Direitos Humanos

Marcos Vinicius, presente! Basta de vítimas de homofobia e transfobia!

18 Nov 2014   |   comentários

Nos jornais e nas redes sociais, pelo menos mais três assassinatos homofóbicos foram divulgados neste domingo (16).

Nos jornais e nas redes sociais, pelo menos mais três assassinatos homofóbicos foram divulgados neste domingo (16).

Marcos Vinicius Macedo Souza, de 19 anos, era um estudante que foi esfaqueado próximo ao parque do Ibirapuera, um dos lugares de maior referência na organização e nos encontros LGBT. Mais uma cena de terror. Amigos contam que depois de um encontro haviam se separado e não se reencontraram mais até que por gritos ouviram que alguém estava sendo atacado. Com diversas facadas, o jovem agonizava no mato onde foi encontrado. Foi levado ao pronto socorro, mas não resistiu.

Rachel, como era conhecida, de 40 anos, foi brutalmente assassinada em sua casa, quando duas pessoas bateram em sua porta pedindo um copo d’agua e a surpreenderam com tiros no Jardim Bela Vista, SP. O cabeleireiro José Wilson Alves, 39 anos, morador da zona norte de Natal, foi encontrado morto com os moveis revirados e manchas de sangue nas paredes. Além disso, Danilo Putinato e seu namorado Raphael Martins foram brutalmente agredidos dentro do metrô de SP no domingo dia 09.

Os brutais assassinatos de Marcos Vinicius, Rachel e Wilson não podem ficar impunes. Não podemos mais aceitar calados essa situação. É preciso organizar um grande movimento nos locais de trabalho e de estudo que vá às ruas lutar pela liberdade sexual e livre construção da identidade de gênero, exigindo que o Estado reconheça essa opressão criminalizando a homofobia. Somente com um movimento de milhares nas ruas, sendo expressão dos debates vivos impulsionados pelas entidades estudantis e os sindicatos, é que poderemos dar um basta nessa situação.

O "Brasil sem Homofobia" do PT não pode existir sem romper as relações com as bancadas evangélicas e o Vaticano

A crescente visibilidade que os inúmeros assassinatos de LGBT veem tomando: Kaique Augusto, João Donati, Geia Borghi, Marco Vinicius e tantos outros, escancara o título de "Brasil campeão da homofobia". Segundo relatório da ONG internacional Transgender Europe, o Brasil, entre janeiro de 2008 e abril de 2013, teve 486 mortes de transexuais. Em 2013, foram 312 gays, lésbicas e travestis brasileiros assassinados.

De janeiro a setembro deste ano, foram 218 mortes de LGBTs no país, dos quais 71 por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis apedrejados. Atualmente já somam 265 assassinatos. Proporcionalmente, nós travestis e transsexuais somos as que mais sofremos com isso, pois morremos em números iguais aos gays que representam cerca de 20 milhões, e nós não chegamos a 1 milhão.

Parece que os chamados de Levi Fidelix, Feliciano, Silas Malafaia e Bolsonaro têm surtido efeito. Com o kit-antihomofobia, (destinado a debater nas escolas as sexualidades não heterossexuais) vetado, com a continuidade dos acordos Brasil-Vaticano que garante isenção fiscal para as igrejas católicas e o direito de ministrar aulas religiosas nas escolas, com a participação de Marco Feliciano (PSC) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara durante todo ano passado reforçando sua ideologia de que homossexuais são doentes, e com os discursos de que os filhos são gays porque não apanharam direito de Bolsonaro, assim como o discurso para violência contra homossexuais de Levi Fidelix nos debates eleitorais, seguimos morrendo.

O governo do PT, que diz lutar contra a homofobia com seu projeto "Brasil sem homofobia", foi questionado dos pés àcabeça em Junho de 2013, entre tantos motivos pela seu papel na chegada de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Na recente eleição, Dilma disse demagogicamente que iria criminalizar a homofobia. Mas como pode reconhecer que os LGBT são tratados diferentemente dos heterossexuais se segue ao lado de Vaticano, das bancadas evangélicas e setores como Maluf, Sarney e tantos outros que necessitam nossa opressão para dividir a classe trabalhadora e sustentar assim essa democracia dos ricos?

Para que não sejamos mais expulsas de casa, para que não mais apanhemos dentro do transporte público, para que não sejamos assassinadas ou nos auto-mutilemos ou os auto- mediquemos pelas filas de anos para alcançar nosso tratamento hormonal ou cirurgia de transsexualização, é preciso romper com estes setores e garantir educação sexual nas escolas, criminalizar a homofobia, SUS estatal de qualidade com atendimento às trans e acabar com a precarização do trabalho.

Justiça e punição já! Seguiremos nas ruas para que sejam os últimos!

Se os dados comprovam que a cada cinco gays ou transgêneros assassinados no mundo, quatro são brasileiros. Que a cada 28 horas um homossexual é assassinado e que a perspectiva de vida de nós travestis é de apenas 35 anos. Nós não aceitaremos essa situação!

Convocamos neste domingo, junto ao Setorial LGBT da CSP-Conlutas, um ato exigindo investigação e justiça já para Marcos Vinicius! Pela criminalização da homofobia! Comissões de investigação independentes do Estado, formadas por familiares das vítimas, organizações LGBT e de direitos humanos, sindicatos e entidades estudantis.

TODOS AO ATO:

Domingo - 23 de Novembro
Parque Ibirapuera - Av. Pedro à lvares Cabral - Moema - São Paulo
Concentração Às 16 hrs!

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