Internacional

ISLAMOFOBIA NA ALEMANHA

Marchas islamofóbicas e contramanifestações na Alemanha

06 Jan 2015   |   comentários

Na segunda-feira, 5, a Alemanha viveu uma intensa jornada de manifestações díspares. Enquanto o movimento “Patriotas Europeus contra a islamização do Ocidente†(Pegida) marchava novamente pelas ruas de Dresden, se organizavam contramanifestações em todo o país contra a xenofobia.

Cerca de 18 mil manifestantes – 500 a mais que a última e oito mil a mais que a penúltima – aderiram ànova convocatória do Pegida sob chuva fria nesta primeira segunda-feira de 2015.

Há uns dias a chanceler alemã Angela Merkel havia feito declarações chamando a não adesão às consignas xenófobas do movimento.

“Temos um governo extorquido pela esquerda†, dizia um dos cartazes da concentração xenófoba, enquanto centenas de bandeiras alemãs, junto com as bandeiras dos estados do leste do país, flutuavam nessa noite fria.

“Exigimos respeito e tolerância também ao nosso povo†, “defendamos nossas raízes judaico-cristãs†e “Não aos abusos àlei de asilo. Não àimigração que nos inunda†, eram outros dos lemas nos cartazes de diferentes tamanhos e formatos repartidos num local cercado de um poderoso esquema antidistúrbios.

"Lutz Bachmann: ladrão, traficante de drogas, estelionatário e alemão", denunciava, também na esplanada, um único cartaz “dissidente†carregado por Robert Schlink, um jovem de Dresden que pretendia denunciar o criador do Pegida, de extensa história delinquente e durante um tempo fugitivo da justiça da à frica do Sul.

“Não, não tenho medo. Não tenho porque temê-los. Eles deveriam ter medo de si mesmos, essa gente que não aprendeu a lição da história, o que significou a ditadura nazista, a destruição de toda a cidade de Dresden pela aviação aliada†, comentava Schlink.

Com seu cartaz levantado, o jovem enfrentava os olhares ofensivos e os impropérios: “Você não entendeu nada, garoto: estão nos tirando o país, os estrangeiros, muçulmanos, asilados e a classe política vendida†, lhe recriminava Helmut Blum, de 67 anos, com seu cartaz ao alto: “Fechemos a fronteira para os asilados†.

A uns 500 metros de distância, umas centenas de contramanifestantes convocados por grupos de esquerda e organizações de ajuda aos refugiados faziam outra concentração sob o lema “Venha, precisamos falar†.

“Dresden é um claro caso de medo infundado ao estrangeiro. Aqui, menos de 1% da população é de muçulmanos, e muitos dos que aparecem como estrangeiros são nascidos aqui†, comentava para a EFE Khaldum Al Saadi, nascido na vizinha cidade de Chemnitz e membro da organização "Dresden para todos".

As marchas do Pegida têm crescido semana a semana, até alcançar a cifra de 17,5 mil participantes no dia 22 de dezembro.

Paralelamente em várias partes do país foram convocadas outras manifestações com propósitos similares e nomes parecidos – “Legida†, em Leipzig, ou “Bärgida", em Berlim –, ainda que com menor número de participantes.

Também se multiplicaram as contramanifestações em todo o país, com o apoio explícito do governista Partido Social-democrata (SPD), dos Verdes e da Esquerda, em rechaço ao racismo e ao movimento islamofóbico.

Em Colônia, o cardeal mais antigo, Norbert Feldhoff, ordenou apagar as luzes da igreja em sinal de desacordo com uma marcha islamofóbica na cidade, enquanto em Dresden a fábrica da Volkswagen fez o mesmo.

“Apaguemos a luz para o Pegida†, pediram os social-democratas em sua conta de Twitter, estimulando a participação nessas contramanifestações.

Vários dos monumentos mais emblemáticos da Alemanha, como o Portão de Brandemburgo, em Berlim, ou a catedral de Colônia, apagaram suas luzes em repúdio às manifestações do movimento de cunho xenófobo Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente.

A principal contramanifestação ocorreu hoje em Berlim, onde a imprensa estimou que foram às ruas umas 5 mil pessoas convocadas por movimentos sociais e pela comunidade turca, com apoio dos sindicatos, dos Verdes, da Esquerda e do Partido Social-democrata, representado na marcha pelo ministro da Justiça, Heiko Maas.

Segundo estimativas da polícia, umas 5 mil pessoas também se manifestaram contra o Pegida em Stuttgart, mil em Hamburgo e cerca de 800 pessoas em Rostock.

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