no mundo árabe! Por uma Federação de Repúblicas Socialistas do Oriente Médio e Norte da à frica!

* Já em nosso país vizinho, a Argentina, a notícia principal nos últimos dias, justamente após as grandes denúncias de espionagem ao movimento operário e popular trazidas a público pelo PTS (partido irmão da LER-QI), foi o anúncio da “nacionalização†pelo governo de Cristina Fernandez Kirchner da maior parte da petroleira YPF.

Frente a tal anúncio (de fato, o envio de uma lei ao Congresso para que o Estado controle 51% da YPF), Christian Castillo, dirigente nacional do PTS assinalou que “não se pode premiar a REPSOL lhe pagando com dinheiro dos aposentados, sendo que 80% destes recebem uma aposentadoria mínima, de fome, ou com as reservas do Banco Central, depois de anos de saque da riqueza nacional por esse monopólio imperialista†.

O Congresso da CSP-Conlutas, para ser consequente com uma posição classista e anti-imperialista, também deve defender que a YPF em seu conjunto seja expropriada sem indenização e gerida pelos seus próprios trabalhadores. A REPSOL retirou da Argentina, na forma de lucro, mais de 14 bilhões de dólares, dinheiro que utilizou para ampliar os negócios da empresa em outros países, enquanto deixava de lado as tarefas de exploração de novos poços, algo indispensável para manter o nível das reservas.

Rechaçamos todas as ameaças do governo imperialista espanhol e de seus sócios da União Europeia. Ao mesmo tempo denunciamos que o governo não só se presta a pagar os saqueadores como busca a associação do estado com outras empresas imperialistas, seguindo o modelo da “nossa†Petrobras, o que deixaria em poder de novos saqueadores grande parte da renda petroleira e do gás.

Nenhum centavo dos recursos públicos para os saqueadores da REPSOL!

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