Movimento Operário

METRÔ DE SÃO PAULO

Metroviários pela Base lutando junto a população para acabar com o sufoco no transporte!

05 Jul 2013 | Entrevista com Guarnieri, delegado sindical da Estação Santa Cruz e integrante da Agrupação Metroviários pela Base (LER-QI e trabalhadores independentes)   |   comentários

“Frente a onda de protestos que se espalha no país é necessário unificar as reivindicações dos metroviários com as demandas da população contra a precarização dos serviços públicos .â€

JPO: Qual importância dos Metroviários em se aliar com as demandas do povo nas ruas?

Abrimos o debate sobre unificar as nossas demandas com as da população ainda na campanha salarial. O trabalho dos metroviários corresponde atualmente 0,6% do PIB nacional, ou seja, possuímos uma força social imensa não somente para lutar pelas por melhores condições de trabalho, como também para dar uma resposta a precariedade dos transportes.

Denunciamos a política de privatização e terceirização dos governos, que através das PPP’s e dos subsídios pagos aos capitalistas geram lucros exorbitantes a grandes empresas que são as principais financiadoras das campanhas do PSDB e PT nas eleições. Apontamos a necessidade de dialogar com os milhões de usuários que transportamos diariamente através de uma petição contra o aumento das tarifas, assim como propomos que o conteúdo do colete usado na operação colocasse essa consigna junto a defesa de um transporte público de qualidade. Num momento onde a oposição governista do Unidade e Luta (dirigida pelo PC do B) fazia falas em defesa de Haddad nas assembleias e respaldavam o que diziam ser um aumento “justo†.

JPO: Como foi o fim da campanha salarial e o inicio das manifestações?

Defendemos em 03/06 que o Sindicato dos Metroviários, dirigido majoritariamente pelo PSTU e Psol, rejeitasse o acordo proposto do TRT e fosse a greve, denunciando o aumento de Alckmin e Haddad em SP, porém esse recuou e separou as demandas econômicas da categoria (postergando novamente as reivindicações mais centrais) com as pautas políticas da população. Logo em seguida já se iniciou as manifestações contra o aumento da passagem e organizamos os trabalhadores nos locais de trabalho para participar dos atos. Depois da brutal repressão em SP, as manifestações ganharam um amplo sentimento de apoio dos metroviários, nos colocamos ao lado da juventude e do povo, as ruas foram tomadas e o aumento foi revogado, desencadeando uma ampla mobilização nacional que como sabemos foi muito além dos 20 centavos.

JPO: No próximo dia 11/07 está sendo chamado um dia de paralisações e mobilização
nacional pelas centrais sindicais, com qual política os metroviários devem intervir?

No primeiro panfleto que soltaram chamando a assembleia o Sindicato dos Metroviários simplesmente chamou os trabalhadores para aderir a “Greve Geral Nacional†convocada pelas Centrais, sem nenhuma crítica a política da burocracia sindical. O Sindicato deveria denunciar o desvio que as centrais sindicais ligadas ao governo tentam impor no dia 11/07. Porém, nessa assembleia do dia 04/07, se negaram a votar a nossa proposta de incluir como pauta da paralisação uma luta contra o desvio orquestrado pelo governo Dilma através da reforma política, com o apoio das burocracias da CUT e da CTB. Com isso, ao lado de Paulinho da Força Sindical e toda a burocracia das centrais governistas e pró-patronais que foram convidados para nossa assembleia, a diretoria do Sindicato dos Metroviários propõe aderir àparalisação sem denunciar claramente o papel dessa burocracia no desvio da luta nas ruas, em nome da suposta “unidade†. Não podemos depositar nenhuma confiança nessa burocracia, que poderá usar posteriormente a paralisação dos metroviários como massa de manobra em defesa do governo Dilma!

A paralisação dos metroviários tem que ser organizada desde a base, junto aos delegados sindicais e com representantes eleitos nos locais de trabalho, através de um programa que lute pela independência de classe , conformando um bloco classista, anti-governista e anti-burocrático que influa sobre a base da burocracia sindical exigindo que as principais centrais rompam com o governo.

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