São Paulo

Metroviário denuncia atraso nas obras da linha4

20 Feb 2015   |   comentários

O atraso nas obras é consequência do baixo investimento, da corrupção e das privatizações promovidas há décadas pelo PSDB.

Após o carnaval, voltou a ter repercussão nos meios de comunicação os constantes atrasos na construção das estações restantes da linha 4 – Amarela do Metrô de São Paulo, primeira linha operada diretamente pela iniciativa privada. A conclusão das estações Mackenzie-Higienópolis, Oscar Freire, Morumbi e Vila Sônia estavam incialmente previstas para 2009, depois foi adiada para 2012 e agora, ao que tudo indica, não sairá antes de dezembro de 2016. Como denunciamos diversas vezes, o atraso nas obras de expansão da malha metroferroviária, urgentes para aliviar a superlotação do sistema, é consequência direta do baixo investimento, da corrupção e das privatizações promovidas há décadas pelo PSDB.

Segundo informações dadas a imprensa, os atrasos ocorrem porque o consórcio espanhol Isolux Córsan-Corviam, responsável pelas obras, enfrenta problemas financeiros. “Infelizmente as empresas estão com dificuldades e estamos verificando como enfrentar isso. Ou elas tocam [as obras], ou elas tem que sair com multa, punição. O jurídico está avaliando se a gente chama a segunda colocada e se ela concorda com o preço da primeira, se vai ter que relicitar†disse Alckmin àFolha de São Paulo. As obras estão paradas desde julho do ano passado.

O fracasso da política do PSDB e do conjunto da burguesia paulista para os transportes já está comprovado. São Paulo tem uma das piores médias de expansão do Metrô (1,9 Km por ano) entre as grandes cidades mundiais. Atualmente, os atrasos atingem praticamente todas as obras de expansão do Metrô e da CPTM, com destaque para as das linhas 15 – Prata e 17 - Ouro.

Como já dissemos em outros artigos, não se trata apenas de falta de competência. O recente caso do propinoduto tucano mostra que a raiz do problema é que, muito antes da qualidade dos serviços e dos interesses da população, todos os governos priorizam as taxas de lucro das grandes empresas privadas e suas gordas doações nas eleições. Só para se ter uma ideia do que estamos falando, durante as investigações do propinoduto, foi constatado que a expansão de um dos trechos da linha 2 – Verde sofreu atraso e teve o valor do contrato encarecido porque, na época, a Alston, multinacional francesa, pediu que fosse incluída uma estação¹.

Diversas denúncias mostram como as empresas que fazem as obras de construção civil da expansão, utilizam não somente trabalho terceirizado, mas também quarteirizado e até quinterizado. Ou seja, várias empresas intermediárias ganhando dinheiro público sem controle, as obras atrasando e os operários em condições completamente precárias. Não podemos permitir que sejam os operários que paguem por qualquer cancelamento de contrato. É necessário garantir a manutenção dos empregos na continuidade das obras de expansão. A empresa que exerce o trabalho atualmente tem que abrir toda sua contabilidade, mostrar para onde foram os milhões de dinheiro público. Nas mãos do PSDB, o que podemos esperar é a entrada de uma nova empresa, que ganhará mais bilhões, as obras seguirão atrasando e os operários estarão em condições precárias.

Os fatos mostram que se quisermos garantir um transporte de qualidade em São Paulo mudanças profundas terão que ocorrer. Somente a estatização da linha 4 – Amarela e da parcela do Metrô e da CPTM que pertencem a acionistas privados sob controle de seus próprios trabalhadores e dos usuários pode garantir esse objetivo. Ao munir essa grande empresa estatal com alta capacidade de engenharia e com um forte setor de construção civil com operários efetivos, acabando com as terceirizações, poderíamos garantir não apenas a expansão necessária, mas também melhores condições de trabalho, poupando a saúde desses trabalhadores e suas vidas.

¹ http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/05/1456471-alstom-conseguiu-incluir-estacao-em-linha-do-metro.shtml

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