Questão negra

Mike B. e Amarildo: duas faces da mesma América

28 Nov 2014   |   comentários

Um espectro negro ronda os EUA e a história se repete novamente, os negros se levantam contra o racismo que aponta suas armas para a juventude preta e pobre.

Um espectro negro ronda os EUA e a história se repete novamente, os negros se levantam contra o racismo que aponta suas armas para a juventude preta e pobre.

Tão longe e tão perto. Mike e Amarildo têm em comum muito mais do que sua cor. Jovens negros vítimas de Estados baseados no racismo, na arma da polícia que privilegiadamente aponta pra os pretos. Tronaram-se símbolos do sofrimento negro, da juventude que tem na cor de sua pele a sua sentença de morte.

A mesma cor, a mesma história. Morreram como mais um exemplo do lado mais perverso da existência negra. Mas suas mortes não foram em vão, seu sangue alimentou a força dos que nada têm a perder.

E como se fosse possível, acenderam no Brasil e nos EUA a faísca do exercito de Zumbi. Nem mesmo o presidente negro ou a mulher do Partido dos Trabalhadores conseguiram calar a indignação de um povo que não aguenta mais. Cuidado, os negros estão perdendo o medo de suas policias, começam a questionar seus líderes conciliadores, são novos guerreiros, heróis que se erguem com sede de justiça.

Vejam, em vários lugares do mundo, a juventude e os trabalhadores despertaram do sono da ofensiva neoliberal. Agora é a vez dos pretos, a burguesia treme de medo. E se a revolta inspirar um novo Haiti? A mascara da “democracia racial†, da sociedade pós-racial, começa a cair, e a verdadeira cara da escravidão moderna aparece. Seja nos morros do Rio de Janeiro contra as UPPs, ou nos bairros pretos dos EUA, os negros decidem protestar contra a violência policial que assola suas vidas desde a escravização.

Ao questionar o braço armado do Estado burguês, esses negros devolvem as balas no coração do capitalismo. Sem as armas, como a burguesia protegeria sua propriedade privada? Como conseguiriam dominar? Se num país imperialista como os EUA, alguns pretos conseguiram ter alguma ascensão social, o que sobra para maioria é o trabalho precário, a vida nos guetos, a prisão e a morte pelas mãos da policia.

Do outro lado da América, a burguesia não pode permitir nenhum tipo de ascensão, senão apenas algumas cotas para uma pequena minoria enquanto a maioria esmagadora segue na mesma situação. Cede algumas poucas coisas para enganar o maior exército negro fora de à frica.

Olhamos com alegria esse levante! Me soa como a melhor das músicas do Facção Central. Mas é preciso mais do que revolta e força, precisamos aprender com os erros e acertos dos guerreiros que nos antecederam. Precisamos nos organizar transformar o ódio em força revolucionária, transformar a ânsia por justiça em organização.

Unir os oprimidos contra os que nos matam, dividir tudo com os que não tem nada!

Nossa tarefa é difícil. Eles têm o Estado, têm os meios de produção, têm a ideologia dominante que nos divide. Mas nós estamos em todos os lugares, em cada fábrica, escola, em cada local de trabalho, somos um exército gigante que não tem nada a perder.

No Brasil, a favela não se cala, mas a falta de uma organização revolucionária de trabalhadores socialistas que ligue a voz dos pretos da periferia com os que possuem em suas mãos a força de parar o mundo impede que os gritos dos bravos guerreiros ecoem mais alto. Assim, a polícia continua a nos matar. Em Belém, a periferia escorre sangue negro. Nas favelas de São Paulo, toque de recolher.

Nos EUA, a luta se reacende. Pode e deve ir além da punição do assassino de Michael Brown. É preciso levantar um programa que seja capaz de responder as indignações das ruas e atacar o racismo pela sua raiz, organizando os negros e negras ao lado dos trabalhadores contra a polícia, o Estado e os patrões.

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