Internacional

Michael Brown

Mão pra cima, não disparem!

27 Nov 2014   |   comentários

O título dessa nota é o grito que sacudiu as ruas dos Estados Unidos, desde Ferguson (Missouri) até Nova York, Chicago, Los Angeles, Whashington DC, Okland e outras grandes cidades do país.

O gatilhos dos protestos remonta a 8 de agosto, quando um policial fuzilou, por trás, um jovem afro-americano, Michael Brown, de 18 anos, em um bairro pobre de Ferguson.

Agora, a raiva invadiu as ruas, pois o policial Darren Wilson nem sequer foi levado ao tribunais. Assim notificou o fiscal do Condado de St. Louis, Robert McCulloch, na madrugada de 25 de novembro, alegando que o policial atuou em defesa própria.

A mãe de Brown, a Sra. McSpadden, respondeu frente àmídia aos gritos de: “Defender-se do que?! Todo mundo quer que eu fique calma! Sabe o que as balas fizeram com o meu filho? A eles não se importa, não vai importar!†e caiu em prantos.

12 noites de raiva

Desde 8 a 20 de agosto passado, os protestos não deram respiro ao presidente Barack Obama: 30 detidos e dezenas de feridos terminaram com a falácia de um presidente que supostamente garantiria uma nova era de direitos sociais.

A crise norte-americana, o aumento de desemprego, as terríveis condições de precariedade do trabalho, baixos salários, um sistema de saúde e educação limitado e um novo Natal que encontra milhares sem casa e sem emprego, fazem uma carga pesada nos ombros de milhões de trabalhadores estadunidenses.

O assassinato de Brown desperta a raiva popular, raiva que tem muito mais fundamento do que parece.

Parece tão perto!

A impunidade policial, a cara-de-pau, a descriminação, o racismo, a criminalização da pobreza e da juventude nos EUA, são condições presentes em qualquer bairro do Brasil.

A mesma maldita policia no Brasil e nos Estados Unidos. Isso confirma que não se trata de um policial. E sim de toda a instituição, aqui e no mundo.

Há apenas um ano, centenas de jovens se mobilizaram no Brasil pedindo justiça por Amarildo, pedreiro, pai de família, assassinado pela policia.

O caso de Brown não é o único. Recentemente, Tamir Rice, um menino negro de 12 anos, caiu baleado por estar jogando no parque com uma pistola de brinquedo na cidade de Cleveland. Kajieme Powell, de 15 anos, foi crivado com 12 tiros por um grupo de policiais brancos em Los Angeles, que o culpavam de ter roubado meia dúzia de “donuts†.

Nos últimos 4 meses, há pelo menos 20 casos conhecidos de gatilho fácil policial em território norte-americano e as vitimas são jovens dos bairros pobres.

O duplo discurso de Obama

A realidade é que não há justiça. A fome e as necessidades golpeiam as favelas em conjunto com uma policia que amedronta e persegue cotidianamente a juventude.

É terrível, só os enfrentamentos de agosto encontraram 30 detidos em 12 noites. Agora, em uma só noite, já são 60 detidos. O povo norte-americano se levanta contra o racismo, querem justiça para Brown. A juventude sai às ruas, mas também reivindica habitação, trabalho e saúde.

Enquanto o país está chocado, a Casa Branca estava armando a nova cúpula do pentágono em função dos planos militares da América do Norte. Obama estava ontem em uma conferência de imprensa apresentando a renúncia do secretário de defesa, Sr. Hagel. E apesar de que as manifestações chegavam na porta da Casa Branca, dedicou apenas uns minutos ao caso Brown, mas para condenar os manifestantes “violentos†, denunciar os saques e pedir que não resistam a repressão policial.

A juventude norte-americana contra a repressão policial

Segundo entrevista do diário New York Times, Brien Redmon, de 31 anos, disse que “não se trata de atos de vandalismo. Se trata da luta contra uma organização policial que não se preocupa pelas vidas que servem.â€

Thomas Perry, de 30 anos, disse “Estou a favor do meu povo, por isso estou aqui†.

Courtney Ford, de 30 anos, docente Afro-americana que vive em St. Louis disse: “Eu só vi essas coisas na escola. As marchas de Selma e Martin Luther King, e os ativistas dos direitos civis, mas agora essa é a vida, esta é a história. Estou aqui realmente como testemunha.â€

Estas entrevistas se realizavam enquanto de fundo soava um coro de milhares que, dirigidos por um megafone, agitavam “Se não há justiça, não há paz!†. Enquanto isso, uma mulher de média idade chegava de Chicago para se manifestar na porta da delegacia de Ferguson e incentivava um grupo de jovens que construía uma barricada. Ao redor se podia ver como outros foram organizando uma patrulha para se defender contra gases e tiros das tropas que avançavam na diagonal. Em pé de igualdade, outro grupo de manifestantes levantavam os braços desafiando poder policial.

Se algo está claro é que a juventude norte-americana não vai deixar que o caso Michael Brown fique impune, e em um gesto heroico já esta se enfrentando com a polícia, a justiça e o estado da principal potencia imperialista do mundo.

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