Movimento Operário

CONGRESSO SINDICAL DA APEOESP

Mobilizar a base dos professores contra os métodos criminosos da Chapa 1 para retomar o caminho das lutas

25 Sep 2013   |   comentários

Após o recesso escolar estava claro que muitos professores, empolgados com as mobilizações de junho, queriam dar continuidade a luta iniciada no primeiro semestre e traída pela chamada Chapa 1 (Artsind/Artnova/PCdoB), se organizando para arrancar as conquistas que Bebel em companhia trocou por acordos com o governo Hadad e Alckmin. Porém, a chapa 1 esta mais interessada em impedir a qualquer custo a participação da oposição e dos professores críticos no XXIV congresso sindical da Apeoesp. A primeira medida foi atacar o próprio estatuto da Apeoesp e impedir que os professores com menos de seis meses de sindicalização pudessem participar como pré-delegados do congresso sindical, o que significa deixa de fora do congresso grande parte dos professores categoria que participaram da greve. Depois, impediram que as atas chegassem nas escolas, complicaram os recursos que exigiam as atas substitutivas, se negavam, inclusive, que a oposição tivesse um representante no credenciamento das atas. Para intimidar a oposição se utilizou de bate paus e provocações nas distintas plenárias de eleições de delegados e chegaram a absurdos como em Campinas, onde o conselheiro estadual da Artnova (Marcão) ameaçou professores com uma faca dentro da própria subsede.

Consideramos que a utilização destes métodos é continuidade do que vimos no final da greve contra os professores ativistas da greve e a oposição como a campanha difamatória contra a oposição mandando nas casas dos associados boletins com fotos identificando militantes, algumas delas com conteúdo homofóbico inclusive, como foi o caso do boletim contra o Professores Pela Base na Zona Norte. Esses métodos visam acabar ainda mais com os espaços democráticos nos sindicatos e está diretamente relacionada com a necessidade desta burocracia sindical da CUT de impedir que o espirito de junho contamine a categoria de professores, como acontece hoje no Rio De Janeiro quando os professores estaduais fazem uma grande greve contra o Governo Paes (apoiado pelo PT) e os municipais que ocuparam o 13° andar da prefeitura do Rio de Janeiro.

Mesmo contra esse nível de ataques antidemocráticos e com o congresso sendo fraudado da cabeça aos pés, sabemos que muitos professores compartilham de nosso repúdio a burocracia sindical que hoje comanda a Apeoesp. Em Campinas, por exemplo, a oposição se unificou e conseguiu expressar parte dos professores que repudiam as práticas e a política da atual diretoria da subsede (Artnova). Conseguimos impedir inúmeros empecilhos e pudemos nos expressar na plenária denunciando tanto as medidas antidemocráticas quanto a política de compromisso e passividade frente ao estado e elegemos delegados . Na Zona Norte também demos uma batalha contra a burocracia sindical. No ABC, defendemos a tese da Oposição Alternativa e conseguimos eleger delegados .

Nós, militantes do Professores pela Base, queremos que nossa representação no congresso sindical sirva para esta batalha contra a burocracia que hoje comanda a Apeoesp. Queremos encaminhar planos de luta que possam arrancar nossos direitos como a Lei do Piso (ainda não aplicada), a redução da Jornada, o fim da divisão e precarização do trabalho na escola assim como tomar nossa parte nas lutas da juventude e dos professores brasileiros, com a que acontece hoje no Rio de Janeiro. Precisamos também questionar profundamente a terceirização que avança nas escolas, assim como as demais políticas implementadas pelas direções que nada mais são do que as vozes do governo do Estado. Achamos que o conjunto das oposições, começando pela Oposição Alternativa (dirigida principalmente pelo PSTU) do qual participamos, deve aproveitar o momento e chamar encontros das oposições que possa mobilizar o conjunto de professores que querem lutar e estão descontentes com os rumos do sindicato. Muitos professores ainda não se identificam com a oposição ou suas correntes, mas querem se organizar e lutar. Por isso desde o final da greve temos exigido do PSTU e da Conspiração Socialista a necessidade de encaminhar medidas que possam chegar a esses professores. Entendemos que, infelizmente, essas correntes estiveram bastante adaptadas a lógica imposta pela burocracia sindical onde inexistem espaços realmente de base para expressão e organização do congresso. Isso ficou bastante explicito quando as duas correntes assinaram a tese da Oposição Alternativa para o congresso sindical da Apeoesp junto a “CUT pode mais†sem discutir com o conjunto das correntes que compõem a Oposição Alternativa. Precisamos ter medidas para que o descrédito na diretoria sindical se transforme em luta e organização ativa por nossos direitos e, também, contra a burocracia sindical e por democracia nos nossos instrumentos de luta.

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