Movimento Operário

Mobilizar até vencer como fizeram os operários do ABC

24 Jan 2015   |   comentários

2015 começou comprovando que o país não é mais o mesmo. Seja pela politização, seja pelos ataques dos governos do PT e PSDB, mas principalmente pela disposição demonstrada na importante luta dos operários da Volkswagen que há 9 anos não entravam em greve. Com ajustes importantes que ainda não mostram todo seu caráter anti popular devido os prazos estipulados para seus impactos e as demissões na indústria, cabe-nos perguntar, que papel tem hoje essa (...)

As intensas mobilizações de Junho de 2013 que tomaram o asfalto das principais cidades do país, invadiram também as periferias e morros e recuperaram para o conjunto da população a força da juventude quando se levanta. A juventude que foi às ruas fazer questionamentos àqualidade e preço dos serviços públicas básicos (como transporte, saúde e educação) produziu uma profunda politização em todo o país. Foi fruto desses levantes que 2014 explodiu com a greve dos garis do Rio de Janeiro em pleno carnaval e fez história em rodoviários que desafiaram suas direções vendidas assim como os metroviários amedrontaram os capitalistas, com uma greve às vésperas da Copa do Mundo e se apresentaram os indomáveis trabalhadores da Universidade de São Paulo que protagonizaram 4 meses de uma verdadeira batalha contra o governo Alckmin e a autoritária Reitoria de Zago.

2015 começou comprovando que o país não é mais o mesmo. Seja pela politização, seja pelos ataques dos governos do PT e PSDB, mas principalmente pela disposição demonstrada na importante luta dos operários da Volkswagen que há 9 anos não entravam em greve. Com ajustes importantes que ainda não mostram todo seu caráter anti popular devido os prazos estipulados para seus impactos e as demissões na indústria, cabe-nos perguntar, que papel tem hoje essa juventude que foi às ruas contra os políticos corruptos, por serviços básicos de qualidade para todos e por direitos igualitários às mulheres, negros e LGBT?

A greve da Volkswagen e a luta contra o aumento da passagem

No ABC os operários da Volks já iniciaram o ano com o ataque da patronal de 800 demissões. Não arregaram. Paralisaram a produção depois de 9 anos sem lutar por 11 dias, marcharam paralisando uma das principais avenidas, Av Anchieta, e estiveram unidos até readmitir e todos OS 800 estarem dentro da fábrica novamente. E enquanto os operários da Volks lutavam contra a ganância da patronal, a juventude voltava às ruas contra o aumento da tarifa. Mesmo com as tentativas de manobras anunciadas pelo prefeito Haddad, de aumentar as passagens durante as férias evitando a organização desde as universidades e locais de estudo e a concessão da gratuidade escolar como tentativa de dialogar demagogicamente com os anseios de Junho e do “direito àcidade†, sem garantir que os estudantes e a população pobre possa se locomover para garantir o acesso a cultura, lazer, esportes e encontros ou reuniões, mesmo com tudo isso, seguimos nas ruas para denunciar o lucro da máfia dos transportes e o falso discurso dos políticos sobre nossas demandas. Mesmo com a brutal repressão policial desferida sobre a juventude a mando dos governos, a juventude se mostra indomável e seguimos nas ruas por um transporte estatizado que não esteja nas mãos das mafiosas empresas que lucram milhares, com o custo da passagem de R$ 3,50 (com variações de bairros e cidades) sob um direito elementar de ir e vir. Seguimos nas ruas para que os trabalhadores controlem os transportes junto dos usuários, pois só nós sabemos como ele deve funcionar e não os prefeitos que como cantamos nas ruas: “Andam de carro e ainda roubam nosso dinheiro!â€

O sindicato dos Metalúrgicos do ABC e por outro lado o próprio MPL que organiza os atos contra o aumento da passagem, cada um àsua maneira, reforçam a profunda separação entre juventude e a classe trabalhadora que os governos e patrões precisam para garantir seus ataques e privilégios, contra nós.

É dizendo que não quer retomar os processos de Junho que o Movimento Passe Livre se apresenta àjuventude com seus limites programáticos e uma concepção extremamente burocrática de organização. Não permitem que os ativistas de Junho possam falar nos atos, que as correntes políticas que sempre estiveram presentes possam falar nos atos e possam colocar abertamente colocando suas diferenças e podendo fazer um debate com o conjunto do movimento sobre seus desafios, perspectivas e lições, para juntos, através de um grande e importante debate, chegarmos às conclusões de como a juventude deve se colocar agora. Um ano e meio após junho, as demandas se mantêm.

Na Volks o acordo de fim de greve expressa uma contradição entre os interesses dos trabalhadores, a patronal quer demitir, e o sindicato, acaba cumprindo um papel de conciliação entre os anseios dos trabalhadores e dos patrões. Fez falta a juventude que despertou em 2013 para se solidarizar a esta luta e poder construir uma verdadeira unidade dos que mais sofrem os ataques do governo contra dos interesses milionários dos patrões.

