Movimento Operário

Eleições de delegados sindicais no metrô de São Paulo

Metroviários Pela Base elege delegados em defesa da democracia dos trabalhadores, da aliança com os usuários e da unidade entre efetivos, terceirizados e temporários!

06 Apr 2013   |   comentários

A agrupação Metroviários Pela Base, impulsionada pela LER-QI e trabalhadores independentes, até o momento do fechamento desse artigo, elegeu 5 delegados (no JAT- Operadores de Trem da L1 – Azul e nas Estações Santa Cruz, Sé, Luz e Armênia), considerando que ainda falta acontecer as eleições no ITT (Operadores de Trem da L 3 – Vermelha) e no PAT (Manutenção do Pátio Jabaquara).

A votação obtida pelos candidatos do MpB é fruto do apoio, por parte de um setor significativo dos locais de trabalho onde estamos [1], às ideias fundamentais que defendemos. É fruto da atuação que tivemos no passado, quando lutamos para que houvesse uma preparação da greve que colocasse no 1º plano a denúncia do governo como responsável pela precarização do transporte; que a partir disso buscasse uma real aliança com os usuários e outras categorias; que elegesse delegados por locais para a conformação de um comando de greve que dirigisse a luta; que desmascarasse o papel do TRT e estimulasse a confiança dos trabalhadores apenas em sua própria força.

É fruto da nossa atuação na luta dos terceirizados da Façon, quando nossas batalhas para responsabilizar a direção do metrô e o governo pela privatização e pela solução das demandas dos operários e para ligá-los ao processo de mobilização que vivíamos naquele momento pela PR igualitária, foi chave para que pudessem receber seus direitos. Essa experiência foi fundamental mostrar como é possível lutar em defesa dos terceirizados.

É fruto da batalha que temos dado para que os delegados sindicais existam para representar as posições dos trabalhadores em seus locais de trabalho e não para serem simples transmissores das políticas decididas pelo sindicato. Como se deu no último Congresso da categoria onde lutamos para que o conselho de delegados sindicais fosse deliberativo; mas também na assembleia definidora do regimento eleitoral quando defendemos critérios o mais democráticos possíveis dentro dos marcos de um estatuto burocrático. Mesmo durante as eleições, quando o sindicato orientou a que não tivessem eleições nos locais onde tivesse um número menor de candidatos do que de vagas, sem nenhum tipo de referendo da base. Nos locais em que tivemos candidatos exigimos e realizamos eleições, para ter um reconhecimento efetivo da base. [2]

Apesar da situação atual, na qual prima um clima de melhoria gradual nas condições de vida na maior parte da classe trabalhadora, depois de vários anos voltamos a fazer uma importante greve, recobrando parte da confiança em nossas próprias forças e demonstrando que existiam condições para ter maior participação da base e um maior número de delegados eleitos. O cenário mais provável é que será formado o Conselho Consultivo com 58 delegados e 20 suplentes. O fato da adesão não ser maior explica-se primeiro pelo boicote de uma parte da Diretoria do Sindicato, as correntes do PSOL, que não candidataram nenhum ativista de suas agrupações. Depois, o próprio PSTU, que atribuiu um caráter para o Delegado Sindical que não representa uma real democratização do sindicato. E por outro lado, àoposição de direita do Unidade e Luta (PCdoB) que no ínicio foi contra a realização das eleições e acabou colocando suas principais figuras para desgastar a atual Diretoria visando as eleições do 2º semestre. Frente a isso, foi expressiva a votação que tiveram os candidatos do MpB, mostrando o peso que uma corrente nova conseguiu nas bases inclusive contra candidatos apoiados pelo Sindicato.

A responsabilidade não é do usuário! Precisamos lutar contra o verdadeiro responsável pelo sucateamento do Metrô e do trabalho: o Estado!

