Questão negra

Mumia Abu Jamal fala sobre Ferguson

28 Nov 2014   |   comentários

Declaração do ativista e jornalista afro-descendente que foi preso e condenado à morte pelo assassinato de um policial nos EUA, injustiça frente à qual se impulsiona uma campanha internacional por sua libertação.

"Como febre, explodiu a notícia. Mas, diferente da febre, depois não houve nenhum alivio. A notícia, na perspectiva da comunidade negra, não foi boa. Os doze membros do grande jurado em Ferguson, que investigava o assassinato do adolescente negro Mike Brown, disseram que não haveria pena nem acusação, apesar do fato de que Brown estava desarmado. Não há pena!

O nome Ferguson se soma a uma velha lista de lugares com nomes dolorosos, perdas e mortes de afro-americanos. Lugares como Birmingham, Philadelphia e agora Ferguson. Têm um significado em si mesmo. Para os jovens, muitos do quais nasceram para o ativismo, e se sentiram obrigados a sair às ruas contra a impunidade, o desafio será como continuar, como seguir lutando, inclusive qual é a luta.

Alguns, com o coração partido, fugiram desse episódio e tentaram, talvez sem êxito, apagar essas recordações. Outros se radicalizaram, convencidos de que esse caso é a síntese da injustiça racista.

Mas Ferguson pode ser um ponto de inflexão. Um ponto de inflexão em um momento em que a nação elegeu um caminho equivocado".

© Copyright MUMIA ABU-JAMAL 2014

Mumia Abu-Jamal é um ativista e um jornalista afro-americano estadunidense, foi acusado pelo assassinato de um policial e sentenciado àmorte em 1982. Desde esse momento está preso, e existe uma campanha internacional por sua liberdade.

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