Mulher

CONTRACEPTIVOS PARA NÃO ENGRAVIDAR. ABORTO LEGAL PARA NÃO MORRER.

Mais nenhuma mulher morta por abortos clandestinos!

19 Sep 2008 | “…o socialismo deve eliminar as causas que empurram a mulher ao aborto, em vez de fazer intervir o Estado na vida íntima da mulher, para lhe impôr as ‘alegrias da maternidade’“. Leon Trotsky   |   comentários

É preciso refletir sobre a questão do aborto e deixar de falar em voz baixa como se fosse uma “palavra ruim†. Algumas mulheres provavelmente nunca tenham falado sobre isso. Algumas foram educadas na religião, enquanto outras sempre acharam que a Igreja não deve se meter em nossas vidas. Algumas viveram um aborto de perto. Outras não saberiam o que fazer diante dessa situação. Mas todas nós não queremos que milhares de mulheres continuem morrendo todos os anos por abortos clandestinos, em sua grande maioria trabalhadoras, pobres, jovens e de setores populares. Por isso dizemos: contraceptivos para não engravidar, aborto legal para não morrer!

Já sabemos que muitos consideram que nós mulheres somos apenas reprodutoras de filhos. Que o sindicato não é “coisa de mulher†, e portanto devemos cuidar da casa. Que não somos capazes de produzir conhecimento. Que somos propriedade de nossos maridos ou namorados, e que o nosso grande desafio é sermos boas mães e boas esposas. Em sintonia com esse “senso comum†, o Estado e a Igreja também querem ser proprietários de nossos corpos. E mesmo apesar de termos entrado no mercado de trabalho, e agora também sermos utilizadas como mão de obra barata e precarizada para manter os lucros dos capitalistas, somos golpeadas com a dupla jornada de trabalho, e seguimos sendo “máquinas para gerar os escravos†que mantém os privilégios de nossos exploradores. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual a Igreja e a direita encabeçam as campanhas reacionárias contra o direito ao aborto e em “defesa da vida†. Defendem a vida, mas não dizem nada sobre a morte de milhares de mulheres em decorrência de abortos clandestinos e nem sobre a morte dos 262 recém-nascidos nos hospitais públicos do Pará [1], vergonhosamente sob governo de Ana Júlia Carepa da DS corrente “de esquerda†do PT. Ao contrário, fazem campanha para que não seja aprovada a lei que permite o aborto nos casos de fetos anencéfalos (sem cérebro) e são coniventes com a perseguição de cerca de 10 mil mulheres no Mato Grosso, por terem feito abortos clandestinos. Por isso é lamentável que setores que se dizem “socialistas†, como Heloísa Helena do PSOL, adotem essa campanha reacionária.

Quanta hipocrisia! Vejamos as contradições: o Estado não dá saúde e educação pública de qualidade para nossos filhos, mas se engravidamos exigem que os tenhamos. O Estado não garante educação sexual para a juventude, e se uma jovem engravida por falta de conhecimento, exigem que ela tenha o filho. O Estado não disponibiliza contraceptivos de qualidade para evitarmos a gravidez, mas se engravidamos vão exigir que tenhamos o filho. A Igreja não quer que usemos camisinhas como método tanto para prevenir as doenças sexualmente transmissíveis quanto como contraceptivo, mas se engravidamos exigem que temos que ter o filho. Tudo isso, para manter a “defesa da vida†, enquanto no Brasil de Lula morrem cerca de 200 mil mulheres por ano em decorrência de abortos clandestinos. E no final das contas quem se responsabiliza pela morte dessas mulheres? Ninguém!

O fato é que muitas mulheres já perceberam que enquanto vivermos numa sociedade miserável como essa, onde nem o direito àmaternidade nos é dado pelo Estado de forma plena, é preciso que estejamos organizadas em torno de um direito que diz respeito àvida de milhares de mulheres, sobretudo as trabalhadoras e as pobres. Por isso, é preciso lutar contra as divisões impostas pela burguesia na classe trabalhadora, que dificulta a inserção da mulher trabalhadora na vida política e na luta pelos seus direitos. Em aliança com toda a classe é preciso buscar as vias de organizar um forte movimento que chame todos os setores da esquerda socialista, movimentos sociais, organismos de direitos humanos e a juventude a impulsionar uma grande campanha pelo direito ao aborto construindo o dia 28 de setembro, como um importante dia de luta pela descriminalização do aborto na América Latina e no Caribe.

[1Veja artigo “Mais uma brutalidade contra as mulheres no governo da DS no Pará†nesse site

Artigos relacionados: Mulher









  • Não há comentários para este artigo