As organizações de esquerda, por sua vez, se limitaram a apoiar sem mobilizar sua base desde as estruturas, não fazendo pesar na correlação de forças do conflito, o apoio e a influência que esta tem sobre importantes sindicatos, entidades estudantis e grêmios àserviço da vitória dos trabalhadores. Era preciso apoiar os trabalhadores efetivamente para que vissem que não estão sozinhos, que é possível superar suas direções burocráticas serem mais sujeitos de sua luta e vencer os patrões sem aceitar nenhum ataque. Enquanto isso, a juventude governista que brilhava os olhos dos sindicalistas petistas, encontrou seu espaço para seu espetáculo teatral.

Levante Popular da Juventude: a juventude da burocracia e do governo Dilma.

Nas assembleias e nos atos da Volkswagen e contra o aumento das passagens, o Levante Popular da Juventude (Consulta Popular) vem demonstrando que é mais do mesmo, de maneira tímida, ou as vezes escancarada, e que está a serviço de defender os governos e a legitimidade da burocracia sindical. Foi assim que esteve presente durante a greve dos operários da Volks. Utilizando-se do carro de som do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que não permitiram que nenhum trabalhador falasse nas assembleias para tomar os rumos da sua própria luta, cantavam que eram a juventude que estava com os trabalhadores. Infelizmente, não é algo que se possa concordar. Para uma juventude que dirige muitos centros acadêmicos e DCE em todo o país, não ter mobilizado nenhum estudante para defender os trabalhadores e só demostra sua profunda simpatia e atrelamento a CUT (Central Única dos Trabalhadores), omitindo os ajustes do governo Dilma, atuavam com o único objetivo de livrar a cara desses burocratas e de seus grandes companheiros do governo.

Na luta contra o aumento da Passagem não atuam de maneira alguma para que se tornem atos verdadeiramente massivos, que questione o governo e suas medidas de privilégio aos patrões e empresários em detrimento de precarizar os serviços públicos pra população. Na contra mão disso agem em nome do governo, saem para marchar e pedir o impossível que os capitalistas sejam menos capitalistas e os ajustes dos governos sejam menos contra a população. Uma verdadeira tragédia. São a velha juventude petista que faz ações radicais para mascarar sua profunda adaptação àdemocracia burguesa que segue matando os negros nas periferias, assassinando os LGBT e reprimindo os trabalhadores em suas lutas, como as demissões dos metroviários ou mesmo a repressão policial que assistimos aos garis do Rio de Janeiro.

Construir uma Juventude que vá ÀS RUAS para barrar os ataques em aliança com os trabalhadores

Nós da Juventude Às Ruas estivemos desde o 1° dia da greve ao lado dos operários da Volks, não só pelo peso que a categoria tem na economia nacional e mundial, mas porque partimos da concepção de que os trabalhadores por sua localização estratégica na produção e por reproduzirem o mundo tem o potencial de colocar em cheque os lucros das empresas e do próprio governo. Que pela sua capacidade de parar a produção se somado com a força demonstrada pela juventude em Junho de 2013 poderíamos arrancar todas nossas demandas.

A juventude que não carrega nas costas o peso das derrotas do passado, cumpriu seu papel em demonstrar que era possível vencer. A classe trabalhadora retomando suas organizações e métodos de luta deixou um caminho a ser seguido. Agora frente ao avançar da crise capitalista, os trabalhadores da Volks demonstram que é possível barrar as demissões. Os capitalistas demitem hoje, precarizam o trabalho e despejam nas costas dos trabalhadores toda a crise financeira que eles mesmos criaram. O governo é diretamente responsável por esses ataques, pois passou anos e anos com o nome de Partido dos Trabalhadores governando para os capitalistas. Dilma agora deixa isso escancarado com os ajustes no direito a pensão e ao seguro desemprego.

Haddad e Alckmin novamente de braços dados para aumentar a tarifa e beneficiar a máfia do transporte demonstraram que as diferenças entre PT e PSDB não são de conteúdo, do lado de quem estão e para quem governam, mas sim de forma. Para derrotá-los, a juventude precisa fazer como fez em Junho, porém, o desafio agora é maior, fruto da ganancia dos capitalistas estamos sofrendo que altas tarifas, demissões, falta de agua, energia elétrica e alimentos cada vez mais caros, é preciso pôr fim a essa sede de lucro e unificar a luta com os trabalhadores, organizar as mobilizações a partir de cada local de trabalho e estudo para dar vazão a esse novo ativismo político que vem despertando e para colocar os capitalistas contra a parede e os governos federal e estaduais de joelhos. Construir uma juventude que vá às ruas para barrar os ataques e conquistar um novo mundo. Que os capitalistas paguem pela crise! Que os trabalhadores e a juventude tomem em suas mãos o futuro que nos pertence!

Para barrar o aumento e as demissões: contra a burocracia, o governo e os patrões!
U-NI-DA-DE Juventude com a classe trabalhadora e o capitalismo!? Que morra! Que morra!!

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