Não são poucos os metroviários que dizem: o “problema do Metrô são os usuários†. Por outro lado, não são poucas as vezes que usuários descarregam sobre os metroviários toda a raiva que sentem contra o Estado por serem transportados como sardinhas a um preço absurdo. Se refletirmos sobre qual o sentido do nosso trabalho, a questão que precisamos responder é: por que a população mais pobre é transportada dessa forma?

Os dados respondem por si só: 47% de todo orçamento público do Governo Federal são destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública, enquanto míseros 1,2% são destinados ao transporte público. Em SP, todas as despesas regulares e investimentos previstos para a secretaria de transportes metropolitanos do governo Alckmin estão em 8% do total de despesas do estado, montante semelhante aos subsídios fiscais destinados os capitalistas (ver quadro). É no bojo desses subsídios que se incluem os privilégios cedidos àiniciativa privada através das PPP’s, que como temos visto com a L4 apenas aumentam a precarização do transporte.

Nessa campanha salarial a população deve saber que estamos ao seu lado. É necessário sempre ligar as demandas econômicas próprias da categoria a uma campanha em defesa do transporte público de qualidade e a preço acessível. Precisamos construir as condições que permitam que a liberação da catraca não seja um blefe e sim uma medida preparada e apoiada pela população, enfrentando a política do governo e da direção da empresa e criando condições para que o Metro possa ser controlado por quem de fato o faz funcionar: os trabalhadores e usuários.

Reuniões por local de Trabalho que organizem a pauta de reivindicações desde a base para o Seminário do dia 13/04!

No dia 13/04 acontecerá o Seminário para definir a pauta de reivindicações da campanha salarial. Precisamos forjar um ativismo real que consiga levar a frente a luta pelas demandas mais sentidas da categoria como a equiparação salarial, piso salarial do DIEESE e a redução da jornada de trabalho para 36h. A tarefa dos delegados sindicais é organizar reuniões por local de trabalho que possam discutir propostas a serem levadas, dentre as quais é fundamental constituir um comitê de mobilização da campanha que aglutine para além dos diretores e delegados sindicais, delegados votados em suas bases. Esse Comitê deve funcionar não somente para mobilizar o conjunto da categoria, mas também para construir uma aliança com outras categorias e com as demandas da população denunciando o absurdo valor da tarifa e a política do governo de precarização e privatização do transporte. Nossa proposta é que o objetivo desse comitê seja criar condições para que se desenvolvam organismos de auto-organização, a exemplo de como funciona no Sindicato dos Trabalhadores da USP, que nas greves a diretoria se dissolve em comitês como esse, eleito nas bases, para decidir os rumos da luta. Organismos como esse permitem uma organização prévia às assembleias, para que essas sejam melhor construídas e não uma espécie de comício onde a maioria dos trabalhadores está condenado a passividade.

Avançar na unidade entre efetivos, terceirizados, temporários. O Sindicato deve impulsionar uma ampla campanha em defesa de direitos e salário iguais!

A campanha salarial deve servir também para gerar consciência na categoria em torno da luta por direitos e salários iguais para todos os trabalhadores. Desde os nossos delegados sindicais levaremos a necessidade de criar nos locais de trabalho um amplo movimento contra a precarização do trabalho, com um programa que coloque como centro a defesa dos setores mais explorados em unidade com os efetivos. Mesmo sabendo que devemos acumular muita força para aplicar esse programa, já ficou demonstrado na luta dos trabalhadores da Façon que existe disposição entre os terceirizados e existe solidariedade entre os efetivos. Para avançar nesse sentido, é necessário que desde já o sindicato impulsione um movimento construído em cada local de trabalho que lute por direitos e salários iguais entre efetivos, terceirizados e temporários, lutando pela filiação dos funcionários da L4, terceirizados e temporários ao nosso sindicato, sua participação nas instâncias da categoria com direitos plenos e uma luta séria em defesa da efetivação dos terceirizados e Jovens Cidadãos sem necessidade de concurso público.

[1Ver blog http://metroviariospelabase.blogspot.com.br/ o resultado das eleições e o quórum de votação onde concorreram os candidatos do MpB.

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