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Mais de duzentos feridos em mais um acidente nos Trens da Supervia

07 Jan 2015   |   comentários

A primeira segunda-feira do ano já começa com um grave acidente no Rio de Janeiro. Dois trens do ramal Japeri da Supervia, colidiram por volta das 20h20 entre as estações de Presidente Juscelino e Mesquita.

A primeira segunda-feira do ano já começa com um grave acidente no Rio de Janeiro. Dois trens do ramal Japeri da Supervia, colidiram por volta das 20h20 entre as estações de Presidente Juscelino e Mesquita. Embora nenhum passageiro esteja em estado gravíssimo, mais de 200 pessoas ficaram feridas. Segundo os passageiros, o trem estava lento porém o choque causou grande pânico e desespero, as luzes se apagaram, muitos tiveram de pular para as plataformas e alguns chegaram a desmaiar com o susto. Não é primeira vez que ocorre uma colisão nessa mesma linha, tendo inclusive resultado em mortes em 2007.

O sistema de trens do Rio de Janeiro passou pelo clássico processo de sucateamento e privatização. De sua criação até 1994 foi operado pelo governo federal, quando foi criada uma sociedade de ações com investimentos desse mesmo governo e do Banco Mundial. Sendo assim, no auge do neoliberalismo da década de 90, o transporte ferroviário deixou de ser prioridade do governo entrando numa profunda crise, com muitos acidentes, resultando em sua completa privatização em 1998.

O descaso com a manutenção e a superlotação não são novidades no transporte ferroviário no Rio e não mudaram nem um pouco desde sua privatização. A Supervia detém a concessão para operação do sistema de trens desde 1998, tendo em 2010 seu controle assumido pela Odebrecht TransPort, empresa do grupo Odebrecht famoso nos últimos tempos pela investigação da Operação Lava-Jato ligada a Petrobras.

Transporte de qualidade + lucro dos empresários = uma conta que nunca fechará

Para garantir o lucro, os empresários precisam ter o mínimo de investimento na modernização da frota e na manutenção dos equipamentos. Somado a isso é necessário que os trens transitem com o maior número de passageiros possível, já que terá o mesmo consumo de energia elétrica para movê-lo. Os usuários, na maioria das vezes sem alternativa, se veem obrigados a serem carregados em condições subumanas, constantes atrasos e temendo a iminentes acidentes.

Por outro lado, sem garantir o lucro, essas empresas perderiam a competitividade chegando a falência segundo a lógica do capitalismo. Desta forma, o único jeito desta conta aparentemente fechar, seria com investimentos dos governos. Porém, basta pensar um pouco para ver que no fim o dinheiro investido além de ir para o bolso dos empresários, ele virá do suor dos impostos pagos pelos trabalhadores.

Não há saída senão a estatização do sistema de transporte, sob gestão dos trabalhadores em aliança com usuários. Só assim, será possível planejamento adequado do transporte coletivo, garantindo que este seja a um custo baixíssimo para a população (expropriando os lucros das empresas privadas do transporte, taxando os ricos e os lucros astronômicos da indústria automobilística), de qualidade e com acessibilidade e trabalhadores com melhores condições de trabalho. Um transporte de fato público com linhas de metrô e ônibus a serviço das necessidades de deslocamento populares, das periferias.

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