Nacional

Mais dificuldades no horizonte econômico

06 Mar 2015   |   comentários

Dois fatos recentes mostram uma perspectiva mais contraditória para a economia nacional nos próximos meses. FOTO: Imóveis em São Paulo

Dois fatos recentes mostram uma perspectiva mais contraditória para a economia nacional nos próximos meses.

O primeiro são os sinais dados pelo FED (banco central americano) de que pretendem subir os juros por lá. Isso faria os investidores se voltarem com mais força ao mercado americano, pois desde a crise de 2008 os EUA aplicaram juros muito baixos e isso fez com que investimentos buscassem outros mercados mundo afora, mais "rentáveis" para aplicações financeiras - como o próprio Brasil, onde os juros são muito altos.

Com menos dólar no mercado mundial este ficaria mais caro.

Acontece que muito do avanço internacional de grandes empresas brasileiras foi fruto desta situação de empréstimos mais baratos. Com uma mudança como esta as empresas teriam suas finanças bastante prejudicadas.

O segundo se refere ao fato de que na atual conjuntura os fundos e bancos privados, que lucraram bilhões nos últimos anos, começam a pressionar o governo para a retirada de linhas de créditos isentas de impostos - criadas pelos governos do PT para que estes bancos tivessem a possibilidade de lucrar mais do que antes com os empréstimos que faziam para a área imobiliária e agrícola. Afirmam que agora estas linhas estão "concentradas" demais nos grandes bancos públicos e com isso as instituições financeiras que não são capazes de emitir estes créditos subsidiados estão perdendo rentabilidade.

A combinação de dólar barato e crescimento destas linhas de fundos nas áreas imobiliárias e agrícolas, importantíssimas para a economia brasileira, foram exemplos de algumas das condições que permitiam ao governo fazer demagogia dizendo que o Brasil estava a se tornar independente das dívidas externas e internas.

No entanto, se estas condições deixarem de existir, não haverá outra solução senão fazer os bancos públicos financiarem, através de crédito fundamentado no dinheiro público, as perdas de empresas que são pilares de sustentação das últimas décadas de maior estabilidade econômica. O que se complica ainda mais com a queda internacional no preço das commodities (já que muitas destas empresas são exportadoras) e com a tendência recessiva da economia; fatores que afetariam empresas de todo o mercado, não apenas as exportadoras de commodities.

A demagogia governista de que nos últimos anos o Brasil se tornou mais "independente" do imperialismo, principalmente norte americano, pode ser desmentida na mesma medida em que esta situação mostraria ainda mais o peso econômico da dívida interna e externa, que nunca foi "saldada" como dava a entender o governo do PT.

Os cortes fiscais já iniciados pelo governo, através do ministro Joaquim Levy, se aprofundariam e as empresas tentariam transferir suas perdas para os trabalhadores, com mais demissões e ataques às condições trabalhistas.

O sonho de estabilidade econômica consistente e duradoura, não só brasileiro, mas latino americano, começa a mostrar-se um engodo.

Nesta mesma conjuntura o exemplo dos professores do Paraná nos dá a licença política para dizer: "que sejam os governos e os capitalistas que criaram estas crises os que paguem por elas".

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